TESTE

TESTE TESTE DE CABEÇALHOTESTE TESTE DE CABEÇALHOTESTE TESTE DE CABEÇALHOTESTE TESTE DE CABEÇALHOTESTE TESTE DE CABEÇALHOTESTE TESTE DE CABEÇALHO
Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Equoterapia e Psicologia Comunitária : integração social em um centro de equoterapia


A Psicologia Social Comunitária : Surge, no Brasil, na década de 60 como forma de deselitizar a psicologia tendo como objetivo trabalhar com comunidades de baixa renda em busca de uma melhor qualidade de vida. O campo de trabalho, com o tempo, foi se ampliando para creches, postos de saúde, setor judiciário e sistemas de promoção de bem-estar social onde o psicólogo lança mão do desenvolvimento de instrumentais de análise e intervenção de acordo com as características específicas desta clientela. Campos (1996), coloca também que a partir do levantamento de necessidades deste grupo específico há a possibilidade de se utilizar métodos e processos de conscientização que estimulem os sujeitos a construírem sua própria história, a terem consciência dos determinantes sócio-políticos de sua situação e a atuarem na busca de soluções para seus problemas. A Psicologia Social Comunitária é um campo de trabalho interdisciplinar comprometido política e socialmente com o desenvolvimento de saberes e práticas que possibilitem o estabelecimento de relações igualitárias e emancipatórias através da dialógica. Tem como objeto de estudo a subjetividade, cuja construção se dá concretamente a partir das relações sociais cotidianas. A prática se estrutura fora do ambiente tradicional, em intervenções que facilitem transformações das experiências de dominação e desigualdade, a ponto de estabelecer relações conscientes, críticas e ativas. (Campos, 1996) Verificamos que os praticantes que limpam, encilham e guiam os cavalos sentem-se gratificados e felizes ao concluírem suas tarefas. Segundo Alícia Fernández, os comportamentos não instintivos, isto é, os que requerem uma aprendizagem (encilhar, guiar, etc.) são processos construtores de autoria "o essencial do aprender é que ao mesmo tempo se constrói o próprio sujeito" (Fernández, 2001, p.31 e 35). Tal transformação implica uma abordagem metodológica que privilegie a atividade, a consciência e a ética da solidariedade , motivo pelo qual a observação e a pesquisa participantes são utilizadas para efetivar o planejamento e a execução de programas de transformação da realidade vivida (Campos, 1996, p. 11). Conclui-se assim, que a produção do conhecimento se dá a partir do diálogo entre o saber popular, o saber acadêmico e o contexto nos quais estes saberes se inscrevem. O conhecimento produzido dessa forma garante a coordenação de ações coletivas de enfrentamento do instituído na realidade, a partir da síntese das percepções do pesquisador e daquela comunidade específica. A Integração Social na Equoterapia : "Os deficientes são pessoas antes de tudo...e têm o mesmo direito à auto-realização que quaisquer outras pessoas – no seu ritmo próprio, à sua maneira e por seus próprios meios. Somente eles podem superar a si mesmos" (BUSCAGLIA, 1993, P.29 apud SANTOS, 1997, P. 115). A sociedade deve reconhecer o portador de necessidades especiais como um ser humano com os mesmos direitos e obrigações dos demais. Ele deve ser acolhido pela família e se sentir capaz de se preparar através da educação para o trabalho, para a interação e a adaptação psicológica à integração. Segundo Clemente Filho (1977) a integração pressupõe interação, reciprocidade de ação, troca de atividades; é preciso que o "deficiente" que recebe amparo e proteção dê em troca pelo menos esforço, senão trabalho e produção, socialmente úteis. Isto, em nosso Centro de Equoterapia, podemos verificar através da realização e felicidade que os praticantes expressam ao se sentirem úteis e "normais" trabalhando no manuseio dos cavalos como qualquer outra pessoa. Neste espaço, eles desempenham o papel de equipe de apoio (auxiliar-guia, auxiliar-lateral e tratador). Para haver uma integração devemos analisar todos os aspectos desta relação: o portador de necessidades especiais, sua família e comunidade. Se há o desejo do praticante e de sua família em realizar estas atividades nós fazemos um acordo quanto à carga horária, funções, etc. O praticante recebe informações e supervisão constante da equipe do local para um bom desempenho de sua função. A partir da escolarização é que os vínculos com alguém fora da família começa a existir. Até então a criança se relacionava apenas com os cuidadores. A importâncias deste relacionamento entre infantes torna-se maior, fato que não se observa com os deficientes. Há uma diferença entre amigos e parceiros, este só junta para realizar atividades como a de brincar, àquele é que a criança escolhe para estar com ela para além da escola. O deficiente normalmente têm parceiros, suas limitações o impedem de expandir a relação para além do ambiente escolar. Mas em alguns casos a amizade é possível, a partir da prática no CEPA, percebemos que alguns praticantes ampliam este laço para além do espaço da Equoterapia. Alguns praticantes freqüentam a casa uns dos outros, encontram-se fora do CEPA, transformando uma parceria em amizade. As