
Alexandre Archanjo Hospital Escola de Grandes Animais da Universidade de Brasília – UnB. alex_archanjo@pop.com.br

Exaustão é uma síndrome caracterizada por transtornos físicos e mentais, desencadeados por exercícios físicos intensos em condições de calor e umidade elevados, ocorrendo devido uma sobrecarga ou falha no sistema de termorregulação eqüina. Durante a atividade física, em condições de temperatura e umidade elevadas, a termorregulação fica comprometida e o organismo eqüino apresenta dificuldades para conseguir eliminar o calor gerado pela musculatura exercitada, acrescido do calor ambiente. Quanto maior forem a temperatura e a umidade ambiente, menor será a perda de calor. Dois mecanismos são utilizados pelo cavalo para promover a termorregulação:1 – Sudorese:A sudorese realizada pela pele, como no homem, trata-se do principal mecanismo. A eficiência da termorregulação eqüina através do suor dependerá da sua evaporação, a qual se tornará diminuída ou impedida se o ar estiver saturado de umidade.2- Ventilação: Durante a inspiração, parte do calor corpóreo é transmitido da mucosa do trato respiratório superior para o ar, que ao chegar aos alvéolos é saturado com vapor de água. Na expiração parte desse calor volta para a mucosa e ocorre uma porcentagem de condensação da água. A diferença entre o calor transferido para o ar inspirado e o calor transferido de volta para as mucosas é o resultado da perda de calor pelo trato respiratório. Quando corridas de cavalos, provas de enduro ou provas de fundo do Concurso Completo de Equitação são realizadas em climas extremamente quentes, aumentam concomitantemente as demandas de energia e irrigação sanguínea para a musculatura continuar a se exercitar, e para a pele promover a troca calórica. Para tanto, o sistema cardiovascular aumenta o seu trabalho, elevando a freqüência cardíaca e o volume sanguíneo ejetado pelo coração. Caso a perda de água e eletrólitos (sais orgânicos) através do suor for intensa, ou o cavalo apresentar-se levemente desidratado anterior a competição, o volume de sangue a ser movido pelo coração estará diminuído, a pressão arterial sofrerá queda e em resposta o coração irá trabalhar mais intensamente. Com a diminuição do volume sanguíneo, o fluxo para a pele estará diminuído, assim como a sudorese, prejudicando a termorregulação; além disso, menor quantidade de substratos energéticos chegarão à musculatura e ao sistema nervoso central podendo levar ao colapso e morte. Devido à deficiência na termorregulação, ocorrerá a hipertermia (aumento da temperatura corporal), a qual terá efeitos avassaladores sobre todos os tecidos orgânicos, principalmente, cérebro, coração, vasos sanguíneos, rins, fígado, pulmões e musculatura esquelética. O rápido reconhecimento e o tratamento da condição reduzem a severidade da síndrome de exaustão. Os animais afetados apresentam sinais de stress, fadiga significativa, desidratação, e elevação persistente da freqüência cardíaca e respiratória. Nos animais com bom condicionamento físico e boa função do sistema termorregulatório, após um período de repouso de 30 minutos, a freqüência cardíaca deve baixar para menos de 55 batimentos por minuto, a respiratória para 25 movimentos respiratórios por minuto e a temperatura corporal para menos de 39,5° C. Qualquer animal que apresente uma elevação significativa e persistente da freqüência cardíaca e respiratória, ou da temperatura retal, não deve continuar o exercício ao qual estava sendo submetido. Estes animais devem receber pequenas quantidades de água fresca, em intervalos freqüentes, e permitido o acesso a uma comida palatável, além disso, devem ser observados de perto até a sua completa recuperação. Cavalos que apresentarem uma elevação marcante da temperatura retal (maior que 40,5°C) devem ser resfriados o mais rápido possível. Banhos de mangueira com água fria sob a briza natural em um ambiente aberto auxiliam na perda de calor por convecção e evaporação. Atenção especial deve ser dada no resfriamento da cabeça, do pescoço e de grandes vasos subcutâneos entre os membros posteriores. Enemas com água fria e administração de fluidos via sonda nasogástrica também auxiliam na diminuição da temperatura corpórea. A fluidoterapia deve ser instituída imediatamente nos animais que apresentarem sinais severos ou que não responderem de forma efetiva ao tratamento conservador dentro de 30 minutos. O volume exato e a via de administração irão depender da severidade dos sinais clínicos. Na grande maioria das vezes a via de eleição é a intravenosa, e o volume a ser administrado pode ser superior a 50 litros de solução isotônica. Os animais afetados por síndrome de exaustão não devem ser transportados nas 12 a 24 horas subseqüentes, porque uma alta atividade muscular está associada ao transporte prolongado, o que aumenta os riscos do desenvolvimento de problemas pós-exaustão. Isto inclui problemas musculares severos, laminite (aguamento) e falência renal. Os riscos de um animal desenvolver síndrome de exaustão são reduzidos com uma preparação adequada e um manejo cuidadoso durante as competições, sempre levando em conta os efeitos das condições climáticas (umidade relativa do ar e temperatura ambiente) durante o evento.
