Exaustão é uma síndrome caracterizada por transtornos físicos e mentais, desencadeados por exercícios físicos intensos em condições de calor e umidade elevados, ocorrendo devido uma sobrecarga ou falha no sistema de termorregulação eqüina. Durante a atividade física, em condições de temperatura e umidade elevadas, a termorregulação fica comprometida e o organismo eqüino apresenta dificuldades para conseguir eliminar o calor gerado pela musculatura exercitada, acrescido do calor ambiente. Quanto maior forem a temperatura e a umidade ambiente, menor será a perda de calor. Dois mecanismos são utilizados pelo cavalo para promover a termorregulação:1 – Sudorese:A sudorese realizada pela pele, como no homem, trata-se do principal mecanismo. A eficiência da termorregulação eqüina através do suor dependerá da sua evaporação, a qual se tornará diminuída ou impedida se o ar estiver saturado de umidade.2- Ventilação: Durante a inspiração, parte do calor corpóreo é transmitido da mucosa do trato respiratório superior para o ar, que ao chegar aos alvéolos é saturado com vapor de água. Na expiração parte desse calor volta para a mucosa e ocorre uma porcentagem de condensação da água. A diferença entre o calor transferido para o ar inspirado e o calor transferido de volta para as mucosas é o resultado da perda de calor pelo trato respiratório. Quando corridas de cavalos, provas de enduro ou provas de fundo do Concurso Completo de Equitação são realizadas em climas extremamente quentes, aumentam concomitantemente as demandas de energia e irrigação sanguínea para a musculatura continuar a se exercitar, e para a pele promover a troca calórica. Para tanto, o sistema cardiovascular aumenta o seu trabalho, elevando a freqüência cardíaca e o volume sanguíneo ejetado pelo coração. Caso a perda de água e eletrólitos (sais orgânicos) através do suor for intensa, ou o cavalo apresentar-se levemente desidratado anterior a competição, o volume de sangue a ser movido pelo coração estará diminuído, a pressão arterial sofrerá queda e em resposta o coração irá trabalhar mais intensamente. Com a diminuição do volume sanguíneo, o fluxo para a pele estará diminuído, assim como a sudorese, prejudicando a termorregulação; além disso, menor quantidade de substratos energéticos chegarão à musculatura e ao sistema nervoso central podendo levar ao colapso e morte. Devido à deficiência na termorregulação, ocorrerá a hipertermia (aumento da temperatura corporal), a qual terá efeitos avassaladores sobre todos os tecidos orgânicos, principalmente, cérebro, coração, vasos sanguíneos, rins, fígado, pulmões e musculatura esquelética. O rápido reconhecimento e o tratamento da condição reduzem a severidade da síndrome de exaustão. Os animais afetados apresentam sinais de stress, fadiga significativa, desidratação, e elevação persistente da freqüência cardíaca e respiratória. Nos animais com bom condicionamento físico e boa função do sistema termorregulatório, após um período de repouso de 30 minutos, a freqüência cardíaca deve baixar para menos de 55 batimentos por minuto, a respiratória para 25 movimentos respiratórios por minuto e a temperatura corporal para menos de 39,5° C. Qualquer animal que apresente uma elevação significativa e persistente da freqüência cardíaca e respiratória, ou da temperatura retal, não deve continuar o exercício ao qual estava sendo submetido. Estes animais devem receber pequenas quantidades de água fresca, em intervalos freqüentes, e permitido o acesso a uma comida palatável, além disso, devem ser observados de perto até a sua completa recuperação. Cavalos que apresentarem uma elevação marcante da temperatura retal (maior que 40,5°C) devem ser resfriados o mais rápido possível. Banhos de mangueira com água fria sob a briza natural em um ambiente aberto auxiliam na perda de calor por convecção e evaporação. Atenção especial deve ser dada no resfriamento da cabeça, do pescoço e de grandes vasos subcutâneos entre os membros posteriores. Enemas com água fria e administração de fluidos via sonda nasogástrica também auxiliam na diminuição da temperatura corpórea. A fluidoterapia deve ser instituída imediatamente nos animais que apresentarem sinais severos ou que não responderem de forma efetiva ao tratamento conservador dentro de 30 minutos. O volume exato e a via de administração irão depender da severidade dos sinais clínicos. Na grande maioria das vezes a via de eleição é a intravenosa, e o volume a ser administrado pode ser superior a 50 litros de solução isotônica. Os animais afetados por síndrome de exaustão não devem ser transportados nas 12 a 24 horas subseqüentes, porque uma alta atividade muscular está associada ao transporte prolongado, o que aumenta os riscos do desenvolvimento de problemas pós-exaustão. Isto inclui problemas musculares severos, laminite (aguamento) e falência renal. Os riscos de um animal desenvolver síndrome de exaustão são reduzidos com uma preparação adequada e um manejo cuidadoso durante as competições, sempre levando em conta os efeitos das condições climáticas (umidade relativa do ar e temperatura ambiente) durante o evento.quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Síndrome da Exaustão Eqüina
Exaustão é uma síndrome caracterizada por transtornos físicos e mentais, desencadeados por exercícios físicos intensos em condições de calor e umidade elevados, ocorrendo devido uma sobrecarga ou falha no sistema de termorregulação eqüina. Durante a atividade física, em condições de temperatura e umidade elevadas, a termorregulação fica comprometida e o organismo eqüino apresenta dificuldades para conseguir eliminar o calor gerado pela musculatura exercitada, acrescido do calor ambiente. Quanto maior forem a temperatura e a umidade ambiente, menor será a perda de calor. Dois mecanismos são utilizados pelo cavalo para promover a termorregulação:1 – Sudorese:A sudorese realizada pela pele, como no homem, trata-se do principal mecanismo. A eficiência da termorregulação eqüina através do suor dependerá da sua evaporação, a qual se tornará diminuída ou impedida se o ar estiver saturado de umidade.2- Ventilação: Durante a inspiração, parte do calor corpóreo é transmitido da mucosa do trato respiratório superior para o ar, que ao chegar aos alvéolos é saturado com vapor de água. Na expiração parte desse calor volta para a mucosa e ocorre uma porcentagem de condensação da água. A diferença entre o calor transferido para o ar inspirado e o calor transferido de volta para as mucosas é o resultado da perda de calor pelo trato respiratório. Quando corridas de cavalos, provas de enduro ou provas de fundo do Concurso Completo de Equitação são realizadas em climas extremamente quentes, aumentam concomitantemente as demandas de energia e irrigação sanguínea para a musculatura continuar a se exercitar, e para a pele promover a troca calórica. Para tanto, o sistema cardiovascular aumenta o seu trabalho, elevando a freqüência cardíaca e o volume sanguíneo ejetado pelo coração. Caso a perda de água e eletrólitos (sais orgânicos) através do suor for intensa, ou o cavalo apresentar-se levemente desidratado anterior a competição, o volume de sangue a ser movido pelo coração estará diminuído, a pressão arterial sofrerá queda e em resposta o coração irá trabalhar mais intensamente. Com a diminuição do volume sanguíneo, o fluxo para a pele estará diminuído, assim como a sudorese, prejudicando a termorregulação; além disso, menor quantidade de substratos energéticos chegarão à musculatura e ao sistema nervoso central podendo levar ao colapso e morte. Devido à deficiência na termorregulação, ocorrerá a hipertermia (aumento da temperatura corporal), a qual terá efeitos avassaladores sobre todos os tecidos orgânicos, principalmente, cérebro, coração, vasos sanguíneos, rins, fígado, pulmões e musculatura esquelética. O rápido reconhecimento e o tratamento da condição reduzem a severidade da síndrome de exaustão. Os animais afetados apresentam sinais de stress, fadiga significativa, desidratação, e elevação persistente da freqüência cardíaca e respiratória. Nos animais com bom condicionamento físico e boa função do sistema termorregulatório, após um período de repouso de 30 minutos, a freqüência cardíaca deve baixar para menos de 55 batimentos por minuto, a respiratória para 25 movimentos respiratórios por minuto e a temperatura corporal para menos de 39,5° C. Qualquer animal que apresente uma elevação significativa e persistente da freqüência cardíaca e respiratória, ou da temperatura retal, não deve continuar o exercício ao qual estava sendo submetido. Estes animais devem receber pequenas quantidades de água fresca, em intervalos freqüentes, e permitido o acesso a uma comida palatável, além disso, devem ser observados de perto até a sua completa recuperação. Cavalos que apresentarem uma elevação marcante da temperatura retal (maior que 40,5°C) devem ser resfriados o mais rápido possível. Banhos de mangueira com água fria sob a briza natural em um ambiente aberto auxiliam na perda de calor por convecção e evaporação. Atenção especial deve ser dada no resfriamento da cabeça, do pescoço e de grandes vasos subcutâneos entre os membros posteriores. Enemas com água fria e administração de fluidos via sonda nasogástrica também auxiliam na diminuição da temperatura corpórea. A fluidoterapia deve ser instituída imediatamente nos animais que apresentarem sinais severos ou que não responderem de forma efetiva ao tratamento conservador dentro de 30 minutos. O volume exato e a via de administração irão depender da severidade dos sinais clínicos. Na grande maioria das vezes a via de eleição é a intravenosa, e o volume a ser administrado pode ser superior a 50 litros de solução isotônica. Os animais afetados por síndrome de exaustão não devem ser transportados nas 12 a 24 horas subseqüentes, porque uma alta atividade muscular está associada ao transporte prolongado, o que aumenta os riscos do desenvolvimento de problemas pós-exaustão. Isto inclui problemas musculares severos, laminite (aguamento) e falência renal. Os riscos de um animal desenvolver síndrome de exaustão são reduzidos com uma preparação adequada e um manejo cuidadoso durante as competições, sempre levando em conta os efeitos das condições climáticas (umidade relativa do ar e temperatura ambiente) durante o evento.sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