Famílias envolvidas no Processo : "quando nasce uma criança deficiente, a sociedade modifica as suas condutas: ninguém envia cartões de parabéns, não há prendas; há choros, emotividades provincianas e culpabilidades hereditárias inconscientes que ‘dramatizam’ ainda mais a situação" (FONSECA, 1991, P.11 apud SANTOS, 1997, P. 145). Desde o momento da concepção a história do bebê começa a ser traçada, esta "pré-história" nos mostra os desejos inconscientes do casal, tanto em relação a querer ter o filho ou não tê-lo. A sociedade espera uma imagem de jovens bonitos, sadios, inteligentes, enfim, alguém de quem se orgulhar. "De repente, aquele sonho infantil termina, repentinamente o casal se vê diante de uma realidade dolorosa demais: eles não geram um superbebê, mas uma criança da qual, a princípio, não vêem motivo para se orgulhar" (SANTOS, 1997, p. 147). De fato, a notícia é avassaladora, mesmo quando dada com cuidados, surgem questionamentos de culpa, dúvidas quanto ao futuro e por exemplo estas perguntas surgem aos pais: Aonde foi que eu errei? Porque tinha que acontecer comigo? O que será de mim? O que será de meu filho quando eu morrer? Após a descoberta que o bebê não se desenvolve como as outras crianças e que ele necessitará de cuidado permanente pressupõe-se muitas mudanças na organização familiar como aspectos econômicos, sociais e pessoais (emocionais) a fim de adaptar-se a nova realidade. A família passa então pela dor do luto do filho desejado e assim deve elaborar esta perda para reconhecer o filho gerado. Sobre esta criança os pais têm o direito de serem informados quanto às reais condições e possibilidades futuras (BUSCAGLIA apud SOUZA e MADUREIRA in ANDE, 2001). Santos (1997) coloca que as famílias com maior poder aquisitivo tendem a envergonhar-se mais do filho devido às expectativas de um bom desempenho. Assim elas investem mais na estimulação precoce e no acompanhamento médico. Eles também dão ênfase no desenvolvimento do senso de responsabilidade e às aquisições de conhecimento individual. A integração entre as famílias de portadores de necessidades especiais pode se dar através dos locais freqüentados por estes como: fonoaudiólogo, fisioterapeuta, escolas especiais, oficinas protegidas, natação, equoterapia, etc. Nestes encontros há a troca de experiência que pode auxiliar a aliviar angústias pois podendo compartilhar as dificuldades, temores e dúvidas sobre o familiar especial, assim algum conforto é obtido. Freire (1999), ressalta que a família reage de duas maneiras distintas, ou ela superprotege a criança, ou ela a desqualifica. Esta última, provoca uma redução das possibilidades e perspectivas de futuro que tendem a aumentar o grau de dependência. esta forma o feedback negativo se cria fechando um círculo vicioso e patológico. Na equoterapia, ao introduzir o cavalo este forma uma triangulação (praticante- cavalo-pais) que permite à família a visualizar o deficiente como separado dela e assim descobre-se capacidades não percebidas deste indivíduo. Redefinir as relações familiares auxilia na adequação dos comportamentos por parte do deficiente pois o círculo vicioso patológico pode ser interrompido. De acordo com Gavarini apud Freire (1999), a equoterapia favorece a integração social pois estimula o contato com outros praticantes, com seus familiares, com a equipe e com o animal. Desta forma aproxima o deficiente da sociedade a qual ele faz parte. O espaço da Equoterapia é visto pelas famílias como um local que vai além de uma terapia para seus filhos, é uma possibilidade de conviver junto à natureza que facilita as relações interpessoais. Geralmente as mães e acompanhantes terapêuticos são as pessoas que permanecem como praticante durante suas atividades semanais. No CEPA há atividade aos Sábados pela manhã, então percebemos uma maior participação do pai nas atividades. Conclusão : São diversas as dificuldades enfrentadas pelos PNE, deficientes e/ou doentes mentais e seus familiares de se relacionarem socialmente. Além das barreiras físicas (rampas de acesso), as barreiras do preconceito dificultam sua integração em sociedade. A possibilidade desta integração ocorrer dentro de um Centro de Equoterapia reforça o papel de psicólogo frente a esta realidade. Percebemos que nos finais de semana ocorre a participação dos demais integrantes da família (pais, irmãos, avós, primos e amigos da escola). Nesta ocasião, há interação entre familiares e equipe, criando a oportunidade de trocas de experiência, de saberes e de sentimentos ratificando ser este um espaço para a atuação da Psicologia Comunitária. O psicólogo é o profissional preparado para esclarecer aos outros profissionais da equipe o que se passa com a família e com o praticante que é atendido, permitindo a otimização da dinâmica interdisciplinar. Para os praticantes a possibilidade de trabalhar com os cavalos os faz sentir úteis e mais responsáveis contribuindo assim para sua inserção na sociedade. Isto o integra socialmente e o faz reconhecer-se como indivíduo. Desta forma, a Psicologia Social Comunitária tem o seu papel de ampliar esta consciência com o auxílio da Equoterapia que é um espaço facilitador de relações sociais e interpessoais igualitárias.