Um dos conceitos que define esse recurso terapêutico se refere a ele como um conjunto de técnicas reeducativas que atuam para superar danos sensoriais, cognitivos e comportamentais e que desenvolvem atividades lúdico-esportivas utilizando o cavalo” (Cittério, 1999). A equoterapia é um recurso terapêutico que pode ser aplicado as áreas de Saúde (portadores de necessidades especiais físicas, sensoriais e/ou mentais); Educação (indivíduos com necessidades educativas especiais) e Social (indivíduos com distúrbios evolutivos e/ou comportamentais). Os efeitos terapêuticos que podem ser alcançados com a equoterapia são de quatro ordens (Garrigue, 1999): • melhoramento da relação: considerando os aspectos da comunicação, do autocontrole, da autoconfiança, da vigilância da relação, da atenção e do tempo de atenção; • melhoramento da psicomotricidade: nos aspectos do tônus, da mobilidade das articulações da coluna e da bacia, do equilíbrio e da postura do tronco ereto, da obtenção da lateralidade, da percepção do esquema corporal, da coordenação e dissociação de movimentos, da precisão de gestos e integração do gesto para compreensão de uma ordem recebida ou por imitação; • melhoramento de natureza técnica: facilitando as diversas aprendizagens referentes aos cuidados com os cavalos e o aprendizado das técnicas de equitação; • melhoramento da socialização: facilitando a integração de indivíduos com danos cognitivos ou corporais com os demais praticantes e com a equipe multidisciplinar. A equoterapia exige a participação do corpo inteiro do praticante, contribuindo assim para o seu desenvolvimento global. Quando o cavalo se desloca ao passo, ocorre o movimento tridimensional do seu dorso; portanto, há deslocamentos segundo os três eixos conhecidos (x, y, z), ou seja, para cima e para baixo, para frente e para trás, para um lado e para outro. Tal movimento é transmitido ao cavaleiro pelo contato de seu corpo com o do animal, gerando movimentos mais complexos de rotação e translação.Os deficientes visuais constituem-se como o grupo que apresenta, talvez, as maiores e mais antigas preocupações, tanto para as ciências como para a filosofia. Filósofos têm teorizado sobre o fato de os olhos possuírem uma relação mística com a alma. A história nos relata sanções relacionadas à perfuração dos olhos como punição por crimes sexuais e sociais. Outros textos mostram os cegos reverenciados como adivinhos ou considerados como transmissores verbais das tradições e dos valores culturais. Até os dias atuais as atitudes para com os indivíduos cegos são diferenciadas e se revestem de benevolência social ou veneração pelo trabalho que realizam. Superstições e atitudes carregadas emocionalmente com freqüência estão associadas à cegueira. O público em geral considera a cegueira como a perda física mais limitadora que existe (Amiralian, 1997). A característica específica da cegueira é a qualidade de apreensão do mundo externo. As pessoas cegas precisam utilizar-se de meios não usuais para estabelecerem relações com o mundo dos objetos, das pessoas e das coisas que as cercam: essa condição imposta pela ausência de visão se traduz em um peculiar processo perceptivo, que se reflete na estruturação cognitiva e na organização e constituição do sujeito psicológico (Amiralian, 1997). O que não se pode desconhecer é que o deficiente visual tem uma dialética diferente, por causa do conteúdo que não é visual e da sua organização cuja especificidade é a de referir-se ao tátil, auditivo, olfativo, cinestésico. Dispor de todos os órgãos dos sentidos é diferente de contar com a ausência de um deles: muda o modo próprio de estar no mundo e de se relacionar (Mansini, 1994). O desenvolvimento humano se dá por meio de vivências e experiências que, no caso da criança cega, são mais restritos e limitados, o que pode acarretar uma lentidão e até mesmo dificuldades em seu processo de maturação. As crianças cegas congênitas constroem a imagem do mundo pelo uso efetivo dos outros sentidos, daí a necessidade de estimulação dessas estruturas sensoriais para compensar a ausência da visão e diminuir a defasagem psicomotora.