The Flying Change : A Mudança de Pé no Ar
Os cavalos que tem um bom galope, com ação e mobilidade, já demonstram quando jovens, a facilidade para a mudança de pé. Naturalmente eles aprenderão com mais rapidez este exercício, ao contrario de outros cavalos que tem pouca qualidade nesta andadura e poderão ter problemas e vícios ao executar esse movimento.A execução correta;A mudança de pé correta, executada no Adestramento Clássico, é feita no galope reunido. Ela tem estreita ligação com o tempo de suspensão que se segue a cada lance de galope, portanto quanto "menos tempo de suspensão" o cavalo apresentar no galope, com menos qualidade ele fará a mudança de pé. As mudanças de pé podem ser executadas isoladas ou em séries . quer dizer 4,3 e 2 tempos e ao tempo (a cada galão). Somente nas provas de "Adestramento de nível Médio" é que são solicitadas as "mudanças de pé" isoladas, e conforme as exigências vão evoluindo, como na série Forte onde as mudanças são pedidas a 4, 3, e 2 tempos. As "mudanças de pé" ao tempo ( a cada galão) fazem parte da série Especial. Nas mudanças isoladas ou nas séries, o cavalo deve se conservar "leve, calmo, reto e com impulsão constante". A "cadência e o equilíbrio" não se modificam ao longo de todo movimento. O grau de reunião nas "séries" poderá ser um pouco menor que o normalmente pedido, a fim de evitar um encurtamento dos lances e uma perda da leveza e fluência.As ajudas ; A ajuda, o comando para executar a mudança, é solicitada no momento em que os "três membros estão no chão" e o "anterior interno inicia o movimento da passada do galope" (no terceiro tempo). O cavalo muda neste momento a batida dos seus posteriores e anteriores. A mudança é calma mas ao mesmo tempo enérgica, ganhando amplitude e mantendo a retidão do cavalo. A garupa e as espáduas não se deslocam de um lado para outro. A mudança não é rasa, curta, sem energia, interrompendo assim a cadência e a fluência do galope. Quando o cavalo tensiona a garupa (garupa alta) e faz a mudança mais para cima do que para frente, é sinal de que falta mais descontração e impulsão. Um momento antes de pedir a mudança de pé, o cavaleiro executa uma meia-parada (chamada de atenção), dá uma ligeira indicação, uma leve encurvatura com a rédea interna para o lado em que vai mudar o galope, mantendo porém a retidão. Esta leve encurvatura não deve ser confundida com rédeas tensas ou curtas. Tomamos por exemplo a mudança de pé da "direta para a esquerda" O cavaleiro prepara a mudança ativando o pé interno do cavalo (o pé direito). No momento exato descrito acima, ele pede a "mudança de pé" para a esquerda com a sua perna direita que se desloca mais atrás da barrigueira ( a ação de perna e assento se dá ao mesmo tempo). A perna interna do cavaleiro, durante o momento da mudança, mantém um leve contato e sustentação para que o cavalo não desequilibre para a esquerda. A rédea externa ( agora a direita), mantém contato para que as espáduas não desequilibrem. No momento em que o cavalo executa a "mudança de pé", a mão interna, que deu uma leve indicação, fica mais suave para que ele possa fazer a mudança com as espáduas livres e descontraídas. As pernas e a bacia é que dão o comando para as mudanças. A bacia interna empurra e avança para a mão da mudança e as mãos leves deixam o cavalo executar o movimento com liberdade. A ação das pernas e assento se dão ao mesmo tempo, mas sem interferir no posicionamento correto da parte superior do corpo. Defeitos ; Se o cavalo muda os seus anteriores mas não os posteriores (galope cruzado), ou atrasa o posterior interno, é resultado da falta de impulsão e força dos posteriores, ou também de indefinição das ajudas. Os cavalos que jogam muito a garupa devem fazer as mudanças ao longo da parede do picadeiro, evitando assim que ele se entorte. Do galope falso para o galope justo). Se o cavalo tende à aumentar demais o galope antes da mudança, a transição galope, passo, galope, ajuda na correção para que ele continue no galope calmo e ritmado. "Tensão, ansiedade, ajudas bruscas e medo devem ser evitados". Muitas vezes o próprio cavaleiro tende à ficar tenso na sua musculatura, dando ajudas muito fortes e indefinidas - é de vital importância a posição correta e definição clara. Se o cavaleiro se desloca da sela jogando o seu peso sobre os anteriores do cavalo, ou se não está bem centrado, irá atrapalhá-lo muito neste exercício. As mãos não podem ser brutas (pois é onde o cavalo apoia a sua boca), nem altas demais ou afastadas demais. O cavaleiro que não tiver experiência, uma posição correta e não souber em que momento o cavalo está usando os seus membros como noção de ritmo, não terá condições de fazer uma mudança de pé corretamente. É incorreto e ineficiente um cavaleiro jogar, deslocar o seu corpo para um lado e para o outro, saindo da sela ou "quebrando" a cintura. Pernas soltas e sem controle não poderão ser eficientes. Alguns métodos de treino ; O cavaleiro pode iniciar a mudança de pé, quando o cavalo já domina bem o "galope reunido", com equilibrio, cadência, engajamento e atendendo bem às partidas, às transições, ao contragalope e aos altos. Com algumas exceções e com muito cuidado, a "mudança de pé" isolada pode ser feita com cavalos ainda no nível principiante, mas somente para os cavalos que tenham mais facilidade e talento para as mesmas ou quando as executam sem nenhuma resistência. É aconselhável pedir a "mudança de pé" primeiro da "direita para a esquerda". Também é lógico pedir a mudança do lado ruim para o lado melhor (se o cavalo apresentar diferenças entre os lados). Um bom método é treinar a mudança sempre no mesmo ponto do picadeiro, para que o cavalo assimile - porém se ele começa à se adiantar às ajudas, e quer mudar antes, então seria melhor variar de lugar. Não se pede muitas mudanças de uma vez para um cavalo ainda não confirmado. O ideal seria fazer esta figura de picadeiro quase no final do trabalho, quando o cavalo já está bem flexível e descontraído (mas cuidando para não pedir a mudança quando ele já está muito cansado e sem forças nas costas). Logo em seguida à mudança (mesmo que ela não tenha sido perfeitamente correta) voltar para a andadura do passo ou trote, agradando o animal, principalmente se ele for um cavalo nervoso. Ele deve aprender as mudanças de pé, sem traumas e sem o uso excessivo de esporas ou chicote. Como preparação, pode- se também fazer uma meia volta no galope justo, e retornando à parede do picadeiro pedir a "mudança de pé". Se o contragalope do cavalo for bom, muda-se do galope falso para o galope justo (sem que a garupa se desloque demais antes da mudança ). Os métodos são naturalmente variáveis, e cada cavalo reage diferentemente, por isso é importante experimentar vários exercícios, até achar qual é a melhor preparação. Cuidar para que o cavalo faça a mudança o quanto antes em "linha reta e para frente". Defeitos e correções; O erro mais comum é o cavalo atrasar o posterior interno na mudança, (um ou dois galões), ocasionado pela falta de reunião, impulsão ou fraqueza de posterior. Outros defeitos são: Perder a impulsão, galopar muito curto e tenso, manter a garupa contraída e alta, e se deslocar lateralmente. Pesar demais sobre a mão do cavaleiro (encapotar), deslocando seu equilíbrio sobre os anteriores, perdendo assim a reunião dos posteriores e a auto sustentação. As rédeas auxiliares (rédea alemã, etc.), são usadas com muito cuidado quando se pratica a mudança de pé. Somente quando o cavalo realmente não mantém o pescoço em posição correta e eleva demais a nuca é que se pode fazer uso dela, porém com muita parcimônia e leveza. A rédea alemã, por exemplo, não tem a função de fazer abaixar o pescoço e a nuca, mas somente impedir que o cavalo levante demais a cabeça à partir de um certo ponto. Se o uso da rédea for em um contato constante, o cavalo pode reagir embutindo o seu pescoço, colocando o nariz atrás da vertical, fugindo assim da mão do cavaleiro. Por isso é muito importante que o cavalo consiga fazer um "galope reunido redondo, ativo, sem tensão de dorso e garupa", pois no momento em que surgirem estas reações a mudança de pé não estará sendo feita corretamente.quarta-feira, 25 de novembro de 2009
As Frequências Cardíacas do Cavalo e do Cavaleiro
Observação das Frequências Cardíacas (FC) do Cavalo e Cavaleiro durante quatro exercícios monitorados e análise dos resultados segundo a Fisiologia da Equitação A Neurofiosiologia é um campo emergente da Ciência Moderna. Dedica-se ao estudo das estruturas nervosas, suas funções e relações com os diversos sistemas orgânicos. Dentro deste conceito, a Neurofisiologia da Equitação pretende situar definitivamente a equitação como ciência e, desta forma, conhecer e compreender os processos que tornam possível a equitação de alta performance. De acordo com RINK (2001), a equitação de alta performance é obtida quando se consegue um perfeito ajuste entre cavalo e cavaleiro. Á partir do momento em que esta união se concretiza, forma-se o conjunto eqüestre (resultado da união das intenções do cavaleiro –comandos , com as ações do cavalo - respostas reflexas) unidade geradora da equitação. Esta figura foi perfeitamente representada na Grécia Antiga como a figura do Centauro.