Renata de Souza Zamo : Psicologa e Instrutora de equitação do CEPA -Centro de Equoterapia Porto Alegre

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Contribuições da Equoterapia na atuação Psicopedagógica

Introdução : A importância histórica do cavalo no processo da evolução humana é inegável. Ao longo dos tempos ele foi utilizado como meio de trabalho, lazer, esporte e tantos outros. Atualmente, este animal, com tantas virtudes e qualidades, vem se destacando como agente de reabilitação e educação no tratamento de pessoas com necessidades educativas especiais, dando origem à equoterapia. Cirillo (apud FREIRE, 1999) define a equoterapia como um método de reeducação e reabilitação motora e mental, através da prática de atividades eqüestres e técnicas de equitação. O autor entende que o tratamento ocorre tanto no plano educativo pedagógico, reeducando, quanto no plano físico e psíquico, de terapia propriamente dita. Na relação com o cavalo, além do favorecimento de uma interação afetiva, o praticante encontra subsídios para sua reeducação, reabilitação e finalmente um novo tipo de educação. Para Lallery (1988) a equitação terapêutica consiste numa terapia psico-corporal do indivíduo em todo o seu SER, tendo como objetivo levá-lo a uma autonomia motora e psicológica, a uma adaptação com independência e a descobrir que o viver pode se realizar com prazer e não somente com repressão e sofrimento. A inteligência, segundo Bossa e Oliveira (1997), constrói-se através da organização do vivido, num contínuo vaivém, num recomeçar incessante. Para Rocha (1999), o desenvolvimento intelectual é o processo pelo qual as estruturas da inteligência se constróem progressivamente, por meio de uma contínua interação entre o sujeito e o meio externo. Durante esta interação, cada vez que a estrutura apresenta-se insuficiente para resolver um dado problema, o indivíduo tem que ampliá-la e torná-la mais evoluída para restabelecer o equilíbrio. A aprendizagem inicia-se com a vida e com ela se desenvolve. A passagem da ação à representação dá-se através de um fazer prático e interessante que, pouco a pouco, ao ir organizando o contexto vivido, vai internalizando a ação. É, portanto, uma atividade criativa por natureza, de descoberta e de invenção de novos meios para reorganizar a realidade por meio da qual o indivíduo se conduz ao conhecimento. Todo ser humano possui talentos que podem ser explorados e que funcionam como estímulos para vencer suas próprias limitações. Para tanto, é necessário um ambiente altamente estimulante, reforçador, prazeroso e exigente para que passo a passo este processo se efetive, em particular no caso de crianças com disfunções do desenvolvimento neurológico, cuja capacidade para entender os conceitos básicos das habilidades cognitivas varia consideravelmente. A equoterapia apresenta-se, assim, como a possibilidade de um trabalho compromissado, de fortalecimento da auto-estima, que leva a pessoa a se motivar e a participar mais efetivamente do processo terapêutico. Conviver com o cavalo ensina a criança a tornar-se mais atenta e a praticar a auto-análise para enfrentar suas dificuldades. Partindo do princípio de que toda criança possui potencial para o aprendizado, foi desenvolvido um programa de trabalho individual e em grupo de acordo com as necessidades específicas de cada praticante. O objetivo da equoterapia é proporcionar ao praticante um desenvolvimento global de seu ser, bem como sua integração na sociedade, respeitando suas limitações e observando seu potencial de desenvolvimento – objetivo comum ao da Associação Nacional de Equoterapia: “aprender a aprender”.A Equoterapia na Ação Pedagógica : De acordo com Severo (1999) para se entender os benefícios da equoterapia no ser humano e, principalmente, na criança, há necessidade de se estabelecer, a princípio que o ser humano é um produto filogenético, ontogenético e cultural, sendo o sistema nervoso, os estados psicológicos e as situações sociais os grandes responsáveis pela aprendizagem e pelos desempenhos comportamentais. Medeiros e Dias (2002) entendem que o sistema nervoso central é um órgão de reação ao invés de ação; reage aos estímulos que para ele convergem a partir de fora e de dentro do corpo. A função mais importante do sistema nervoso central é sua capacidade de inibir a atividade “incoordenada” ou indesejada e facilitar as funções utilitárias simultaneamente, para assim tornar possível o armazenamento de informações, ou seja, a capacidade de aprender. Os fatores psicomotores distribuídos pelas unidades funcionais, de acordo com Luria (1961), são apresentados como circuitos dinâmicos autoregulados, construídos segundo o princípio da organização vertical de estruturas do cérebro e dependentes de uma hierarquização funcional e afetiva, que ocorre em todo o desenvolvimento da criança. Segundo Severo (1999), que aborda em seus estudos as unidades funcionais descritas por Luria (1961), a primeira unidade funcional do encéfalo compreende, entre outras funções, a tonicidade, o equilíbrio e a coordenação (tronco cerebral e cerebelo). A atenção é importante coadjuvante de todas as aprendizagens, junto às necessidades e aos interesses. A segunda unidade funcional estabelecida por Luria (1961) compreende, entre outros, os seguintes fatores psicomotores (estados sensitivos): lateralização, esquema corporal e estruturação espaçotemporal. A outra unidade funcional (a terceira estabelecida por Luria) integra os outros fatores psicomotores: praxia global e praxia fina (o saber fazer). Severo (1999) enfatiza que, nas duas primeiras unidades funcionais, as crianças não apresentam dificuldades de aprendizagem, embora, na segunda, elas possam apresentar discretas dificuldades psicomotoras em algumas realizações. No terceiro perfil, estarão as crianças com dificuldades de aprendizagem leves, traduzindo já a presença de um ou