quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
O Metodo Equoterapia
Observações sobre o Feno de qualidade
Considera-se como feno, todo alimento volumoso obtido pela desidratação parcial de uma planta forrageira, gramínea ou leguminosa. Em princípio, qualquer planta poderia ser fenada, entretanto, em função de qualidade e custo, algumas características devem ser consideradas e algumas condições dever ser obrigatoriamente satisfeitas, entre elas:Planta adequada ao processo;Idade ótima de corte;Momento ótimo de corte;Processamento adequado;Armazenamento adequado;O procedimento correto quanto a essas condições pode determinar a obtenção e elaboração de um feno bom ou ruim, ou ainda favorecer perdas significativas em quantidade e qualidade de fenos que originalmente poderiam ser considerados bons. Entretanto, é impossível obter-se fenos bons a partir de matéria prima de má qualidade ou se as condições e uso dos equipamentos forem inadequadas ou mesmo se a mão-de-obra ou o gerenciamento forem inexperientes.Assim, deve-se procurar caracterizar a atividade de fenação como uma atividade profissional e econômica, onde a Qualidade, considerando-se tanto a matéria prima como o processo e seu gerenciamento, é fundamental para um bom desempenho comercial do produto e para um bom desempenho orgânico do alimento.Um feno de boa qualidade deverá apresentar características nutricionais que o diferencie dos demais, sendo avaliado por meio de uma análise química nutricional. Entretanto, nem sempre isso é possível, uma vez que as análises bromatológicas desses fenos nem sempre são disponíveis ou não são representativas de todo o feno produzido naquela estação. Assim, é importante que sejam conhecidas algumas características físicas (visuais, tácteis e olfativas) desejáveis e indesejáveis, para que se possa avaliar inicialmente um lote de fardos de feno. De uma maneira geral, os lotes de feno com uma boa qualidade nutritiva apresentam as seguintes características: Umidade adequada (seco) e homogênea; Coloração esverdeada; Maciez ao tato; Alta proporção de folhas em relação às hastes; Temperatura do fardo sempre fria (ambiente); Presença de odor característico de feno (capim cortado) Presença de apenas uma espécie vegetal; Ausência de odores estranhos, fungos e bolores; Ausência de plantas daninhas, sementes ou pendões florais; Ausência de terra, gravetos ou materiais estranhos. Poderão ainda ser avaliadas: Uniformidade no tamanho dos fardos; Uniformidade no peso dos fardos; Perda excessiva de folhas ao manuseio; Amarração firme dos fardos. Todas essas características devem apresentar sempre em conjunto para que um feno possa ser considerado de boa qualidade, ou seja, não basta apresentar “quase” todas essas características para ser considerado como um feno “quase” bom. Essas características físicas são muito importantes e complementares às análises bromatológicas na avaliação dos fenos. O aumento do número de laboratórios, novas metodologias e equipamentos mais rápidos para avaliação química deverão tornar a análise bromatológica completa mais utilizada para a avaliação dos fenos, e também o preço e a rapidez de execução desses serviços deverão tornar-se mais aceitáveis que os apresentados atualmente. Por outro lado, do ponto de vista nutricional, ou do nutricionista, apenas os resultados da análise bromatológica, sem uma avaliação visual ou física do produto, pode comprometer a avaliação de um determinado lote de feno. Isto porque alguns parâmetros como proteína bruta ou fibra bruta podem ter seus resultados nutricionais mascarados pela metodologia com que são determinados nessas análises. No caso da apresentação de resultados como proteína bruta, o método não avalia se essa proteína é verdadeira, ou seja, se foi transformada em proteína vegetal, ou se ainda está em uma forma não metabolizada pela planta, pois os laboratórios medem diretamente a quantidade de nitrogênio do material e não de proteína. As variações ocorrem, por exemplo, no caso de amostras de fenos com altas doses de nitrogênio nas adubações ou com os cortes realizados muito próximos a uma adubação recente. Nessas condições, os eventuais altos teores de proteína nos resultados não significam que esse nitrogênio (proteína) esteja nutricionalmente disponível ao animal. Para uma avaliação mais criteriosa deveriam ser analisados o N-NH3 (nitrogênio amoniacal), N-nítrico (na forma de nitrato) e o N-ADF (nitrogênio ligado à fração fibrosa não digerível), principalmente se esse material destinar-se à alimentação de não ruminantes. Da mesma maneira que a determinação de proteína, a avaliação da fração fibrosa deverá seguir alguns critérios diferenciados, para os casos onde se deseje um maior conhecimento de sua qualidade para os animais. Em