Integração Homem/Cavalo : Há cerca de 6000 anos o homem iniciou um processo de domesticação do cavalo, utilizando-o primeiramente como fonte protéica na alimentação. O homem seguia a manada aonde ela fosse e logo começou a descobrir outras habilidades, como produção de leite , carga e tração e, posteriormente, a equitação. BARCLAY (l990), sugere que esta tenha sido descoberta pelas crianças que eram, provavelmente, as responsáveis pela ordenha das éguas. Esta descoberta possibilitou ao ser humano evoluir de uma forma muito mais dinâmica: “O Homo-Caballus passou a ter uma relação com o tempo diferente do resto da humanidade (...) Quebrou a barreira do tempo biológico humano e deu origem à História como ela é” (RINK,2000). Seguindo a idéia do autor, a descoberta do estribo, que atua sobre o sentido proprioceptivo humano como uma fonte de referência do chão, foi sem dúvida outro grande impulso aos povos nômades, guerreiros por natureza e excelência, vindo a contribuir enormemente em suas conquistas. Sem a descoberta da equitação o homem não teria evoluído ainda da condição de cidade-estado. Com o passar do tempo as nações eqüestres procuraram aprimorar cada vez mais a equitação, nem sempre com sucesso e na maioria das vezes com uma visão apenas mecanicista, não apenas da equitação mas também do cavalo. Com o conhecimento da neurofisiologia da equitação tem-se acesso ao conhecimento dos fenômenos neurofisiológicos (biológicos e psicológicos) da equitação, tornando-a cada vez mais eficiente e dinâmica tanto para o cavaleiro quanto para o cavalo. Para que se alcance uma equitação de alta performance, diversas etapas devem ser respeitadas sistematicamente, condicionando o cavaleiro e o cavalo a gerar os estímulos e respostas reflexas. Quanto ao cavalo, fatores como índole e habilidade esportiva são fundamentais na seleção e no adestramento. Cada animal apresenta características únicas e habilidades individuais para determinada prática esportiva, que acrescidos à morfologia, determinam sua maior ou menor performance. O adestramento deve, fundamentalmente, considerar e respeitar estas características individuais. É durante o adestramento primário, também conhecido como doma de baixo, que se começa a perceber as habilidades específicas de cada animal e aí se instala a confiança entre o cavalo e o ser humano (LESCHONSKI, s/d.). Neste momento é preciso condicionar as respostas reflexas que deverão ser dadas durante a equitação (RINK,s/d). “Devemos ter em mente que não podemos condicionar novas cadeias de reflexos, podemos apenas utilizar aquelas com as quais o cavalo foi programado”(ROONEY,1979). Quanto ao cavaleiro, ele deve conhecer e compreender os comandos que irão gerar as respostas reflexas e fazer o cavalo percebê-las como se fossem vindas do seu próprio cérebro. “Podemos dizer que o Homo-Caballus é a espécie mais evoluída da cadeia biológica – um conjunto fisiologicamente superior à soma das suas partes” (RINK, 2000).
Aspectos fundamentais para o estudo da Equitação : De acordo com RINK (2000), o estudo da equitação deve ser abordado segundo os seguintes aspectos: - Antropologia da Equitação: “o paradoxo da evolução humana é a infeliz combinação de um cérebro de alta potência combinado com um sistema locomotor de baixa potência – o que levou o sapiens a buscar a simbiose com o caballus” (RINK, 2001). - Psicologia da Equitação: refere-se ao relacionamento entre homem e cavalo além da equitação. Os cuidados do homem para com o cavalo são na verdade estímulos para a consolidação da liderança pelo homem e da confiança e respeito mútuos. - Comunicação da Equitação: busca o ponto e a forma como a comunicação de cada espécie encontra seu ponto de entendimentodurante a equitação. É baseada fundamentalmente na comunicação corporal entre o homem e o cavalo durante a ação eqüestre. - Neurofisiologia da Equitação: refere-se à correlação entre os circuitos nervosos dos integrantes do conjunto eqüestre, objetivando produzir intenções “casadas” . Considera os comandos sutis do cavaleiro, os quais são captados pelo sistema nervoso eqüino e transformam-se em ações eqüestres. “O homem e o cavalo conectados fisiologicamente originam o Homo-Caballus, onde o homem produz as intenções e o cavalo responde de forma reflexa” (RINK, s/d).
O Sentido Proprioceptivo na Equitação : O sentido proprioceptivo corrobora efetivamente para a manutenção das espécies sendo, por exemplo, fundamental ao potro para que sobreviva no novo ambiente, seguindo sua mãe e encontrando seu úbere no devido tempo. A propriocepção também colabora para que o potro reconheça o seu mundo e sua manada . SWENSON (1986), ao classificar os receptores sensitivos, enfatiza que os proprioceptores localizam-se profundamente nos músculos, tendões e articulações e transmitem informações a respeito das partes do corpo e da posição espacial deste. MACHADO (1986) considera os impulsos proprioceptivos como sendo conscientes ou inconscientes. A propriocepção consciente é o sentido que permite , sem o auxílio da visão, situar uma parte do corpo ou perceber o seu movimento (MACHADO,1986). Lesões fasciculares, por exemplo, podem levar à perda total ou parcial deste sentido. Esses impulsos conscientes atingem o córtex cerebral, proporcionando a percepção da posição espacial do corpo, assim como da atividade musculo-esquelética (cinestesia). Os impulsos proprioceptivos inconscientes regulam a atividade reflexa muscular através do reflexo miotático ou da atividade cerebelar. Estes impulsos não fornecem qualquer informação sensorial ao córtex cerebral. Na via de propriocepção inconsciente, os receptores estão em junções neuromusculares e músculo-tendinosas, sendo classificados em tipo I e II. Baseado nestes conceitos, este trabalho considera que, na equitação, os impulsos proprioceptivos são os responsáveis pelas respostas reflexas do cavalo aos comandos do cavaleiro como se fossem produzidos pelo seu próprio sistema nervoso (antigamente denominado Centaur Effect).
Anatomo-Fisiologia do Sistema Nervoso : No cavalo como em todos os mamíferos, o sistema nervoso central (SNC) estrutura-se basicamente em encéfalo e medula espinhal. O SNC comunica-se com as diversas estruturas do organismo através das vias nervosas eferentes e aferentes, por onde transitam os impulsos. Potenciais elétricos são gerados nos neurônios através das diferenças de concentrações iônicas (bomba de Na e K) e determinam potenciais de ação, pela geração de estímulos motores . No neurônio em repouso, há elevada concentração intracelular de íons K+ e extracelular de íons Na+ e Cl - . Assim, o meio intracelular está carregado positivamente e o extracelular negativamente (potencial de repouso). O potencial de ação ocorre pela passagem de um impulso, que é gerado através de uma corrente elétrica. O que caracteriza o mesmo é uma rápida despolarização (mudança de polaridade intra e extracelular) e uma repolarização relativamente lenta. As características do potencial de ação são dependentes de características do neurônio e não da natureza do estímulo. O que garante a informação no sistema nervoso é a freqüência e não a amplitude do potencial de ação (propaga-se em velocidade e em forma de onda relativamente constantes). A transmissão das informações entre os neurônios ocorre nas sinapses, através de neurotransmissores. O neurônio pré-sináptico libera o neurotransmissor na fenda sináptica em resposta ao potencial de ação. No neurônio pós-sináptico o neurotransmissor atua tanto produzindo quanto impedindo alterações do potencial elétrico. A condução do impulso em direção ao corpo celular é realizada pelos dendritos (processo aferente). Os axônos conduzem o impulso a partir do corpo celular ( fibra eferente). Placa motora é a terminação de uma fibra nervosa motora em uma fibra muscular, semelhante a uma sinapse. Assim como nas sinapses interneuronais, um neurotransmissor presente na junção neuromuscular é a acetilcolina. A despolarização do sarcolema, gerada com a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, gera a contração muscular. A acetilcolinesterase atua como antagonista da acetilcolina, regulando, desta forma, a duração e intensidade do estímulo nervoso. As fibras aferentes conduzem os impulsos nervosos ao cérebro ou à medula espinhal a partir do receptor ao qual está conectada. Algumas vias têm origem e terminação na medula espinhal, formando os arcos-reflexos. Assim, uma ação pode ser realizada sem que a mensagem precise passar pelo cérebro, tornando-a muito mais rápida. ROONEY (1979) descreve as dilatações nervosas cervical e lombar existentes na medula espinhal do cavalo. Estas dilatações podem ser consideradas responsáveis pela formação dos arcos-reflexos que geram as ações do cavalo aos comandos do cavaleiro durante a equitação. Os movimentos dos membros toráxico e pélvico são controlados pela dilatação cervical e lombar, respectivamente. “Esta extraordinária informação pode estabelecer bases sólidas para se realizar uma fusão mais completa do sistema neurofisiológico do cavalo e do cavaleiro.” (ROONEY,1979).