mais sinais de atraso no desenvolvimento neuro-evolutivo. Elas realizam tarefas com dificuldades, mas não podem ser rotuladas como deficientes. Necessitam, apenas, de atendimento especializado na área da psicopedagogia. O autor diz ainda que há pelo menos três conceitos envolvidos no desenvolvimento humano: a psicomotricidade, as relações cérebrolinguagem e as relações cérebro-comportamento. Por isso é essencial que, antes da aplicação de qualquer terapia, haja um grupo de pessoas especializadas nos diversos componentes neuropsicológicos e psicopedagógicos para avaliar uma criança com dificuldades de aprendizagem e indicar a terapia mais coerente para cada uma. Nessas avaliações psicopedagógicas, a relação de fatores que influenciam o aprendizado pode ser muito eficaz na observação de problemas: de atenção, de motivação, de necessidade, de percepção, de memória, de ordem psicológica (afetivo-emocional), de cognição, de psicolinguagem, de psicomotricidade e de motricidade. Shkedi (1997) afirma que as habilidades escolares básicas referemse à linguagem e ao pensamento. Montar a cavalo auxilia na aquisição dessas habilidades e na elaboração de pensamento coerente, as quais requerem o uso de ambos os hemisférios cerebrais. Segundo a autora, é a motivação para cavalgar que estimula a criança a progredir com ordens e seqüências espaciais e temporais. Ou seja, montar ajuda a criança que apresenta dificuldades de aprendizagem. Educar é ajudar o ser humano, com os princípios e os fundamentos do ensino e da aprendizagem, informal e formal, na família e na sociedade, a transformar-se pelo crescimento e pelo desenvolvimento biopsicossocial em um cidadão com liberdade, felicidade e paz (HORNE, 1996). A equoterapia pode apoiar a educação de crianças com dificuldades de aprendizagem, deficiências físicas e/ou mentais, com condutas sociais atípicas e com altas habilidades. A professora Tereza Isoni (1996) afirma que a equoterapia facilita a organização do esquema corporal; facilita a aquisição do esquema espacial; desenvolve a estrutura temporal; aguça o raciocínio e o sentido de realidade; desperta uma profunda comunhão criança-realidade; proporciona e facilita a aprendizagem da leitura, da escrita e do raciocínio matemático; aumenta a cooperação e a solidariedade; minimiza os distúrbios comportamentais; promove a auto-estima, a auto imagem e a segurança; facilita e acelera os processos de aprendizagem. Conforme Shkedi (1997), os terapeutas podem promover excelentes oportunidades, durante as sessões de equoterapia, para que crianças com deficiência de atenção ou distraídas focalizem, concentrem-se, aumentem a motivação e alcancem um nível no qual o progresso de aprendizagem seja notável em todas as áreas das funções psiconeurológicas. Enfatiza a autora que cavalgar auxilia as crianças com disfunções da memória, porque exige planejar e criar estratégias, que são progressivamente memorizadas. Isto não é fácil de ser executado e é necessário prender pela repetição, memorizar e, pela cuidadosa explanação, completar tarefas cotidianas. Desenvolvimento e Resultados da Experiência com Equoterapia :A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo comoinstrumento. O atendimento de equoterapia é realizado no Centro de Equoterapia Marisa Tupan – EQUUS, em Maringá-PR com atendimento a crianças, adolescentes e adultos, desde 1996. As pessoas que são encaminhadas ao atendimento de equoterapia, num primeiro momento são submetidas a uma avaliação com uma equipe interdisciplinar: neurologista, psicólogo, psicopedagogo, fisioterapeuta e fonoaudiólogo. Em seguida faz-se estudo do caso e, se indicado o atendimento, o profissional elabora um programa de atuação terapêutica a ser realizado. O atendimento ocorre uma vez por semana com duração de 50 minutos, com sessões individuais ou em grupos. Existe um espaço coberto e um aberto para diversificar o atendimento e fazer com que o praticante receba luz solar e tenha contato direto com a natureza. No início do atendimento o praticante é estimulado a manter contato com o animal, escovando-o, dando banho, alimentando-o, solicitando-se também a execução de atividades que envolvam o manuseio de materiais didáticos diversificados, como brinquedos, letras do alfabeto, formas geométricas, numerais e outros. Os materiais são de plástico e emborrachados imantados para que possam aderir aos painéis de chapas galvanizadas. Pode-se afirmar que os resultados do trabalho com o cavalo vão além do movimento tridimensional, repercutindo também no desenvolvimento das funções psicológicas e cognitivas. Durante todo o período de existência do Centro de Equoterapia Marisa Tupan (EQUUS), constatou-se que todos os praticantes apresentaram significativa evolução, tanto no contexto escolar e social quanto no domiciliar. O cavalo pode ser um ativador da atenção, intenção e iniciativa, tanto da criança como dos terapeutas. A equoterapia pode desenvolver a responsabilidade de forma equilibrada, melhorando a auto estima e a independência por meio de orientações recebidas em cima do animal, no momento da própria terapia, induzindo a uma aprendizagem significativa e prazerosa. Conclusão : O trabalho de equoterapia que vem sendo desenvolvido pode atingir pessoas com vários tipos de distúrbios e ou deficiências. Constata-se que o praticante melhora consideravelmente suas habilidades de orientação espacial, equilíbrio, lateralidade, comunicação, compreensão de leitura, escrita, raciocínio lógico, memória, tem ganhos físicos que favorecem a sensibilidade, a percepção do esquema natural, entre outros. Destaca-se também o aumento da atenção e de motivação diante das dificuldades de aprendizagem e o aumento da auto estima, proporcionando um sentimento de pertencer a um meio escolar acolhedor e importante para o indivíduo. “Onde não existir afeto de fato não há relação humana possível” (RISKALLA, 2002).