geral, consideram-se apenas os teores de fibra bruta, onde não conseguimos uma avaliação precisa de sua qualidade e do seu aproveitamento potencial pelos animais. Para isso deve-se avaliar as diferentes frações de fibra dos fenos, o FDN (fibra em detergente neutro), representando a fibra presente no feno e o FDA (fibra em detergente ácido) que é a fração fibrosa não digerível. As características físicas a observar nos fenos serão descritas a seguir, lembrando-se novamente, que elas deverão sempre aparecer em conjunto nos materiais de boa qualidade como alimento, pois algumas dessas características poderão ser encontradas mesmo em fenos de baixa qualidade nutricional. Na avaliação inicial de um lote de fardos de feno, a primeira característica a ser observada é a umidade do material. Deve-se abrir alguns fardos e avaliar seu aspecto geral quanto à presença de algum ponto de umidade excessiva, sendo desejável sua homogeneidade e um aspecto seco e firme. Quando avaliamos as características visuais, a coloração é a que se apresenta com maior destaque e relevância. Quanto a essa característica deve-se sempre buscar um padrão homogêneo, entre e dentro dos fardos, sendo que uma cor verde ou esverdeada seria característica de um material de boa qualidade quanto ao processo de secagem e de armazenamento e uma cor amarelada ou marrom, denota problemas de excesso de horas ao sol e falta de qualidade. A maciez ao tato mostra que a forrageira foi cortada ainda jovem, em seu estado vegetativo de crescimento, onde uma presença maior de folhas em relação às hastes ou caule, é a responsável pela sensação de maciez ou de ausência de características mais grosseiras como aspereza ou dureza. Essa maior proporção de folhas também denota uma maior qualidade nutricional, pois essa fração das plantas é a que apresenta maior digestibilidade e concentração de proteína, apresentando também uma secagem mais rápida, o que evita perdas em qualidade e peso. A presença do odor característico de feno, ou de capim cortado, reflete que ocorreu um processo adequado de desidratação, não havendo exposição demasiada ao sol e também um armazenamento adequado, onde não houve uma rehidratação prejudicial do material. Também a ausência de odores desagradáveis é um outro fator importante a considerar. Alguns animais são altamente seletivos quanto à qualidade do alimento, não consumindo aqueles que tenham características indesejáveis quanto ao aroma, ou que apresentem material em decomposição com presença de fungos ou bolores. Alguns defensivos como inseticidas também podem causar alteração no consumo. Uma temperatura normal (fria) dentro dos fardos também é um bom indicativo de qualidade no processamento e conservação. Temperatura mais elevada é um indicativo de umidade inadequada no enfardamento ou no armazenamento. Não é incomum encontrar fardos de feno com temperaturas acima de 30oC, em função do aquecimento provocado por atividade de microorganismos como fungos e bactérias. A presença de condições de desenvolvimento desses microorganismos será problemática em três aspectos principais: Perdas em quantidade (peso), Possibilidade de formação de compostos tóxicos como as aflatoxinas, Condições onde a combustão (queima) do material poderá ocorrer espontaneamente. A presença de outras espécies vegetais no feno, mesmo que adequadas ao processo, poderá significar que o campo de produção está em declínio, sendo pouco cuidado quanto às plantas invasoras, sendo que a qualidade sempre será diminuída pela presença de material de menor valor nutritivo, que terá o mesmo preço por unidade de peso. A presença de plantas daninhas, sementes ou pendões florais, da mesma forma, tem influência negativa sobre a qualidade do feno, demonstrando que este se encontra já passado e fora de sua melhor condição nutricional, tanto por motivos de clima ou pelo fato do produtor de feno valorizar mais a quantidade produzida do que a qualidade. A ausência de materiais estranhos, terra ou gravetos também se apresenta como uma característica importante e desejável nos fenos, refletindo a preocupação do produtor de feno quanto à sanidade e à integridade física dos animais que irão consumi-lo. Há varias citações de problemas de pinos, grampos, parafusos, plásticos ou graxa encontradas disponíveis aos animais, vindos dentro de fardos de feno. Pelo exposto, podemos perceber que a aquisição e avaliação de feno, como um alimento de qualidade, é uma tarefa complexa e que deveria ser considerada como parte fundamental em qualquer programa nutricional de toda propriedade. Entretanto, o que se observa é que essa função é realizada por pessoal não qualificado, não informado sobre qualidade, mas apenas orientado e preocupado com cotação e frete. Quanto melhor a seleção quanto