O desenvolvimento motor normal é caracterizado pelas aquisições nos sentidos crânio-caudais e próximo-distais, ou seja, iniciando o ganho do controle postural pela musculatura cervical, seguida de tronco e pelve. O desenvolvimento próximo-distal se inicia pelas articulações mais próximas da linha média, para então as mais laterais. Segundo Kandel; Schwartz e Jessel (1997), os músculos axiais (tronco) e apendiculares (proximais) do homem são usados na manutenção do equilíbrio postural, enquanto os músculos distais são utilizados para atividades manipulatórias. A importância do controle postural e da manutenção do equilíbrio se dá pelo fato da necessidade destes para um bom desempenho nas atividades motoras finas, como preensão, alcance e escrita.Assim, segundo Medeiros e Dias (2002), o ato motor baseia-se em duas atividades: a desentir e perceber, e a de realizar movimentos. Estimulando os três sistemas sensoriais (sistema vestibular, sistema visual e sistema proprioceptivo), a equitação terapêutica facilitará o aprendizado motor, levando a mudanças na organização e número das conexões neurais, chamado de plasticidade neuronal.O sistema vestibular é estimulado a partir da movimentação da endolinfa. O aparelho vestibular é o órgão que detecta as sensações de equilíbrio, e é composto por um sistema de tubos e câmaras no labirinto ósseo. Dentro deste está o labirinto membranoso, que é composto pela cóclea, por três canais semicirculares e por duas grandes câmaras chamadas utrículo e sáculo, responsáveis pelo equilíbrio.Os três canais semicirculares são sensíveis às acelerações angulares (rotações). O utrículo e sáculo são sensíveis às acelerações lineares (translações e a gravidade). A combinação dos dois sistemas assegura a percepção de todas as acelerações possíveis. O processo de estimulação vestibular se inicia com o fundamento da semelhança da marcha humana com o andar do cavalo. É através do conhecido movimento tridimensional que o cavalo promove no corpo do indivíduo montado sobre seu dorso, que a musculatura do tronco é ativada, de maneira a impedir a queda pelas oscilações constantes. Quando sobre o cavalo, o indivíduo está exposto a estas oscilações de maneira bem peculiar. Partido do animal parado, e iniciando o seu deslocamento pela pata posterior direita, o membro seguinte a se deslocar será a pata anterior esquerda. Desta maneira, a pelve do cavaleiro recebe estes movimentos, desencadeando o processo de recrutamento muscular e ajuste tônico para evitar a queda. Movimentos verticais da garupa Baumann (1978) extraída de Uzun (2005) Movimentos átero-laterais da garupa Baumann (1978) extraída de Uzun (2005) Nos casos de lesões neurológicas, onde estas reações estarão comprometidas, o cavalo beneficia o aprendizado motor através da repetição dos movimentos oscilatórios da pelve e tronco. Sendo a hipoterapia uma técnica essencialmente direcionada à reabilitação, é voltada para pessoas portadoras de deficiência física e/ou mental.9 A escolha adequada do animal, ou seja, a freqüência do passo, é de suma importância para se obterem as respostas posturais adequadas para cada paciente. O animal que apresentar um número maior de passadas por minuto (antepistar) irá ativar os receptores proprioceptivos intrafusais, que só respondem a estímulos rápidos, como também os receptores articulares que respondem à pressão, gerando aumento do tônus, indicado para pacientes hipotônicos. Em contrapartida, quando o cavalo apresentar uma freqüência baixa de passos (transpistar), diminuirá a velocidade de inputs dos estímulos proprioceptivos, mantendo o movimento rítmico e cadenciado, estimulando assim o sistema vestibular de forma lenta, contribuindo para diminuição do tônus muscular de todo o corpo, sendo indicados principalmente para pacientes hipertônicos. Para melhor análise das atividades musculares realizadas durante estas terapias, observamos inicialmente