Marcia Regina de Sousa Storer - Mestranda em Distúrbios do Desenvolvimento – Psicopedagoga e Terapeuta do Centro Integrado São Leopoldo , Marcia Regina Volpato de Oliveira - Psicopedagoga e Terapeuta doCentro Integrado São Leopoldo , Marisa Cordeiro Tupan - Fisioterapeuta – Coordenadora do Centro de Equoterapia Marisa Tupan – Terapeuta da Clínica de Fisioterapia Especializada Pró-Fisio Maringá-PR

A Equoterapia no Ponto de Vista Psicológico

O cavalo hoje é grande destaque como instrumento de reabilitação e educação. Este se transforma em um personagem na vida da criança, do praticante, passando então a ser um ponto de contato sedutor com o mundo que o rodeia. A equoterapia não consiste apenas em exercícios de estimulação neuromuscular, visto tratar-se de um método terapêutico que envolve o ser humano por completo. Paciente e cavalo participam ativos dos exercícios. E a equipe formada por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos, instrutores de equitação, são fundamentais para conduzir e levar a bom termo a terapia ao longo do tempo. Cabe ao psicólogo conhecer todos esses profissionais que estarão trabalhando juntos de forma interdisciplinar, como o cavalo, o praticante, e todo o material empregado nas técnicas e exercícios utilizados na equoterapia. Cabe a ele conhecer também o praticante, assim identificando suas limitações e potencialidades, além de conhecer muito bem o cavalo, suas características, para obter uma visão precisa das coisas possíveis dentro do tratamento. A interação de toda a equipe permite que cada um entenda a abordagem de seu colega, possibilitando assim um trabalho associado. Toda a harmonia em equipe é muito importante, principal objetivo da atuação interdisciplinar. O psicólogo ajuda na desenvoltura da equipe, com reuniões também, para haver essa harmonia entre todos e obter um ótimo resultado no trabalho. O cavalo, como objeto intermediador, é a ligação entre o praticante e o terapeuta, entre o praticante e o adulto, etc. Aquilo que o praticante não pode vivenciar, no contato com o cavalo ele irá aprender integrar-se e utilizar na sua estrutura, na sua evolução psicossomática, melhorando a sua autonomia, independência, auto-estima, auto-confiança, objetivos dos terapeutas para com seus praticantes. O cavalo é o ser da confiança e da troca afetiva e corporal; ele dá matéria à nossa busca de identidade. Ele permanece um ser que deve ser cativado e cuja dominação passa, através dele, pela auto- estima de si mesmo. Toda a evocação do cavalo, animal-símbolo, remete a noções culturais profundamente interiorizadas. Ele se torna o nosso outro eu, objeto de nossas projeções, uma resposta viva a nossos comportamentos. Vimos o cavalo como algo que gostaríamos que ele desse para nós ou depositamos nele nossas vontades. A intensidade das sensações e das emoções provocadas pela abordagem do cavalo, conduzem o indivíduo a um confronto consigo mesmo, que é corporal e psico-afetivo ao mesmo tempo. A nosso ver, o cavalo, fonte de emoções, é a própria essência do expressivo. E, através das vibrações corporais que o corpo registra, o cavaleiro vive uma experiência que remete diretamente à sua vivência interior, assim, desabrochando, criando e realizando seu próprio bem-estar, pelo viés do cavalo, este seu outro eu. O psicólogo, trabalha o aqui-agora, o presente, sem ficar muito preocupado em achar um culpado para tal situação, claro que não iremos ignorar o passado e toda a história de vida do praticante, como também todo o histórico familiar. Não só o psicólogo mas como toda a equipe deve sempre estar atentos quanto aos comportamentos que o praticante irá apresentar, pois este nos dá valiosas informações para podermos dar seqüência e andamento no tratamento, como também o que esperamos dele no futuro(estratégia). O próprio ambiente da equoterapia irá propiciar ao praticante uma profunda comunhão entre praticante-ambiente, isto é, a natureza. Na equoterapia, não se consegue separar as funções de cada terapeuta, pois todos trabalham em equipe e claro que todos precisam obter o conhecimento de todas as áreas, para se obter uma terapia adequada em todos os programas de equoterapia ( hipoterapia,educação/reeducação, pré-esportivo). E dentro da equoterapia, esta facilita a organização do esquema corporal, a aquisição do esquema espacial; desenvolve a estrutura temporal; aguça o raciocínio e o sentido de realidade; desperta uma profunda comunhão criança-realidade; proporciona e facilita a aprendizagem da leitura, da escrita, e do raciocínio matemático; aumenta a cooperação e a solidariedade; minimiza os distúrbios comportamentais; promove a auto-estima, a auto-imagem e a segurança, também facilita e acelera os processos de aprendizagem. Todo o vínculo cavalo-cavaleiro, estabelecido desde as primeiras sessões desenvolve a afetividade, com isso obtendo-se um ganho geral de auto-confiança e auto-estima, sendo assim há um melhoramento nos outros aspectos como o senso de limite e responsabilidade, o relacionamento interpessoal e casos de timidez, retração, hoperatividade, doenças de humor e depressão, entre outras deficiências apresentam sensível progresso. Os resultados obtidos na psicologia através da equoterapia se deve ao diferencial de utilizar o animal, o que permite trabalhar mais o afeto, autonomia do ir e vir. Toda a sensação de liberdade , de se locomover é fundamental, além disso há o ganho físico proporcionado pelo movimento do cavalo e além do ganho emocional. A confiança obtida na equoterapia permite acelerar o processo de desenvolvimento de potencialidades, responsável pela integração social e pessoal do portador de deficiências ou dificuldades. Toda a prática equestre favorece ainda uma sadia sociabilidade, uma vez que integra o praticante, o cavalo e os profissionais envolvidos. O psicólogo poderá fazer orientações aos pais ou responsáveis pelo praticante, como reuniões, já que estes apresentam muitas dúvidas e expectativas sobre o trabalho. A equoterapia contribui de forma prazerosa para a aplicação de exercícios de coordenação motora, agilidade, flexibilidade, ritmo, concentração e lateralidade. Desenvolve a sensibilidade física e psíquica, na medida em que exige a constante percepção e reação frente a diversos estímulos. Assim, resultando em maior harmonia e equilíbrio físico e psíquico.