à qualidade do feno adquirido e oferecido aos animais, maiores as vantagens obtidas, como: Melhor relação entre concentrado e volumoso na dieta total; Menor qualidade do concentrado para suprir as exigências nutricionais; Menores riscos de problemas metabólicos como cólicas ou torções internas; Melhor função orgânica nos animais; Menor custo por unidade consumida e menor custo por unidade produzida. Essas considerações justificam os diferentes preços e tipos de feno presentes no mercado, havendo uma necessidade de padronização e qualificação dos fenos para que seu preço seja o mais adequado e justo à sua qualidade. Quando os fenos satisfizerem a todas as características adequadas a um produto de alta qualidade (coloração, maciez, odor, limpeza, temperatura e análise química) estes estarão apresentando seu melhor valor nutricional e retorno econômico. O envio de amostras para análise bromatológica em laboratórios credenciados, seguindo uma metodologia adequada de amostragem, deverá fazer parte da rotina das transações de compra e venda de feno entre aqueles compradores preocupados com a qualidade do alimento e os fornecedores idôneos de feno. Pastagens para Eqüinos
As pastagens por constituírem há milhares de anos o alimento natural dos eqüinos, seu complexo sistema digestivo adaptou-se anatômica e fisiologicamente para sua transformação em fonte de energia, proteína e para suprir suas necessidades de todos os nutrientes. Com o incremento da estabulação e dos esportes eqüestres, os cavalos começaram a receber uma alimentação muitas vezes incompatível com sua capacidade de digestão e conversão, resultando como conseqüência mais grave a síndrome cólica, além das diarréias, aguamento, anemia etc. A respeito da fisiologia digestiva, enquanto nos bovinos (ruminantes) a assimilação de toda a energia dos carboidratos fibrosos dos vegetais ocorre no complexo “rúmen”; enquanto a dos eqüinos (não ruminantes) é no intestino grosso (ceco funcional), local de abrigo dos microorganismos, destinados a realizar a digestão desses alimentos volumosos. Por este motivo, toma-se importante a ingestão da fração fibra, responsável pelo equilíbrio e bom funcionamento do sistema digestivo. Como a forragem é a principal fonte de fibra da alimentação eqüina, associada ao bom valor nutritivo e ao custo mais baixo, não se deve desprezá-la nos mais diversos programas alimentares. A oferta de alimentos de alta qualidade, tanto de forragens quanto de suplementação concentrada, possui seus benefícios comprovados, pois garante crescimento saudável e excelente condição física dos animais. Na avaliação das espécies forrageiras para formação das pastagens para os eqüinos, devemos considerar seu hábito de pastoreio e fisiologia digestiva, que são diferentes dos outros animais herbívoros. O pastoreio dos eqüinos consiste na apreensão dos alimentos pelo lábio superior, usando os dentes para o corte da forragem, auxiliado pelos movimentos da cabeça. Nos bovinos esta apreensão é realizada pela língua que enrola a vegetação prensando-a no palato superior (céu da boca) arrancando-a com um pequeno movimento da cabeça. Características desejáveis :Com este tipo de pastejo rente ao solo, é importante a escolha adequada de uma espécie forrageira que tenha hábito de crescimento rasteiro. Como por exemplo, as espécies de estoloníferas ou semidecumbentes, no qual o tipo de pastejo causa menor dano ao meristema apical da planta proporcionando um melhor rebrote e persistência das pastagens, uma vez que estão menos expostos, dificultando seu corte. Forragens com crescimento cespitoso e com o meristema apical mais alto devem receber mais atenção no manejo. Neste caso, não permitir que os animais cortem muito baixo as pastagens, pois com uma desfolhação muito intensa acarretará a remoção do meristema apical, resultando na paralisação de seu crescimento. A rebrota será muito mais lenta, pois ocorrerá a partir de gemas basais ou axilares, prejudicando assim o rendimento e a duração da pastagem. Outras características desejadas nas forragens são: 1 - Crescimento agressivo (capacidade de crescer e fechar a área rapidamente); 2 - Resistência ao pisoteio; 3 - Alto valor nutritivo; 4 - Baixa exigência em fertilidade do solo; 5 - Boa palatabilidade; 6 - Adaptável às condições climáticas da região.Escolha da forragem Por ser um país de proporções continentais, o Brasil possui uma diversidade de clima e fertilidade do solo, responsáveis pelas diferenças na adaptabilidade de uma mesma espécie em diferentes regiões do país. A composição das forragens varia muito com o estádio vegetativo da planta, com a fertilidade e tipo do solo, regime de chuvas, temperatura, umidade do ar, latitude, altitude, sistema de pastoreio, praguejamento, espécie forrageira, etc. Com