Resultados e Discussão : No Passo Alongado (PA) observou-se que ambos trabalharam em zonas de FC distintas, porém elevadas ( anexo 1). A elevação considerável observada no cavalo, em relação a FC basal é devida à elevada descarga de catecolaminas que ocorre fisiologicamente nesta espécie, dado o estímulo pelo exercício. (Swenson, 1996) .Observou-se que no PA a FC do cavalo variou menos durante a amostragem que a FC do cavaleiro, fato provavelmente relacionado à necessidade maior de esforço pelo cavaleiro para manter o ritmo constante numa andadura pouco estimulante para o cavalo. No Trote Reunido (TR) observou-se aumento na FC do cavalo, enquanto que a do cavaleiro manteve-se relativamente baixa. Houve ainda menos variações entre as FC do cavalo que nas do cavaleiro, durante a amostragem, especialmente quando os tempos de realização da volta esteve entre 2,18min e 2,23min (anexo 2). Notou-se que, quando a FC do cavalo variou entre 73 e 80, a do cavaleiro esteve entre 87 a 97. Estando a FC do cavalo acima destas, houve grande variação em relação ao conjunto (cavalo-cavaleiro). Isso pode ser um indicio de “efeito compensatório” de um dos elementos do conjunto em relação ao outro e de que existe uma faixa de desempenho em que não há compensação, mas um trabalho mais integrado. No Trote Alongado (TA) ambos mantiveram-se em FC muito elevadas e as variações de FC ocorreram normalmente juntas, salvo em condições ambientais adversas, quando observou-se nítida tendência do cavalo a autopreservação, diminuindo o ritmo, exigindo esforço maior do cavaleiro para manter o ritmo do exercício (anexo 3). No Galope Reunido ou Cânter (GR) observou-se o cavaleiro em FC muito elevadas, sendo notada uma nítida sincronia nas variações de FC.O ajuste do cavaleiro ao centro de gravidade do cavalo, parece ter sido fundamental para este resultado, facilitado a dinâmica do exercício (anexo 4). Os tempos considerados ideais, para fins de comparação dos FC, estiveram entre 1,22min e 1,29 sendo possivelmente ocorrida neste tempos a melhor “sincronia de intenções do cavaleiro e movimentos do cavalo” considerado por Rink, 2000. Acima de 1,29min estiveram as maiores FC do cavalo, possivelmente resultado de ser o CA um exercício contra o cronômetro, com grande gasto de energia, portanto maior a exigência ao sistema cardiovascular. Observou-se, ainda que o não uso de espora (militar, sem roseta), levando a diminuição da superfície de contato entre o cavaleiro e o cavalo influenciou consideravelmente aumentando o tempo em algumas amostragens. O galope demostrou a andadura em que se apresenta a maior integração do conjunto e aquela mais estimulante para o animal. Novas observações serão fundamentais para a confirmação é o aperfeiçoamento das analises realizadas neste estudo.
ANEXO II – Gráfico: Correlação das FC (bpm) do Cavalo e do Cavaleiro Durante o Trote Reunido
ANEXO III – Gráfico: Correlação das FC (bpm) do Cavalo e do Cavaleiro Durante o Trote Alongado
ANEXO IV – Gráfico: Correlação das FC (bpm) do Cavalo e do Cavaleiro Durante o Cânter
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Equilíbrio do Cavalo
Quando admiramos um cavalo em liberdade, correndo, saltando, esbanjando nobreza e elegância, nem sempre imaginamos a relação existente entre os movimentos por ele executados e o equilíbrio necessário para fazê-lo. Decerto cavalos são criados em função do trabalho que produzem, através do movimento. E não será possível realizar trabalho em movimento, se não houver equilíbrio. O mesmo cavalo que podemos imaginar agora, tão elegante em liberdade, poderá ser visto com a mesma desenvoltura montado por um cavaleiro, desde que lhe seja restituído o equilíbrio perdido. E digo perdido porque, no momento que montamos um cavalo, nosso peso nele aplicado promove uma sobrecarga naquele ponto, exigindo consideráveis mudanças de postura do animal. Um cavalo em atitude é aquele que tem restabelecido seu equilíbrio, quando promovidas estas mudanças. Todo corpo tem seu ponto de equilíbrio, variando conforme sua forma e sua massa, e podendo ser alterado de acordo com o movimento. Assim é com uma bola, com um carro, com uma pessoa ou um cavalo. É interessante como fica mais fácil carregarmos um peso que se projeta sobre nosso ponto de equilíbrio que quando o mesmo se encontra fora dele. Uma lavadeira, por exemplo, carrega sobre sua cabeça a trouxa de roupas;, outra pessoa carrega uma lata d’água, e o fazem com plena desenvoltura, sem perder a liberdade de movimentos. Se imaginarmos uma linha vertical que perfure o centro de nossa cabeça e percorra o eixo de nosso corpo, é exatamente nessa linha que se encontra nosso ponto de equilíbrio. Daí a facilidade maior encontrada por uma pessoa, ao carregar o peso por sobre sua cabeça, sobre seu ponto de equilíbrio. E com o cavalo não será diferente, se sobre seu ponto de equilíbrio também for projetado o peso por ele carregado. Se desejamos carregar um corpo em equilíbrio, sem que ele possa pender para qualquer lado, é preciso que saibamos onde se encontra seu ponto de equilíbrio, e sob o mesmo sustentar este corpo. Uma mesa retangular, regular em sua forma e com peso igualmente distribuído por suas partes, terá seu ponto de equilíbrio numa linha vertical que passe exatamente no centro de sua superfície. Comparando então um cavalo à mesa, seriam semelhantes se cortássemos o pescoço e a cabeça do cavalo. Sustentado pelo meio de sua barriga, iria manter-se sem pender para qualquer lado, para frente ou para trás. Mas não podemos deixar este cavalo por muito tempo sem sua cabeça e sem o pescoço, e ao recolocarmos, certamente que penderá para a frente, pelo peso destas partes. Um cavalo terá na verdade seu ponto de equilíbrio passando por uma linha vertical imaginária que atravesse seu corpo bem próximo do final de sua cernelha. E para facilitarmos seus movimentos, devemos, ao montar este cavalo, projetar nosso corpo o mais próximo possível desta linha, e numa postura bem vertical, fazendo coincidir nosso ponto de equilíbrio sobre a mesma linha na qual se encontra o ponto de equilíbrio do cavalo.Por suas formas irregulares, e por ter seu ponto de equilíbrio deslocado para a frente, o cavalo suporta cerca de 60 % de seu peso sobre seus membros anteriores. Comparando os cascos anteriores e posteriores de um cavalo, percebemos nítida diferença em sua forma, mais arredondada nos anteriores exatamente pelo maior peso que suportam. Quando montamos este cavalo, sobrecarregamos com nosso peso o seu trem anterior, rompendo também o seu equilíbrio. Neste momento são necessárias mudanças de postura para que se tenha recobrado o equilíbrio rompido. Quais são, veremos mais tarde. Antes mesmo destas mudanças, sabemos indispensável uma condição básica para um movimento pleno e de qualidade de um cavalo montado: o apoio. O apoio é a pressão exercida pelo cavalo à embocadura, estando as rédeas ajustadas pelo cavaleiro. Dentre outras razões, a sobrecarga no trem anterior exige do cavalo a busca do apoio. O movimento para a frente se dá pelo deslocamento também para a frente do ponto de equilíbrio. Um cavalo que já tem seus anteriores sobrecarregados não poderá se deslocar para frente com confiança e desenvoltura, a menos que encontre um ponto de apoio. Estando apoiado na embocadura o cavalo ganha confiança em projetar seu peso para a frente, partindo ao passo, em marcha, trote ou galope. As mudanças de postura devem se iniciar pela elevação da base do pescoço. Esta região se encontra na ligação do pescoço com o tronco. Inicia-se então uma transformação na disposição da coluna vertebral do cavalo, que passa a se curvar, tornando-se arqueada. A ação do cavaleiro para que o animal assuma esta postura leva também a uma outra mudança, o flexionamento da nuca. Esta alteração será mais eficiente a partir da descontração do maxilar. A curvatura da coluna se acentua, distanciando-se os processos espinhosos uns dos outros, adquirindo assim a coluna a possibilidade de se tornar mais flexível, em favor da comodidade e da continuidade e harmonia dos movimentos. O mesmo arqueamento favorece a descida da garupa, com conseqüente engajamento dos membros posteriores. Desta forma o cavalo se encontra em atitude. A elevação da base do pescoço, acentuando a convexidade da borda dorsal desta região, juntamente com o flexionamento da nuca, tornam o ponto de equilíbrio mais atrasado. A sobrecarga