Thaís Rocha Brentegani
http://www.profala.com/artet11.htm

Importância da Psicologia do Esporte na Equitação

Introdução : Os primeiros momentos que antecedem qualquer competição esportiva são o bastante para fazer o coração de qualquer atleta bater mais forte. A ansiedade é um estado emocional negativo com sentimentos de nervosismo, preocupação e apreensão São vários os fatores que influenciam na ansiedade e na tensão competitiva que foram observados e estudados neste trabalho. Alguns sinais como batimentos cardíacos alterados, respiração, mãos frias e úmidas, necessidade de urinar freqüentemente, sudorese, diálogo interior negativo, olhar aturdido, tensão muscular aumentada, estomago embrulhado, indisposição, dor de cabeça , alguns destes sintomas foram observados no dia da competição.Quais os motivos que desencadeiam este estado emocional e como o psicólogo do esporte poderá atuar neste esporte.Metodologia : Os métodos utilizados foram de observação, questionamento e investigação de alguns dos meios externos relacionados à postura dos iniciantes. Foram feitas pesquisas de campo por meio de acompanhamento de seis indivíduos com idade entre 10 e 13 anos,cinco do sexo feminino e um do masculino que iriam competir em uma prova hípica pela primeira vez e tinham no mínimo um mês de experiência na escola de equitação. Este grupo foi observado no treinamento e nas competições hípicas. Foram feitas entrevistas com os pais, instrutores e com os próprios atletas.Para medir a freqüência cardíaca do grupo foram utilizados monitores marca(POLAR A3 )foram medidos em repouso, em treinamento e na competição. Ainda foi procedida pesquisa bibliográfica, uma vez que o assunto tem pouquíssimo material disponível no que se refere a psicologia do esporte aplicada a equitação. Resultados : Na observação realizada medindo a frequência cardíaca das crianças no paddock (logo antes de entrarem na pista de competição) e na avaliação através de observação dos sintomas gerais de ansiedade, pudemos perceber que ao montar para participar de uma prova o nível de ansiedade dos pesquisados já estava alterado.Os resultados de todos os pesquisados demonstrou em média um aumento de 30bpm(batimentos por minuto)da freqüência cardíaca de repouso para a freqüência no paddock, e de 70bpm para a freqüência cardíaca ao terminar a prova. Por conta dos questionários e observações e nos treinos e mesmo nas prova, verificamos ainda que os pais têm um papel muito grande no desempenho de seus filhos. Talvez mais do que os instrutores. Suas atitudes e comportamentos têm efeitos muito importantes, tanto positiva como negativamente. Portanto, segundo (Weiberg e Gold), a participação bem sucedida dos pais no esporte pode ser difícil, mas vale a pena. Foi extremamente eloqüente o resultado de nossa observação, onde o sujeito que tinha os pais de perfil psicológico mais calmo, sem demonstrar nervosismo, preocupação excessiva e ansiedade , apresentou os melhores resultados entre as crianças observadas, enquanto que o sujeito que tinha os pais com maiores alterações teve a pior performance entre todos os pesquisados. Em treinamento e competição, todos os cavaleiros estão sujeitos a ansiedade e stress, e possivelmente aqueles que melhor sabem lidar com isto são aqueles que conseguem as melhores classificações. Portanto a Psicologia do Esporte torna-se praticável na Equitação a partir do momento que poderá criar para os cavaleiros numerosas oportunidades para mudar seus antigos hábitos e atitudes, de perceber o que compromete sua performance ou o divertimento no esporte. Oferece aos cavaleiros uma variedade de formas que irão melhorar sua confiança, competência e auto-controle. Pode-se trabalhar individualmente cada cavaleiro, treinador e seus pais e criar rotinas individuais para cada um deles dentro de suas necessidades. A Psicologia do Esporte poderá ajudar no controle do temperamento das pessoas quando intenso demais e ensinar os praticantes a se divertirem. Se divertir no processo de montar em
vez de se preocupar exclusivamente em ganhar, pois a preocupação em ganhar interfere com o prazer de montar. Os pais devem entender que o mais importante ao iniciar seus filhos na vida esportiva – em qualquer esporte que seja - é saber o bem que isso pode fazer à criança em um todo, independentemente de vitórias ou troféus. Além disso, a prática de esportes desde a infância traz benefícios para toda a vida e ensina a criança que o resultado só depende dela. Elas aprendem a lidar de frente com as alegrias e decepções que podem acontecer a cada competição. O esporte é uma fonte rica em relacionamentos e ótimo para a saúde física e mental. Na Equitação, além do cavalo e cavaleiro, muitas pessoas estão envolvidas em uma competição: amigos, familiares, treinadores, público etc., o que acaba gerando um alto nível de expectativa ao redor do competidor. A expectativa de obter o reconhecimento pela sua equitação, a tentativa de agradar e formar opiniões positivas, a expectativa de ganhar a prova ou mesmo a expectativa de cair do cavalo. O cavaleiro mal treinado, pouco confiante, com pais ansiosos e com pouca interação com seu treinador terá certamente sua performance afetada e a cada resultado negativo a expectativa e a pressão serão maiores, gerando um efeito “bola de neve” que poderá acabar culminando com a desistência do esporte. Discussões e Conclusões :Pudemos concluir que através de experiências esportivas positivas como a auto-percepção, a motivação, o prazer na atividade, atitudes positivas em prol dos valores da atividade física per si, capacidade de lidar com a ansiedade, e atitudes esportivas formam o âmago das características que supre as justificativas do esporte competitivo (Wiggins,1987). Pude concluir que as crianças entram no esporte para divertir-se e a partir do momento que se iniciam nas competições um dos fatores que mais influência no aumento de seu nível de ansiedade são as manifestações das pessoas que estão ao seu redor, suas atitudes e comportamentos irão interferir de maneira intensa no esporte. Temos que ter em mente que diversão mais prazer geram resultados satisfatórios.As escolas de equitação muito podem fazer para contribuir para a iniciação esportiva destas crianças trabalhando em conjunto com profissionais da área de psicologia do esporte e os mesmos atuando como consultores na prática da equitação, trabalhando em conjunto com instrutores e todos os envolvidos no esporte.