essa ampla variedade de fatores influenciando a composição nutritiva e produção das forragens, pode-se afirmar que não há uma espécie forrageira ideal, e sim dentro das características desejáveis já citadas, ocorra à escolha da espécie mais adaptada a região e ao manejo adotado (adubação, rotação de pastagens, irrigação, taxa de lotação, etc.).Preparo do solo Antes do plantio, deve-se tomar providencias para uma melhor germinação tanto das sementes ou das mudas plantadas. A coleta de amostra do solo para análise em laboratório, tem grande importância para a determinação das suas condições de fertilidade e pH. De acordo com os resultados, recomenda-se a correção do pH do solo, de preferência 60 dias antes do plantio, e a adubação adequada para que o solo esteja apto para proporcionar o rápido crescimento e persistência da forrageira cultivada. É também importante para o sucesso na implantação de uma pastagem fazer a retirada das plantas daninhas perenes antes da floração, para que não reproduzindo, impeça a reinfestação, possibilitando maior controle da qualidade das pastagens. Forrageiras Informações sobre as espécies de gramíneas para a formação de pastagens é de grande importância na alimentação eqüina. Estrela Africana (Cynodon Plectostachyus) Espécie de crescimento prostrado prefere solos de textura argilo-arenosa. Extremamente resistente ao pisoteio, apresenta valor nutritivo bom e notável capacidade de cobrir terreno. Regra geral não recomendada para fenação, devido ao seu “talo” ser grosso dificultando a perda de água. Coast – Cross (Cynodon Dactylon)O coast-cross é uma forrageira perene, subtropical, híbrida, desenvolvida na Geórgia, EUA, pelo cruzamento entre espécies de Cynodon (grama-bermuda). É resistente ao frio, tolerando bem geadas. Apresenta bom valor nutritivo (teor protéico: 12 a 13%), alta produção (20 a 30 t/ha/ano de matéria-seca) e alto nível de digestibilidade (60 a 70%). Por apresentar alta relação folha/haste e responder vigorosamente à adubação, constitui-se em excelente opção para fenação. Seu hábito prostrado e estolonífero lhe assegura maior persistência. Tifton 85 (Cynodon SP) Gramínea do gênero Cynodon sp, híbrido estéril resultante do cruzamento da TIFTON - 68 com a espécie Bermuda Grass da África do Sul Gramínea perene estolonífera com grande massa folhear, rizomas grossos, que são os caules subterrâneos que mantêm as reservas de carboidratos e nutrientes que proporcionam a sua incrível resistência a secas, geadas, fogos e pastejos baixos. Pode ser plantada tanto em regiões frias, quanto em regiões quentes de clima subtropical e tropical, ou seja, em todo território nacional, em solos arenosos, mistos e argilosos (não alagados), devidamente corrigidos e adubados. Tifton 68 (Cynodon sp) O tifton 68 é uma gramínea forrageira tropical obtida a partir de melhoramentos genéticos realizados com o gênero Cynodon nas universidades da Geórgia e da Flórida, nos Estados Unidos. Apresenta as mesmas características o tifton 85 apresentado acima. Braquiárias Capins do gênero brachiaria devem ser evitados na formação de pastagens para eqüinos, pois algumas espécies (brachiaria decumbens) são rejeitas pelos animais. Algumas causam fotossenbilização hepatógena principalmente nas partes despigmentadas dos animais (brachiaria humidicola), além de apresentarem alto teor de oxalato, que seqüestra o cálcio tornanndo-o indisponível para o animal. A doença conhecida como “cara inchada” (hiperparatireoidismo nutricional secundário), é caracterizada por um inchaço bilateral dos ossos da face, e é causada pelo alteração da relação Ca:P. Para tentar restabelecer a quantidade de cálcio no sangue o organismo libera o PTH (hormônio da paratireóide), que mobiliza o cálcio dos ossos para a corrente sanguínea. O cálcio retirado dos ossos é substituído por um tecido cicatricial fibroso, que provoca aumento de volume dos ossos da face. Embora irreversíveis, essas lesões podem ser controladas quando detectadas. Outras espécies como o capim kycuiu (pennisetum clandestinum), Setaria anceps cv. Kazungula, Panicum maximum cv. Colonião, Digitaria decumbens cv. Transvala também devem ser evitadas pelo seu alto teor de oxalato. Vacinação e Vermifugação de Equinos