dos anteriores fica assim aliviada. O engajamento dos posteriores aumenta a condição de equilíbrio, como se estes assumissem a responsabilidade de suportar o peso, dividindo-a com os anteriores. Desta forma o cavalo recupera a possibilidade de executar as figuras que executava em liberdade, com total equilíbrio, desenvoltura, elegância e nobreza, e pode fazê-lo agora, sob o peso e o comando do cavaleiro. A mudança mais eficiente terá sido, com certeza, a da postura do pescoço, associada ao flexionamento da nuca. Por sua conformação e posição, o pescoço pode mobilizar sensivelmente o ponto de equilíbrio do cavalo. Quando se estende, se retrai ou move-se lateralmente, o pescoço altera respectivamente paras a frente, para trás ou para o lado o ponto de equilíbrio. Por esta razão é chamado de leme do cavalo. Outra referência importante ligada agora ao movimento, tornando-o mais ou menos equilibrado, refere-se ao diagrama de apoios no andamento. Quando o tempo de apoio sobre os bípedes laterais é muito longo, há necessidade do cavalo deslocar seu ponto de equilíbrio lateralmente, durante o movimento. Permanecendo muito tempo em apoio lateral o cavalo estará vulnerável durante este período, sem nenhum apoio no lado oposto. Além do risco de queda, ocorre com freqüência a desorganização, a quebra do ritmo, pela interrupção repetida do projeto de avanço dos membros – ao invés de avançar, o cavalo precisa usar os membros para apoiar-se, suportando o ponto de equilíbrio deslocado lateralmente. Esta situação esta mais ligada ao movimento natural do cavalo que mesmo por alterações quando do peso do cavaleiro sobre seu tronco. Marcha e passo lateralizados geram estas alterações, sendo portanto desequilibrados. Quando montamos a cavalo, nem sempre percebemos as alterações impostas ao ponto de equilíbrio do animal. Sendo assim, não percebemos também a importância de restabelecer este equilíbrio. E certamente desconhecemos as várias possibilidades de fazê-lo. A equitação com suas técnicas, ainda desacreditada por alguns, nos permite usar o cavalo de forma racional, desenvolvendo suas possibilidades e preservando sua integridade, sua vida útil, além de criar condições seguras para sua utilização.Cavalo, movimento e equilíbrio se misturam: cavalo sem movimento é como pedra; movimento sem equilíbrio, queda; e cavalo sem equilíbrio. . .sábado, 7 de novembro de 2009
Sobre Equitação e Liderança
O repressivo sistema militar se consolidou de tal maneira na nossa sociedade que, até a década de 60 do século 20, serviu de modelo administrativo para grandes empresas americanas e européias. E, há séculos, o nosso relacionamento com o cavalo e as técnicas de doma e equitação também foram exercidas com os critérios disciplinares repressivos copiados do exército. E deu no que deu. O cavalo esportista tem necessidades básicas, tanto fisiológicas quanto psicológicas, que precisam ser satisfeitas para que ele atinja um alto nível de performance. A forma mais eficiente de liderança, e a melhor para se lidar com a natureza do animal, é a liderança esportiva onde o carisma e a capacidade de inspirar os atletas é a alma do sucesso. Aquele décimo de segundo a menos na corrida, aquele centímetro a mais na vertical do salto, aquela manobra radical no pólo e o toque extra de precisão no dressage são impossíveis de se obter por meio de coação – como já explicou Xenofonte há mais de dois milênios. Aquele ‘algo mais’ que determina as vitórias surge da absoluta cumplicidade entre cavaleiro e cavalo, quando estes fundem as suas qualidades fisiológicas para se tornarem uma só força avassaladora na conquista dos seus objetivos. A decisão de se tornar cavaleiro envolve, mais do que tudo, assumir uma liderança inteligente capaz de motivar o cavalo, desenvolver a vocação atlética do animal; reconhecer os seus limites psicológicos e físicos, e encontrar soluções que favoreçam o desempenho do animal. Não é por acaso que a liderança e a equitação estão associadas ao progresso individual e social do Homo sapiens desde que os primeiros bandos de guerreiros nômades da Ásia Central compreenderam que, com o cavalo e a equitação, eles tinham descoberto a chave para liderar o mundo.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
As Zonas Quentes do Cavalo de Dressage
Os muitos precisos movimentos de dressage só podem ser executados corretamente por um cavalo completamente "supple". O equilíbrio de um cavalo de dressage tem de ser mantido e ser capaz de absorver variações de ritmo e de comprimento de passada nos movimentos para a frente, para trás, laterais e de suspensão, sem alteração da postura.Para que o cavalo consiga trabalhar nesta postura correta, uma cadeia de músculos interligados com tendões, ossos e ligamentos atuam de modo a permitirem que os músculos da "linha de cima" se alonguem enquanto os da linha do abdômen se contraem. Em resposta à ação destes músculos, a cabeça baixa e os posteriores são metidos debaixo da massa permitindo que o cavalo "suba" e transporte o cavaleiro com a elasticidade necessária à efetivação de movimentos bastante complexos. Cada movimento envolve vários músculos ou grupos musculares o que explica a razão pela qual um problema ou espasmo muscular numa determinada área tem por vezes um efeito devastador noutras zonas do corpo do animal. Se, por exemplo, o músculo longíssimos dorsi (que passa sobre a linha de cima do cavalo) está desconfortável o cavalo pode não conseguir "meter as pernas" em certos exercícios. Do mesmo modo, se houver dor nos músculos peitorais, os movimentos de extensão são prejudicados.As áreas que, na nossa experiência, são mais afetadas no cavalo de dressage são as que se encontram demarcadas a negro no diagrama que acompanha este artigo. A saber :1) O pescoço - particularmente os músculos braquiocefálicos e trapézios, se este for forçado em flexão por métodos artificiais ou for obrigado a manter a extensão por períodos prolongados.2) A região dorso-lombar em casos de selas que não sirvam bem, o uso excessivo do “assiete" pelo cavaleiro ou se existe uma deficiência de movimentos (dor referida).3) A articulação Sacro-Ilíaca.4) Os músculos glúteos dos posteriores.5) A zona anterior e posterior da perna, e os curvilhões.Como em todas as modalidades eqüestres é muito importante o notar de qualquer alteração no movimento do cavalo para que a origem do problema seja determinada antes de se tornar mais grave. Do mesmo modo deve-se tentar avaliar qualquer diferença de reações nas ações de limpeza diária, ao mesmo tempo que se "sentem" os músculos relativamente à tensão, zonas mais quentes ou com acumulação de fluido. quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Publicação ANDE - BRASIL

A Associação Nacional de Equoterapia ANDE - BRASIL publica em 04 de Novembro de 2009 o artigo "O Auxiliar Guia e a Condução do cavalo de Equoterapia " publicado em nosso blog . Nossos sinceros agradecimentos a ANDE-BRASIL , aos cavalos e aos nossos parceiros praticantes de equoterapia .
A Associação Nacional de Equoterapia é um organismo instituído em âmbito nacional há 20 anos e, foi a primeira instituição a formalizar e sistematizar a prática da equoterapia no Brasil, para a qual salienta a importancia do trabalho de equipes de profissionais habilitados, como também propõe princípios bem definidos de conduta ética, além de outras especificações essenciais para a boa execução deste trabalho, com o propósito de alcançar os melhores resultados possíveis para os seus Praticantes. Constitui, por isso mesmo, o centro de irradiação do conhecimento teórico e prático da equoterapia, enquanto método terapêutico eficiente e eficaz, pretendendo o seu justo reconhecimento no campo das terapias atuais. Ainda, a ANDE-BRASIL produz e incentiva pesquisas e trabalhos técnicos científicos neste campo, perseguindo o desenvolvimento e a divulgação destes estudos, como forma de proteção à saúde dos Praticantes e a consolidação da metodologia da Equoterapia. Desta forma, busca também satisfazer o interesse de pesquisadores e, ao mesmo tempo, das pessoas envolvidas na prática diária da equoterapia, os seus mediadores, os Praticantes, e a sociedade em geral. A ANDE - BRASIL , em seu site http://www.equoterapia.org.br/ possui um link de publicação de trabalhos científicos , onde serão publicados aqueles que após criteriosa avaliação forem aprovados a constar no espaço virtual .