Busato, A.¹, Catenaci, U.², Culpi, F. S. ³; .Furquim, S. 4
1 Orientador do Projeto
2 Acadêmico do Curso de Ciências Eqüinas
3 Co-orientador
4 Colaborador
Curso de Ciências Eqüinas Pontifícia Universidade Católica do Paraná

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Fundamentos da Psicologia do Esporte aplicados ao Hipismo

Assim como outros animais, o cavalo teve seu processo evolutivo ligado à necessidade de adaptação para sobrevivência em seu meio. Seus caracteres físicos e padrões comportamentais o definem historicamente como “animal presa”. Seus tradicionais predadores são os carnívoros de grande porte de diferentes espécies. Seus órgãos dos sentidos especializaram-se na detecção de sinais de proximidade do inimigo e seu aparelho locomotor adquiriu excepcional mecânica para desenvolvimento de velocidade, tipificando-o como animal “fugidio”. A compreensão do funcionamento desses sistemas é fundamental para o alcance de bons resultados nas competições de hipismo. Assim, preferindo a fuga ao confronto com o inimigo, os eqüinos têm, na visão, no olfato e na audição, seus principais, rápidos e eficientes meios de percepção do perigo, responsáveis pelo acionamento de seus mecanismos de defesa (morder,manotear ou coicear e/ou fugir). A visão do cavalo é peculiar e seu primário detector de ameaças. O formato dos olhos, a distância entre eles e sua localização, o permitem enxergar de duas formas diferentes, a monocular e a binocular, abrangendo um campo de visão de quase 360 graus na horizontal (com uma área de visão nula atrás e um ponto cego imediatamente à frente dos olhos) e 180 graus na vertical. A despeito dessa amplitude, não conseguem enxergar com nitidez em todas as direções e distâncias, mas são extremamente sensíveis a variações e movimentos muitas vezes não perceptíveis ao homem, assustando-se com facilidade. Na busca de melhor ângulo visual, movimenta a cabeça para ajustar o foco, que é muito prejudicado em distâncias inferiores a 1.20m-1.30m (elevando a cabeça para ver objetos próximos e abaixando para enxergar objetos distantes).Com relação ao olfato dos eqüinos, sabe-se que seu tecido epitelial abrange área superior a 100 vezes a média do mesmo tecido encontrada nos humanos. Sua grande sensibilidade é usada para localizar e selecionar alimentos, para identificarem-se uns aos outros, bem como na percepção da hostilidade ou amigabilidade de outras espécies. Cavalos parecem, em geral, distinguir com facilidade feronômios e odores considerados ameaçadores em geral (como adrenalina, por exemplo), o que normalmente os deixa excitados e difíceis de controlar. O sentido da audição nos cavalos é particularmente bem desenvolvido e os auxilia tanto na detecção de predadores como na comunicação com membros do rebanho. É também uma excelente ferramenta para auxiliar no processo de treinamento do cavalo-atleta. Suas orelhas, localizadas no alto da cabeça,movem-se em quase todas as direções, permitindo-os dirigi-las diretamente à fonte emissora de sons. A detecção de ruídos não familiares, em geral pode amedrontá-los e produzir reações de fuga ou aparente rebeldia.Pesquisas desenvolvidas na Univers. de Nevada (Reno - USA) concluíram que o sistema auditivo nos eqüinos é mais sensível a sons de alta freqüência, enquanto Burton F. (em Ultimate Horse Care, publicado por Ringpress Books, 1999) acrescenta que nas freqüências médias (entre 2KHz e 4KHz) a capacidade de discriminação de variações em tons e alturas é otimizada. É também de capital importância na prática dos esportes hípicos, oconhecimento de alguns aspectos da percepção tátil dos cavalos, uma vez que, nas competições, o principal meio de comunicação usado pelos cavaleiros é a transmissão de sinais através de suas pernas, mãos e assento. Esses sinais são chamados de “ajudas” e, utilizados corretamente, podem fazer o animal mover-se nos três andamentos básicos (passo, trote e galope), parar, mudar de direção, saltar obstáculos e executar exercícios atléticos em geral, da mesma forma que seu uso inadequado possivelmente gera reações negativas, movimentos não desejados, desequilíbrio, perda de sensibilidade e, inevitáveis penalizações nos concursos.Outra relevante característica comportamental dos cavalos é sua alta sociabilidade , visto que, originalmente, viviam em ebanhos com dominação hierárquica claramente estabelecida. Animais submissos em sua maioria,parecem aceitar facilmente o homem como seu líder, desde que este o trate com respeito e lhe transmita confiança.