Novamente abordamos o tema vacinação e vermifugação de equinos , tendo em vista inúmeras solicitações sobre o tema . No que diz respeito à saúde do cavalo, um dos pontos de extrema importância é o calendário de vacinação e vermifugação. Daí a necessidade de um eficiente cronograma de vacinação e desverminação, para que sejam evitadas muitas doenças graves, como o tétano e cólicas verminóticas, por exemplo. Mais do que apenas vacinar, um programa de controle e prevenção de doenças infecciosas deve também visar à redução da quantidade de agentes causadores de doenças no meio em que os animais vivem. Isso pode ser obtido através da higiene e limpeza. A queda da resistência imunológica do animal também deve ser reduzida ao máximo, de forma a tornar o programa de vacinação mais eficiente.Toda vacina destina-se a estimular o sistema imunológico do animal para dar a ele condições de se defender do agente causador da doença. Os microorganismos patogênicos são mortos ou atenuados tornando-se incapazes de provocar a doença propriamente dita. No entanto, eles ainda contêm os antígenos, que ao serem introduzidas no organismo estimulam a produção de anticorpos específicos, levando à imunidade contra aquele agente patogênico. Dessa forma, ao ser defrontado com a doença, o animal não apresentará sintomas clínicos, ou os terá de maneira muito atenuada. Em um estabelecimento eqüestre, a vacinação é obrigatória. Ela tem baixo custo, facilidade de aplicação e baixa incidência de efeitos colaterais.A infestação parasitária é um sério problema de saúde para cavalos de todas as idades. O organismo do cavalo serve de hospedeiro para muitos parasitas. As larvas dos vermes podem ser encontradas nas pastagens, estábulos, cocheiras e em qualquer outro local contaminado com fezes de eqüinos (embora algumas larvas possam ser transportadas por insetos).Devemos dar a devida importância aos prejuízos causados tanto ao animal quanto ao proprietário. Isso acontece porque os vermes acabam competindo com o cavalo pelos nutrientes de sua dieta, levando-o a uma diminuição de performance e capacidade. Os vermes adultos pela sua ação traumática nas mucosas causam gastrites e enterites, prejudicando a assimilação e digestão dos alimentos, levando assim os animais ao mau desenvolvimento no trabalho, reprodução e crescimento. As doenças infecciosas podem ser transmitidas de um indivíduo para todo o grupo, ou mesmo a uma população inteira. Exemplo famoso na Eqüinocultura são os surtos periódicos de influenza, que se espalham em questão de dias por hípicas e principalmente Jockey Clubs, interrompendo o calendário de provas e causando prejuízos a indústria do cavalo.O sucesso da vacinação depende da interferência dos seguintes fatores:· Estresse por transporte, temperatura, super população, etc;· Desafio alto: Presença da doença no local· Manejo dos eqüinos: Nutrição, endo e ectoparasitos, higiene local· Condições individuais do animal: Sem doenças incubadas, sem interferência de anticorpos maternos, sem imunossupressão;· Qualidade das vacinas utilizadas· Programa de vacinação· Antígeno (qualidade)· Da massa antigênica (quantidade)· Do adjuvante· Da conservação· Da via de administração· Da sanidade animalA maioria
das vacinas de importância em eqüinos aqui no Brasil são feitas contra aquelas doenças causadas por vírus, com exceção do tétano. Existe uma “vacina” contra garrotilho – na verdade uma bacterina, pois o garrotilho não é causado por um vírus, mas por bactéria. Outra vacina muito mencionada na literatura estrangeira, mas pouco conhecida no Brasil, é aquela contra a erlichiose monocítica dos eqüinos, ou “febre do rio Potomac”, causada pela Erlichia risticii.Apenas um animal saudável tem condições de desenvolver imunidade como conseqüência de uma vacinação. Por exemplo, um cavalo portador de infestação parasitária intensa, ou em estado febril, poderá estar sofrendo um estresse físico excessivo, que não lhe permitirá responder à vacinação.Potros são sujeitos a problemas peculiares relacionados à vacinação, pois a imunidade passiva recebida pelos mesmos através do colostro poderá interagir com a vacina administrada, causando a inativação da mesma antes que ela tenha estimulado o sistema Imunológico do potro. Portanto, uma vacina dada demasiado cedo poderá ser ineficiente, enquanto que aquela administrada muito tarde poderia deixar o potro desprotegido contra a doença durante aquele período intermediário. A freqüência de doenças infecciosas tende a crescer proporcionalmente ao número e concentração de animais num estabelecimento eqüestre. Não apenas a introdução de novos cavalos, com as viagens para exposições e provas podem causar problemas.Nos haras, a vinda de cavalos de terceiros, a mistura de animais de diversas faixas etárias e o número elevado de potros – sempre mais sensíveis a doenças infecciosas – e de éguas prenhes causam diversos problemas especiais. Problemas estes que relevam a importância dos princípios do controle sanitário de doenças infecciosas.Por exemplo, é importante que todos os animais sejam separados por categoria e faixa etária. Potros desmamados, cavalos jovens, cavalos em treinamento e éguas visitantes deveriam ser mantidos inteiramente afastados das éguas e potros dos haras.Animais recém adquiridos devem ser submetidos ao