Half Pass : Apoiar
O "Apoio" é também um movimento lateral do cavalo, em duas pistas, para frente e para o lado como no exercício de "travers", agora não mais na parede mas pelas linhas das diagonais (pequenas ou grandes) ou partindo da linha do meio do picadeiro para a parede.Posicionamento
O cavalo ligeiramente encurvado em torno da perna interna do cavaleiro, conserva-se paralelo aos lados maiores do picadeiro, com as espáduas sempre a frente dos posteriores. O cavalo está encurvado para o lado em que marcha e olha na direção do movimento. Os membros se cruzam: os de fora passam à frente das de dentro, mantendo sempre a mesma cadência, equilíbrio e fluência. A impulsão é constante, particularmente pelo engajamento do posterior interno, consequentemente existe uma maior liberdade e mobilidade de espáduas, as quais trabalham então descontraídas e elásticas. Os "apoios" podem ser feitos em pequenas diagonais, grandes diagonais, como também em "apoio e contra apoio" (para um lado, em seguida para outro), ou em zigue-zague (vários "apoios" em seguida). "Apoio e contra apoio" são pedidos em provas de nível superior. Se bem que neste movimento o cavalo tem menos encurvatura do que no exercício de "travers", este deve ser condizente com o ângulo da diagonal pedida ( linhas mais longas ou linhas mais fechadas). Quanto mais fechados os apoios mais o cavalo deverá cruzar os membros, porém sem perder o movimento para frente, por isso o grau de adiantamento do cavalo deve ser mais elevado. Normalmente inicia-se este exercício (exigido em provas de Adestramento de nível Médio), em pequenas diagonais. Seguindo a evolução, no estágio mais avançado são feitos dois "apoios" seguidos de um lado e para o outro em pequenas diagonais. Só nas provas de Adestramento de nível superior ( Intermediária 1, Intermediária 2 e Grande Prêmio), é que são pedidos "apoios" com ângulos mais fechados como também o "zigue-zague" pela linha do meio com o número de passadas ou metragem exatas.
A correção da figura e seu objetivo de ginástica
O objetivo deste exercício é o mesmo que o do "travers e renvers", (engajamento, encurvatura e elasticidade, submissão às ajudas , descontração de pescoço, nuca e ganachas, manutenção da impulsão com o uso da força dos posteriores), com a vantagem de poder controlar melhor a submissão e descontração em ambos os lados. A colocação, encurvatura, fluência e leveza são constantes e o cruzamento dos membros devem ser equivalentes e executados igualmente ambos lados .
As ajudas são equivalentes como no "travers"- a encurvatura do cavalo pela perna interna do cavaleiro mantém a impulsão, é pedida uma leve encurvatura pela rédea interna, que mantém um contato suave e descontraído. A rédea externa limita o quanto o cavalo deve se encurvar e mantém também o equilíbrio das espáduas. É importante que o cavalo esteja encostado igualmente nos dois lados da embocadura. O uso da perna externa pede o deslocamento lateral do corpo do cavalo e o assento do cavaleiro deve estar mais sobrecarregado no lado interno da bacia. A diferença entre o "travers e apoio", é que o primeiro é executado na parede e o segundo pode começar da parede para o centro do picadeiro, ou do centro do picadeiro para a parede. Erros são cometidos quando a perna externa do cavaleiro age com muita força ocasionando a antecipação da garupa (garupa mais à frente que as espáduas), ou ao contrário, a garupa não acompanha o movimento das espáduas. Outros defeitos são, perda da encurvatura ou membros que só cruzam lateralmente e não avançam. Quando o exercício for "apoio e contra apoio" (para um lado e para o outro) toma-se o cuidado para que a mudança de colocação não seja abrupta, pois o cavalo perderá o equilíbrio, a cadência e descontração. Este fica um instante reto antes de se encurvar para o novo lado. Na mudança de direção, a nova perna interna do cavaleiro segura de tal modo a garupa até que as espáduas se coloquem levemente à frente do movimento para seguir então em posição correta. Se o cavaleiro esquece desta ajuda e simplesmente muda rapidamente de uma perna externa para outra perna externa, o cavalo tende à jogar sua garupa de um lado para o outro, se desequilibrando, perdendo a regularidade e antecedendo as espáduas.
É muito importante que o cavalo já execute bem a "espádua à dentro" e o "travers" para iniciar este exercício. O "apoio" pode ser feito à partir do canto, ou de uma meia volta, como também dentro de um círculo grande, cuidando-se que o cavalo esteja encostado corretamente e por igual nas mãos, mantendo a encurvatura constante. O apoio à partir do canto será correto se o canto for realmente "bem" executado. Para cavalos ou cavaleiros iniciantes acontece comumente iniciar bem o "apoio", mas depois de 5 ou 6 passadas o cavalo perde a encurvatura e fluência como também a sua sustentação. Para corrigir este problema não se deve continuar o movimento e sim endireitar o cavalo buscando de novo a fluência, ou intercalar uma volta, preparando de novo a encurvatura da coluna e então reiniciar o exercício. Outro modo de correção para a perda de encurvatura é intercalar alguns passos de "espádua à dentro" durante o "apoio".
Os defeitos nos "apoios" podem ser os mesmos do que no "travers e renvers". Se o erro não está na condução do cavaleiro e sim na dificuldade do cavalo, retoma-se o treino das figuras de "espádua à dentro, travers e renvers". É melhor dar um passo para trás no treinamento, sanando os defeitos, do que forçar um exercício mal feito que trará vícios futuros. Se os "posteriores ficam à frente das espáduas", o cavalo perde impulsão e normalmente os membros só cruzam e não avançam. Para correção, a perna interna do cavaleiro atua mais, as duas mãos trazem as espáduas adiante e com o uso constante do assento o cavalo desenvolve a impulsão, se posicionando corretamente, cruzando e avançando com fluência novamente. Se o pescoço do cavalo está demasiadamente "encurvado", (porém sem encurvatura nas costelas) e a garupa não acompanha o movimento, então a ajuda da perna externa do cavaleiro deve ter mais ação, pedindo mais atividade dos posteriores, mais encurvatura pela perna interna do cavaleiro e menos exagero na encurvatura de pescoço. Quando o cavalo tem dificuldade de se manter encurvado, é aconselhável como mencionado acima, intercalar durante alguns passos o exercício de "espádua à dentro" para retomar novamente o "apoio". Como em outros exercícios laterais, citados anteriormente, é aconselhável iniciar o ensinamento do "apoio" na andadura de passo para que o cavalo possa com calma assimilar as ajudas e manter a sua coordenação motora. Depois que este está confirmado ao passo, é que se começa o mesmo ao trote, mas em curtas distâncias, pois além de ser difícil para o cavalo manter este exercício por muito tempo, não permite que ele apresente defeitos e reações - finalmente quando confirmado ao trote pede-se este movimento ao galope, que exige mais engajamento e sustentação nos posteriores. Vários cavalos que foram iniciados precocemente no exercício de apoio ao galope, sem ter consistência nos exercícios preparatórios, apresentam esta figura com tensão, desequilíbrio, posteriores abertos, espáduas amarradas, e reação à embocadura. Na iniciação deste exercício é comum acontecerem defeitos como entortar o pescoço, entesourar, focinho para um lado e nuca para outro, deixando assim uma orelha mais baixa que outra. Como correção deve-se endireitar o cavalo novamente e pedir alguns passos para frente com impulsão, para que encoste na embocadura corretamente.
http://www.horseworldbrasil.com.br/adestramento20073.htm
Travers e Renvers
Travers" ou Ladear de Cabeça ao MuroO cavalo é ligeiramente encurvado em redor da perna interior do cavaleiro, Os membros do lado exterior cruzam os do lado interior, O cavalo olha na direcção do movimento, A cabeça ao muro executa-se ao longo do muro ou sobre a linha do meio. O travers pode ser executado em um trote reunido ou em galopereunido. O cavalo fica ligeiramente curvado em direção da perna de dentro docavaleiro, porém com um grau mais acentuado do que no exercício de espádua para dentro. Um ângulo constante de aproximadamente 35 grausdeve ser apresentado (de frente e de trás, são quatro pistas). A antemão continua na trilha e a garupa é conduzida para dentro. As pernas de fora do cavalo passam e cruzam na frente das pernas de dentro. O cavalo se curva na direção em que está se movimentando. Para iniciar o travers, a garupa deve deixar a pista ou, após um canto ou um círculo, não voltar à pista. Ao final do travers os posteriores voltam à pista (sem a contraflexão da nuca/pescoço) como se terminassem um círculo. Objetivo do travers: mostrar um movimento de trote reunido em uma linha reta e em uma curvatura correta. Anteriores e posteriores se cruzam, e o equilíbrio e a cadência são mantidas.
"Renvers" ou Ladear de Garupa ao MuroÉ o movimento inverso da cabeça ao muro, com a garupa seguindo o muro em vez da cabeça,quanto ao resto, todos os princípios e condições respeitantes à cabeça ao muro são válidas também para a garupa ao muro. Renvers é o movimento inverso em relação ao travers. Os posteriores continuam na pista enquanto a antemão é movida para dentro. Para terminar o renvers, a antemão fica alinhada com os posteriores na pista. de fora do cavalo passam e cruzam em frente das pernas de dentro. O cavalo se curva na direção em que se movimenta. Objetivo do renvers: mostrar um movimento de trote reunido fluente numa linha reta com um grau de curvatura maior do que uma espádua para dentro. Anteriores e posteriores se cruzam, e equilíbrio e cadência são mantidos.