Interações Psicológicas entre Cavalo e Cavaleiro

Os principais estudos sobre aprendizagem e adestramento de animais da espécie eqüina baseiam-se em teorias de “reforço-estímulo-resposta” (tentativa e erro). Embora a grande maioria dos treinadores e cavaleiros continue aplicando predominanantemente reforços negativos (chicote, esporas, embocaduras) para alcançar seus objetivos atléticos, as pesquisas apontam para a maior eficiência da prática da recompensa (ou reforço positivo) pelas respostas corretas. Ignorar respostas não desejadas também conduz a melhores resultados do que aplicar punições, visto que estas geram desconfiança e medo.Tais procedimentos, normalmente levam à diminuição dos erros e até à sua quase extinção. Dada a dificuldade de utilização dos chamados reforços positivos primários durante o cavalgar, pode-se aplicar técnicas de associaçãodestes com estímulos tácteis ou verbais (por exemplo, repetir determinado som ao alimentar o animal). Os reforços devem ser aplicados durante ou imediatamente após a ocorrência da resposta desejada (um bom salto, por exemplo), caso contrário o estímulo poderá reforçar a atitude seguinte (por exemplo, o descanso após um percurso de saltos bem sucedido). Por essa razão a utilização da “gratificação sonora” é, geralmente, mais viável do que a táctil (o tradicional tapinha no pescoço). Deve-se também observar que a freqüência variável de administração de reforços mostra-se mais eficiente que a sua aplicação continuada. Por outro lado, o grau de dificuldade dos exercícios propostos deve ser progressivo e parcimonioso, a fim de não gerar grande incidência de respostas negativas nem provocar acidentes, o que geralmente induz o animal à perda confiança e o conseqüente descrédito do treinador ou cavaleiro como seu “líder”. Outra prática bastante comum que deve ser evitada é a de realizar sessões únicas diárias de treinamento de longa duração, pois a freqüência de boas respostas diminui proporcionalmente ao aparecimento de sinais de cansaço do animal (e também do cavaleiro), assim como longos períodos de permanência em confinamento (na cocheira, por exemplo) levam ao desenvolvimento de taras e vícios indesejáveis (coicear as paredes, morder e “engolir ar”, manotear o chão, por exemplo).Com relação ao cavaleiro e/ou treinador, há alguns aspectos relevantes a considerar: As chamadas “ajudas”, de mãos, pernas e assento são os principais meios de comunicação com o cavalo e devem ser claras, precisas, consistentes e transmitir propostas de execução viável, para não gerar dúvidas, insegurança ou reações adversas;Ao aplicar tais “ajudas”, o cavaleiro freqüentemente provoca desconfortos (ou até dor e ferimentos) nos sensíveis pontos de contacto com o cavalo, especialmente a boca e os flancos, logo, estas devem ter a intensidade apenas necessária para produzir o efeito desejado e aliviadas imediatamente após, a fim de produzir o efeito de reforço positivo da atitude do animal e levá-lo ao entendimento da tarefa; A ansiedade e as tensões do cavaleiro são imediatamente percebidas pelo cavalo através do olfato (a descarga de adrenalina, por exemplo, o faz sentir-se na iminência de ataque) e do tato (a rigidez da parte superior do tronco passa pelos braços e mãos do cavaleiro e atinge a boca do cavalo, bem como a instabilidade das pernas faz com que as esporas agridam seus flancos), transmitindo-lhe intranqüilidade e medo; Por ocasião de concursos, com o incremento da tensão do cavaleiro (pela situação de competição) e do cavalo (pela presença de elementos estranhos ao seu “rebanho”, ocorrência de ruídos e alterações no campo visual), maximizam-se os efeitos negativos (que interagem entre cavalo e cavaleiro), com conseqüente e significativa queda no desempenho do conjunto. O desempenho dos conjuntos cavaleiro/cavalo nos esportes hípicos depende da compreensão de múltiplos fatores que vão muito além das características biomecânicas específicas de cada modalidade, entre os quais destaca-se a íntima relação psicológica entre dois atletas de diferentes constituições físicas e mentais, empenhados num mesmo objetivo, dirigidos porém, pela vontade de apenas um deles; Ainda pouco utilizada no meio hípico, a Psicologia do Esporte pode ser de grande utilidade no aprimoramento qualitativo do relacionamento cavaleiro/cavalo, seguindo-se o tão desejado aumento do rendimento em competições; As técnicas de treinamento de habilidades psicológicas mais recomendadas para atletas de hipismo são as de controle de respiração e de relaxamento progressivo (para redução de ansiedade) e as de mentalização (para controle de adversidades e melhora de concentração), enquanto para cavalos com distúrbios comportamentais, utiliza-se com sucesso técnicas de dessenssibilização pós-traumática;A abordagem do especialista em Psicologia do Esporte pode ser feita de forma direta ou através do treinador, mas deve sempre considerar o conjunto cavaleiro-cavalo, as peculiaridades de cada um e as relações entre eles. Os instrutores devem considerar, ainda, as técnicas de “feedback” positivo, ao se relacionar com alunos cavaleiros.