teste de AIE, ser desverminados e também receber todas as vacinações indicadas, antes de se permitir que sejam misturados ao resto do plantel.Qualquer cavalo suspeito de doença infecciosa deve ser isolado por ao menos dez dias após o desaparecimento dos sintomas. Isso deve ser feito para minimizar o risco do contágio de outros animais suscetíveis.Além disso, medidas rigorosas de limpeza e desinfecção de pessoas e equipamentos em contato com animais doentes são necessárias antes que essas pessoas e objetos entrem em contato com animais sadios, a fim de evitar o risco de contágio.Os programas de controle devem preferencialmente ser adaptados à situação em particular do estabelecimento eqüestre. O princípio de toda vacinação é administrar uma dose inicial que deve ser seguida de reforços a intervalos regulares, cujo tamanho depende do tipo de vacina e da resposta imunológica a cada uma das mesmas.Quando possível, a vacinação simultânea de todos os animais de um plantel irá elevar o nível de imunidade daquele grupo de animais, bloqueando a transmissão da infecção. Agindo dessa forma, será conferido também um nível maior de proteção aqueles cavalos cujo sistema imunológico – por uma fraqueza característica ou transitória - não corresponde á vacinação com boa produção de anticorpos.Deve-se atentar a estocagem das vacinas, seguindo o preconizado pelo fabricante no tocante à temperatura e prazo de validade.As principais vacinas a serem dadas nos cavalos devem ser aquelas que protegem contra as seguintes doenças: Tétano, Encefalomielite, Influenza equina, Rinopneumonite. Raiva, Leptospirose e Garrotilho em regiões endêrnicas.Uma vacina muito utilizada aqui no Brasil é aquela que imuniza simultaneamente contra as seguintes doenças: Tétano, influenza e encefalomielite (conhecida como “tríplice”). É importante atentar, porém, que a mesma não protege contra a rinopneumonite. · Para exportação de cavalos são exigidas algumas vacinações que variam de país para país, mas que no geral são algumas dessas citadas.· Lembrando sempre que o programa de vacinação é variável conforme a finalidade e ambiente onde o animal vive.· Lembrando sempre que somente um Médico Veterinário tem a capacidade de escolher as vacina adequadas e aplicá-las no momento ideal, de forma segura e eficiente.
Ao enfocarmos o tema parasitologia de eqüinos na atualidade, devemos ter a percepção de que, em termos de danos causados aos animais e prejuízos aos proprietários, todos os parasitas apresentam sua importância.Além dos parasitas já conhecidos e combatidos, outros antes considerados insignificantes, como por ex. os Anoplocefalóides, hoje em função dos crescentes conhecimentos adquiridos nesta área de estudo, despertam para uma maneira diferente de pensar.Segundo uma distribuição mundial dos parasitas de eqüinos, guardadas as variações sazonais nos países de clima temperado, as infestações por todo e qualquer parasita são constantes, e raramente encontram-se aquelas causadas por um parasita isoladamente, mas sim por uma associação deles.A estratégia mais eficaz é a associação de drogas, de maneira a obtermos um espectro de ação mais amplo, que possa ser utilizado com eficácia nos habituais e reconhecidos programas estratégicos de controle de parasitas, tanto em potros, quanto em éguas ou garanhões.Existem vários fabricantes de vermífugos bastante conhecidos. Quase todos eles se apresentam em bisnagas com conteúdo pastoso ou em forma de gel. Estas bisnagas possuem graduação indicando a dosagem de acordo com o peso do animal. Existem vermífugos com cinco tipos básicos de drogas anti-helmínticas: benzoimidazóis (mebendazol, thiabendazol, canbendazol, fenbendazol, oxfendazol e oxibendazol); organofosforados (dichlorvos e trichlorfon); piperazinas (associadas ou não ao dissulfeto de carbono e a fenotiazínicos); carbamatos (pamoato de pirantel e tartarato de pirantel) e ivermectina. A aplicação varia de acordo com o peso, idade e período gestacional no caso das éguas. A vermifugação de potros deve-se iniciar aos 60 dias e doses consecutivas a cada 2-3 meses. Recomenda-se a mudança de base a cada 3-4 aplicações, consistindo em uma rotação média.Para animais adultos recomenda-se a repetição das doses 3-4 meses. A Mudança de base deve ser feita a cada 3-4 aplicações para evitar o surgimento de resistência dos parasitas. A realização de um exame parasitológico de fezes (O.P.G) indicará se a base utilizada está sendo eficiente e se há uma nível alto de infestação que indicará a necessidade de alterar esse calendário profilático.Em animais que não são vermifugados a muito tempo deve-se utilizar primeiramente uma dose menor e o restante da dose a 20 dias, para evitar que os parasitos obstruam a luz intestinal, principalmente em animais jovens.