Shoulder-In : Espádua a Dentro
Neste trabalho lateral (em seqüência ao "ceder à perna") o cavalo agora "encurva" sua coluna, avançando para frente e lateralmente. Sendo executada em andadura reunida (passo ou trote), deve-se manter sempre a cadência e a impulsão. Este exercício é feito somente quando o cavalo já se equilibra bem nas linhas retas, mantém com facilidade exercícios em círculos (grandes) e voltas (pequenas). Já executa o "ceder à perna" com um certo grau de reunião como também a sustentação nos posteriores. Se o cavalo ainda não domina estes itens, surgirão problemas como "desequilíbrio de espáduas" e "imperfeição na cadência". Posicionamento Esta lição deve ser feita após o trabalho de aquecimento e descontração, encurvatura e o "Ceder à perna". No início a “Espádua à dentro” é feita primeiramente ao passo para que o cavalo possa aprender com mais facilidade e entender as ajudas. O cavaleiro se concentra para que esteja sentado corretamente na linha da coluna do cavalo, seus ombros paralelos às espáduas e sua bacia paralela à bacia dele, permanecendo assim em equilíbrio conjunto, ativando mais o peso do seu assento no lado interno, mas cuidando para não torcer a cintura.Execução e meta de ginástica
A “Espádua à dentro” é um exercício preparatório para as figuras de "Travers" ( cabeça ao muro), "Renvers" ( garupa ao muro) e "Apoios".
Mais concentração de peso nos posteriores e sustentação dos mesmos, abaixamento das ancas e mobilidade dos curvilhões - aumento de engajamento e reunião. Sendo um exercício mais exigente, as ajudas são mais intensas, o cavalo se mantém mais facilmente na cadência na sua diagonalização e impulsão. Pela encurvatura de toda a coluna o cavalo trabalha corretamente nas duas mãos, melhorando assim sua retidão. Exercitando os posteriores, encurvando a coluna e ativando os anteriores, aumenta a liberdade e elasticidade das espáduas. O movimento lateral e para frente aumenta a obediência às pernas, facilita a descontração do cavalo e melhora seu equilíbrio. A iniciação para a “Espádua à dentro” pode ser feita com o exercício de "espádua à diante", que seria uma discreta “Espádua à dentro”, com menos ângulo de espáduas e menos encurvatura da coluna.
Antes de iniciar a “Espádua à dentro” dá-se uma meia parada, para chamada de atenção e organização de equilíbrio. A rédea interna, junto com a rédea externa, traz as espáduas para dentro do picadeiro (a rédea interna não deve jamais encurvar demais o pescoço e nem bloquear as espáduas). A rédea externa mantém as espáduas na sua posição de equilíbrio sem restringir a liberdade de movimentação. O peso do cavaleiro está mais sobrecarregado no lado interno da bacia e seus ombros permanecem paralelos às espáduas. A perna interna do cavaleiro, logo atrás da barrigueira, mantém a encurvatura (pelas costelas) e ativa o posterior interno, que se engaja e avança. A perna externa do cavaleiro, mais atrás da barrigueira, garante a manutenção da encurvatura externa e o posicionamento dos posteriores. No final da “Espádua à dentro”, endireitam-se as espáduas na parede usando a rédea externa e a perna interna.
Normalmente se executa a “Espádua à dentro” ao longo da parede, iniciada logo após o canto, de modo que o cavalo já está encurvado e preparado para o exercício, ou também como treinamento de flexibilidade, em círculos grandes. Se durante o exercício o cavalo perde a encurvatura, o ritmo e a impulsão, pede-se a retidão novamente, fazendo o encostar novamente nas duas rédeas, nas duas pernas, buscando a impulsão, retidão e contato correto.
Erros e correções
Um defeito comum é o desequilíbrio da espádua externa (o cavalo tende à voltar com a espádua para a parede, não sustentando o ângulo) causado pela ação demasiada da rédea interna.A aceitação e contato da rédea externa mantém o ângulo e equilíbrio. Outro erro é o cavalo entesourar a cabeça ( isto é, o focinho vai para um lado e a nuca pende para outro). Isto acontece quando o cavaleiro trava a rédea externa impedindo a encurvatura natural, ou quando não está corretamente encostado nos dois lados da embocadura. Então é necessário buscar novamente a retidão e impulsão. Não é correto o cavalo encurvar demais o pescoço e manter a sua coluna reta, sem flexionamento e sem ângulo de espáduas. Isto pode ser ocasionado por ação demasiada da rédea interna, pouca ação da perna interna ou rédea externa. Como correção, intercalar círculos e voltas para maior atenção às ajudas e flexibilidade de coluna. Outro problema é o cavalo ficar atrás da mão, não encostando corretamente, perdendo a cadência e fluência como também a impulsão. Corrigir então na linha reta o contato e impulsão. Quando o cavalo está aprendendo este exercício, ou quando ele está apresentando estes defeitos acima citados, deve-se fazer o mesmo em um pequeno trecho ( dez a quinze metros somente), pois é melhor buscar qualidade em um curto espaço, do que quantidade. Exercícios intercalados :Espádua à dentro, volta e espádua à dentro. Espádua à dentro na linha do meio. Espádua à dentro no círculo. A “Espádua à dentro” é feita ao passo e trote – pode também ser feita ao galope, porém com menos ângulo ( este exercício propicia um bom engajamento e reunião dos posteriores, além de melhorar a retidão da garupa na parede e durante a figura do alto). Se bem executada exibe um cavalo flexível, enquadrado, com reunião, equilíbrio, elasticidade de espáduas, com boa diagonalização e cadência.

Leg Yielding : Ceder a Perna
Este é o primeiro exercício, e o mais fácil, para ensinar o cavalo no trabalho em duas pistas, pois não exige encurvatura da coluna. Sua iniciação só deve ser feita quando o cavalo já domina bem o trabalho em círculos grandes, meias voltas, com equilíbrio e cadência se apoiando corretamente nos dois lados da embocadura, conseguindo se sustentar e colocar seu peso nos posteriores. Deve-se iniciar esta figura ao passo primeiramente, posteriormente ao trote elevado (de trabalho), para que o cavalo aprenda as ajudas e entenda o que lhe é solicitado, com calma e com tempo para assimilação. O "ceder à perna" é um exercício feito normalmente em diagonais ou meias diagonais - o cavalo se desloca para o "lado e para frente", sempre paralelo ao picadeiro, cruzando os membros sem se tocarem. Há uma bem leve flexão de pescoço para o lado oposto ao qual ele marcha. Posteriormente este exercício pode ser feito na parede ou no círculo. No "ceder à perna esquerda", o cavalo marcha para a "direita"; a perna esquerda do cavaleiro solicita o deslocamento lateral para a direita, a perna direita do cavaleiro mantém a impulsão, cuidando para que o cavalo não cruze demais os membros. A rédea esquerda pede uma leve flexão para a esquerda,enquanto que a rédea direita mantém o equilíbrio da espádua e regula a posição do pescoço. O apoio nas rédeas deve ser igual. O cavalo deve estar colocado na mão, pescoço redondo, sem tensões torções ou desequilíbrio no contato da embocadura. Suas espáduas ficam livres e elásticas sem a interferência demasiada da mão do cavaleiro. Este exercício propicia uma maior flexibilidade e atividade de espáduas (agora em movimento lateral), como a reunião dos posteriores, coordenação motora, melhorando também a cadência. O cavaleiro mantém os ombros paralelos às espáduas do cavalo assim como a sua bacia paralela à dele, o seu peso está colocado na direção do movimento e a ação de pernas mais determinantes do que a ação das mãos. As mãos só impedem o movimento para frente quando o cavalo não permanecer em duas pistas. O importante é o cavalo aprender o movimento lateral exigido pela ação da perna. Com o tempo ele conseguirá permanecer paralelo à parede, cruzando e avançando os membros sem dificuldade. Encontrando dificuldade, em qualquer ocasião, deve se diminuir as passadas (mais lentas), facilitando assim para o animal a compreensão e execução. (Se o ginete tem dificuldade em manter os anteriores na diagonal, pode-se traçar uma linha na areia, por exemplo do canto do picadeiro até a letra X , como um traço de apoio).Como praticar: Iniciar o exercício da seguinte maneira:No picadeiro, pista à mão direita (por exemplo), tomar a linha do meio fazendo uma meia volta - assim que o cavalo estiver paralelo à parede, iniciar o movimento do "ceder à perna direita", isto é ele se desloca para a esquerda, cruzando e avançando os membros até chegar novamente à parede. Naturalmente quanto mais fechado o ângulo, mais ele tem de cruzar seus anteriores e posteriores. Importante é o cavalo se movimentar livremente, lateralmente, permanecendo o corpo reto, paralelo à parede, com os anteriores levemente precedendo os posteriores. Outro bom exercício é fazer o "ceder à perna" pela diagonal, em seguida avançar em linha reta, e seguir novamente em "ceder à perna". A exigência é progressiva, pois no começo o cavalo só consegue aguentar algumas passadas neste movimento. Depois pode ser feito pela diagonal inteira quando o cavalo já consegue se manter por mais tempo sem perder a impulsão seu equilíbrio e descontração.Efeitos: Exercício de descontração, principalmente das espáduas, produzindo elasticidade e equilíbrio. O cavaleiro aprende a sentir como o cavalo movimenta as diferentes partes de seu corpo. Aprende também a sustar o movimento para frente, agora se deslocando para o lado em coordenação com a ação da perna do cavaleiro.Defeitos: O cavalo não mantém um bom contato na mão. Não mantém sua posição paralela à parede. Avança demais a garupa ou encurva demasiado o seu pescoço. Não mantém a constância do cruzamento dos membros. Cruza demasiado e não avança. Perde a fluência e impulsão. Corre para frente e se tensiona.
A Perna de Dentro e a Rédea de Fora
Segundo o General L’Hotte “Considerada duma maneira geral, a Equitação é a arte de reger os forças musculares do cavalo”. “Nós seremos senhores de dirigir essas forças musculares, a partir do momento em que soubermos ligar intimamente a impulsão à flexibilidade elástica das articulações”.Impulsão e flexibilidade que se combinam em proporções diferentes conforme a actividade a que o cavalo se destina. Assim, no cavalo de desporto, quer se trate de corridas, de concurso completo ou saltos de obstáculos, a impulsão, em graus diversos deve sobrepor-se à flexibilidade das articulações, enquanto a impulsão e a flexibilidade das articulações se equilibram exactamente no caso do cavalo de alta-escola. Os exercícios, os movimentos, enfim os meios que o Equitador tem ao seu dispor, para através dos três grandes princípios, calmo, para diante, direito, conseguir a submissão do seu cavalo, compreendem, já dissemos aqui no início deste trabalho, quase toda a Arte Equestre. Estudados em todos os tratados, muitos deles dando origem a obras de grande importância, assunto de muitas teses dos nossos Mestres, continuam a alimentar o entusiasmo e a tocar as sensibilidades deste mundo de fiéis apaixonados que são os homens de cavalos. Para esta Tese, escolhi dois aspectos que muito me têm "sensibilizado", que são base do meu trabalho, preocupação constante na preparação dos meus cavalos: A acção determinante da perna de dentro e da rédea de fora e a musculação e os exercícios de flexibilização.O Trabalho no Circulo
- A rédea de dentro, abrindo na direcção do joelho, mantém o cavalo sobre o círculo e dá-lhe a encurvação. - A rédea de fora determina o tamanho do círculo e o grau de encurvação; actuando sobre o posterior de fora se necessário, ela vai ajudar a perna exterior do cavaleiro que actuando atrás da cilha impede que a garupa se escape para fora e ajuda a flectir o cavalo para o lado de dentro. - A Perna de dentro, actuando junto à cilha, por vezes mesmo à sua frente, além da acção impulsiva impondo o movimento para diante, determina a flexão do posterior de dentro, actuando de modo a que o cavalo se habitue a dobrar-se à sua volta e evitando que ele "caia" para dentro do círculo. - O corpo do cavalo em toda a sua extensão, como que se enrola à volta da perna de dentro do cavaleiro. - Ela desempenha neste trabalho um papel importantíssimo, muito mais importante que o papel da rédea de dentro, frequentemente utilizada por muitos cavaleiros para manter o cavalo no círculo, chegando a transformá-lo (rédea de abertura) em rédea contrária de oposição, "puxando para trás", encapotando os cavalos, não os deixando andar para diante. Daqui resultando por um lado um pescoço contraído, a nuca baixa, o desequilíbrio, a limitação ao movimento amplo das espáduas, a contracção, a precipitação; por outro lado uma oposição permanente à impulsão, obrigando as pernas a actuar exageradamente, contraindo, precipitando os andamentos. - O cavalo, habituado a enrolar-se em volta da perna de dentro do cavaleiro, o posterior de dentro flectido, a impulsão permanentemente garantida, acaba por ceder do lado interior, encostando-se à rédea e perna de fora que então poderão regular toda a sua massa. - Ele pode agora manter-se no círculo, encurvando-se em toda a sua extensão, impulsionado, o pescoço estendido, a nuca sendo o ponto mais alto, em equilíbrio, descontraído e cadenciado.
Museler, Reitlehre
"Todos os cavalos se descontraem mais depressa quando os encurvamos em vez de os mantermos direitos. O cavaleiro dá ao seu cavalo um "pli" para o interior actuando docemente com a rédea de dentro. Neste nível de ensino (trata-se de cavalos novos), não se deve resistir com a mão exterior, mas ceder para incitar o cavalo a ceder ele também, quer dizer, dar tensão às duas rédeas, procurando o contacto com a mão. O mais importante no decurso deste trabalho é não haver perda de impulsão. Num trote regular mas enérgico, controla-se a rigidez ou contracção do maxilar, das ganachas, do pescoço, do dorso e dos membros do cavalo. Ele descontrai-se cada vez mais até que esteja equilibrado e enquadrado pelas pernas, as mãos e o peso do cavaleiro."
"O cavalo novo não tem ainda força para se manter sobre uma curva regular suportando mais peso com o lateral interno. Em consequência disso descai para o meio do círculo. Empregam-se primeiramente simples ajudas interiores até ter voltado à curva inicial. Em seguida a mão exterior resiste para impedir o cavalo de seguir sobre uma tangente. Quando o cavalo é capaz de suportar o seu peso sobre o círculo, faz-se executar uma sequência de espáduas a dentro, garupa a dentro muito, muito suaves, quase imperceptíveis. Assim atingir-se-á muito depressa o momento em que se pode conduzir o cavalo com a rédea exterior. Ele encosta-se do lado exterior, cedendo completamente do lado interior".
"O cavalo tentará defender-se deixando de entrar com o posterior de dentro que deveria suportar mais peso. Portanto o cavaleiro deve zelar para que este se desloque para junto do exterior, avançando bem. É o princípio fundamental de todo o Ensino. Observando-o, respeitando-
o, chega-se a eliminar tudo o que pode impedir o aperfeiçoamento dos andamentos e a sujeição completa do cavalo. As resistências à entrada do pé interior serão vencidos sobre linhas curvas, empurrando o cavalo bem para diante".
Burkner, Ein Reiterleben
"O sistema de N. conclui que é preciso acabar por conseguir conduzir o cavalo para as duas mãos com a rédea exterior. Para isso ele fazia trabalhar os Cavalos sobre um círculo. Metia-os a galope fazendo-os ceder à rédea interior, procurando o contacto da rédea exterior por uma viva acção da perna interior. Em seguida mudava de mão. Naturalmente trabalhava mais tempo o lado mais difícil. Para verificar o sucesso do trabalho executava uma diagonal a trote médio, que devia ser enérgico e bem cadenciado, o cavalo mantendo um contacto igual com as duas rédeas do cavaleiro".
Em seguida, confirmada esta fase, pode o cavaleiro iniciar o seu cavalo a sair do círculo junto à parede: - A perna de dentro bem à frente "aumentando a sua acção" leva o cavalo junto à teia, garantindo a impulsão e facilitando a encurvação; - A rédea interior, (rédea de abertura) abrindo para o joelho traz as espáduas para dentro e impõe e mantém a encurvação; - A rédea de fora "recebe" e conduz, garantindo e controlando o desvio das espáduas para dentro, regula a encurvação do pescoço e se necessário ajuda a acção da perna de fora evitando que a garupa se escape e facilitando a encurvação. - Dar poucos passos e voltar ao círculo; - Repetir o exercício, exigindo no princípio poucos passos e pouca inclinação em relação à parede. - Esta acção da perna de dentro sobre a rédea de fora garante uma execução harmoniosa, cavalo permanentemente impulsionado, bem encurvado, posterior de dentro bem metido, rim flexível, pescoço estendido, a nuca no ponto mais alto, andamentos elásticos e cadenciados, em equilíbrio e descontracção. - O cavalo está inteiramente diante do cavaleiro que o empurra para a frente com o seu peso e com as pernas; ele tem impressão de estar sentado justamente em cima dos posteriores e de seguir um caminho subindo.
A perna de dentro sobre a rédea de fora, funciona ainda como uma espécie de "pronto-socorro" tanto na execução como na preparação e correcção de muitos exercícios: - Nos treinos, recorrendo à espádua adentro, tanto na fase de preparação como na fase de correcção desses exercícios. - Nas provas, estando o cavalo bem confirmado neste trabalho, basta "metê-lo" no mesmo quadro de ajudas o que passa despercebido aos olhos do júri e é suficiente para garantir uma boa execução.
Alguns exemplos:
- Como preparação para o ladear (encurvando e metendo a perna de dentro) - Na preparação e execução das voltas (encurvação e equilíbrio) - Na passagem dos cantos (encurvação e equilíbrio) - Como correcção quando o cavalo se atravessa nas linhas direitas (galope para a direita, garupa a querer atravessar-se para a direita, lado do galope, quadro de ajudas de espádua direita adentro) - Nos encurtamentos e nas transições (para evitar que o cavalo saia da mão e levante a cabeça) - Como preparação para os alargamentos de trote (entrada do posterior de dentro - equilíbrio) - Na preparação para as saídas A galope (atitude e equilíbrio) - Como correcção quando um cavalo se atravessa nas passagens de mão (recebê-lo em espádua adentro) - No galope invertido (o equilíbrio, a atitude)
Martins Abrantes, Capitão, GNR, Portugal, 1981