Rodrigo Arruda de Oliveira – Médico Veterinário Autônomo – CRMV/GO 3083
Ferida de verão - Habronemose Cutânea
A ferida de verão ou habronemose cutânea é causada quando larvas infectantes de Habronema sp são depositadas por moscas (hospedeiro intermediário) em feridas ou onde o cavalo não consegue remover as moscas. Então os locais mais comuns são: face, canto do olho, linha média do abdômen, em machos em torno do pênis e prepúcio e membros. Isto ocorre quando essas moscas se alimentam de sangue ou áreas úmidas no corpo do cavalo. Essas larvas na verdade são parasitas do sistema digestivo do cavalo, e quando ocorrem essas infestações consideramos serem migrações erráticas das larvas, que não chegam a atingir a idade adulta nesses locais. Não se conhece a patogenia exata da enfermidade, mas supõe-se que envolva uma reação de hipersensibilidade à presença de larvas mortas ou que estão morrendo. É uma doença sazonal, e as lesões quando não muito severas, desaparecem espontaneamente no inverno. A ocorrência é esporádica em um grupo de eqüinos, mas determinados indivíduos podem ser mais predispostos a recidivas. Não existe preferência por idade, sexo ou raça. A enfermidade usualmente começa na primavera com o aumento da população de moscas.As lesões são observadas mais comumente nos membros, no ventre, no canto medial do olho, no prepúcio, no processo uretral ou no local de uma ferida. Desenvolvem-se rapidamente de um pequeno nódulo a grandes feridas de mais de 30 cm de diâmetro e podem ser solitárias ou múltiplas. São comuns ulceração, exsudação e prurido intenso. Devido ao prurido, é comum o autotraumatismo. O diagnóstico é freqüentemente feito apenas com base na anamnese, na sintomatologia clínica e na localização das lesões. Os raspados de pele não são meios de diagnóstico confiáveis, porque nem sempre encontramos as larvas. A biópsia é o teste de escolha. A lesão precisa deve ser diferenciada com sarcóides e tecido de granulação excessivo.A prevenção consiste em um bom controle dos vetores (esterqueiras) e vermifugações freqüentes e regulares. Também é fundamental o curativo de feridas abertas, mantendo as mesmas sempre limpas e com repelentes.O tratamento visa à redução do tamanho das lesões, diminuir a inflamação e evitar a reinfestação. As lesões maciças frequentemente requerem excisão cirúrgica. A ivermectina funciona bem matando as larvas que entram na pele e no controle de recidivas. É muito importante o controle de moscas e curativos freqüentes das feridas. Para evitar autotraumatismo pomadas ou injeções que diminuem a reação inflamatória têm excelente resultados. Em casos de lesões muito severas e de difícil resolução, o veterinário pode optar por tratamentos medicamentosos sistêmicos, pomadas tópicas e uso de antiinflamatórios mais potentes ou inclusive o tratamento cirúrgico.Patricia Medeiros Camin - CRMV/SP 17.035
A Síndrome de Sobretreinamento
Segundo diversos autores, a Síndrome de Sobretreinamento (SST) pode ser definida como uma resposta psicobiológica complexa a um excesso de solicitação continuada de treinamentos e que ainda pode sofrer influência de múltiplos stresses associados que não diretamente às cargas de exercício ao longo da vida do atleta.Dependendo das características individuais, as respostas fisiológicas, psicológicas e de conduta se manifestam de formas diferentes assim como suas intensidades, tipo de atividade desenvolvida, nível de treinamento alcançado, etc.É sabido que de acordo com o nível de treinamento alcançado, existem dados que servem como indicadores fisiológicos a exemplo de marcadores hormonais como catecolaminas, testorenona e cortisol. Estudos realizados têm dificuldade em quantificar adequadamente o nível de treinamento que o individuo está sujeito, porém, tem-se resultados bastante consistentes quando se avalia o volume de treinamento e sua relação com períodos de SST com o quociente testosterona – cortisol (CTC).Outra maneira de se determinar a SST, são os indicadores subjetivos, onde na medicina humana se utilizam questionários que avaliam o estado de ânimo dos atletas, assim como as escalas de fadiga que mostram o impacto global do stress de treinamento sobre o organismo. Seria de grande valia correlacionar marcadores hormonais com indicadores subjetivos para se analisar e conhecer melhor a SST em eqüinos, inclusive.Tipos de SST :Baseado em estudos médicos, científicos e empíricos, observam-se dois tipos de SST: uma por programas de treinamento monótonos e outra por sobrecargas crônicas. A primeira pode ser observada em indivíduos submetidos a rotinas de treinamentos com movimentos repetidos e a segunda por sobrecargas crônicas, como conseqüência de treinos de longa duração e freqüentemente repetidos, assim como por excesso de competições. Podemos imaginar a primeira em eqüinos de salto, por exemplo, onde certas sessões de treinamento se valem de repetidos movimentos como saltos consecutivos, A segunda forma sim, pode-se atribuir ao cavalo de enduro, onde este fica submetido a um estresse de treinamento longo e muitas vezes monótono, sem dizer o acréscimo de estresse originado pelas competições, viagens, mudanças repentinas de manejo e clima. Fatores predisponentes da SST . Sabe-se que as principais causas de SST em atletas estão relacionadas com aqueles indivíduos que realizam atividades de longa duração, ou repetidas por um longo período de tempo, associadas com estados psicológicos desfavoráveis e dados pela rotina de treinamento repetitivo e exagerado.- Treinamento intensivo;- Aumentos repentinos de carga de trabalho;- Grandes volumes de treinamento monótono. Estresses de características físicas - Diminuição dos depósitos de glicogênio;- Desidratação;- Enfermidades ou lesões;- Estresses psicológicos da vida diária, viagens, mudanças local, etc.Sintomas de Sobretreinamento - Baixa performance;- Depressão (perda de interesse, conduta competitiva, perda de libido);- Perda de peso e apetite;- Ansiedade e irritabilidade aumentadas;- Fadiga;- Perturbações do sono, dificuldade em descansar, caminhar na cama;- Freqüência cardíaca em repouso elevada;- Sudoração excessiva;- Queda de status imunológico (infecções crônicas principalmente em vias aéreas superiores, infecções intestinais, freqüentes afecções dermatológicas como micoses, cicatrização dificultosa de feridas menores).Detecção da SST: A detecção da SST se torna de certa maneira dificultosa, porem, quando se pode acompanhar e controlar periodicamente o rendimento tanto subjetivamente como objetivamente, o estado de animo e a freqüência cardíaca em repouso, certos sinais da SST podem ser identificados nos eqüinos.Outra maneira trata da adoção de registros de treinamento das atividades realizadas, volume, intensidade e disposição do atleta, estado de animo e controles médicos assim como realizar todas as provas possíveis dentro das condições econômicas e temporais.A SST e o Sistema Imune :Tem sido estabelecido que atletas experimentam consideráveis, porem transitórias, perturbações imunitárias durante e por várias horas seguintes às sessões de treinamento. Seria sensato crer que algum efeito crônico esteja presente em repouso. As atividades esportivas especialmente as de alta intensidade e longa duração podem levar a um certo grau de imunossupressão. Tal mau funcionamento do sistema imune pode ser um componente da SST, onde aparecem infecções recorrentes durante períodos de máximo treinamento ou estresse competitivo. Possíveis causas de Imunossupressão causadas pela SST- Aumento de Costisol Serico;- Diminuição de concentração de glutamina serica;- Diminuição das concentrações de imunoglobulina na saliva. O tecido linfóide utiliza taxas de glutamina similares às que utilizam o músculo esquelético e o cardíaco, a principal fonte de glutamina plasmática é o músculo esquelético, a qual têm sido encontradas deprimidas em competidores sobretreinados, ou de maratona, comparando-se valores pré e pós-competição. Segundo o Britsh Olimpic Medical Center, a SST se dá primeiramente em atletas que praticam esportes de longa resistência, depois em desportistas onde a potência e a velocidade sejam os princípios básicos de treinamento e de competição.Sabe-se também que a função linfocitária tem sido encontrada reduzida em corredores de elite depois de maratonas, o que não se encontra em corredores amadores habituais depois de períodos de treinamento. Depressões similares entre 30% e 70% nos linfócitos têm sido encontradas em corredores moderados de maratona controlados por 04 a 06 minutos. O Mal da Segunda-Feira

Alexandre Archanjo Hospital Escola de Grandes Animais da Universidade de Brasília – UnB. alex_archanjo@pop.com.br