indivíduos sem alterações neurológicas, analisando assim apenas variações de recrutamento muscular, sem possíveis interferências de espasmos musculares ou desvios posturais . Participaram deste estudo 9 sujeitos, com idades entre 20 a 25 anos, sexo feminino, sem alterações motoras. O critério de inclusão no estudo foi apresentar bom estado geral, sem dores ou alterações posturais. A montaria foi realizada em uma égua de 13 anos, sem raça definida. O espaço utilizado foi um picadeiro de 20 X 60 metros, solo de areia.Para análise quantitativa dos resultados, foram utilizados aparelho de eletromiografia de superfície da marca MIOTEC® e software Myography® com 4 canais. Para a montaria, foi utilizada manta de atendimento, tipo “galope”, sem alças ou estribos. A coleta era iniciada com a colocação de eletrodos circulares pré-geldados de cloreto de prata Medtrace®, espaçados 2.5cm entre eles, sendo posicionados no ponto motor dos músculos eretores lombares, de acordo com a técnica sugerida por Cram et al. (1998). Os sujeitos foram observados primeiramente no solo, para então montarem no cavalo. Todas as posturas foram coletadas no mesmo dia, sendo que a ordem da coleta foi, respectivamente: com o cavalo ao passo, no qual o sujeito se encontrava montado com o corpo direcionado para a frente, sempre tendo como referência a cabeça do cavalo, e de costas à cabeça do cavalo – dorsal. Com o cavalo ao passo rápido foram coletadas as mesmas posturas, num percurso linear de 20 metros. Durante este período os sujeitos se mantiveram por todo o tempo se sustentando sozinhos, sem auxílio de qualquer terapeuta, porém ao lado havia dois terapeutas, para a segurança do paciente, e um condutor para o cavalo. Freqüência do cavalo transpistar (Medeiros, Dias, 2002) Para coleta dos dados, foi utilizado notebook conectado ao aparelho eletromiográfico, sobre um suporte estável, porém móvel, que se manteve acompanhando lateralmente o cavalo durante as coletas. Para análise dos dados foi considerada a média do recrutamento muscular em cada tarefa.O estudo foi baseado na análise dos dados obtidos do resultado da eletromiografia. A análise estatística utilizada foi o Teste de Wilcoxon, que possui nível de significância de 0,05 (5%).Analisando os dados obtidos, comparamos as seguintes posturas, iniciando pelos resultados da comparação dos movimentos para a posição frontal: Concluímos que existe diferença média estatisticamente significativa entre as velocidades para a posição Frontal somente nos valores de média, onde inclusive, a média da velocidade rápida é de fato maior que a média da velocidade lenta. Para pico não foi encontrada diferença significante entre as velocidades. Continuaremos comparando as velocidades, mas agora para a posição de dorsal. Média Pico
Dorsal Dorsal Dorsal Dorsal
Lento Rápido Lento Rápido
Média 56,89 77,22 103,11 142,44
Mediana 47,5 56 75 85,5
Desvio Padrão 44,92 61,31 89,81 120,77
Limite Inferior 36,14 48,90 61,62 86,65
Limite Superior 77,64 105,54 144,60 198,24
p-valor 0,001 0,004
Para a posição de dorsal, concluímos que existe diferença significante entre as velocidades, tanto para a média quanto para o pico. Averiguamos ainda que em ambas as situações a maior média se encontra sempre na velocidade rápida.
Média Pico
Frontal Frontal Frontal Frontal
Lento Rápido Lento Rápido
Média 30,00 38,00 57,11 67,44
Mediana 25,5 28,5 47 65,5
Desvio Padrão 21,40 24,70 39,20 31,12
Limite Inferior 20,11 26,59 39,00 53,07
Limite Superior 39,89 49,41 75,22 81,82
p-valor 0,009 0,107
Concluímos que existe diferença média estatisticamente significativa entre as velocidades para a posição Frontal somente nos valores de média, onde inclusive, a média da velocidade rápida é de fato maior que a média da velocidade lenta. Para pico não foi encontrada diferença significante entre as velocidades.Continuaremos comparando as velocidades, mas agora para a posição de dorsal.
Média Pico
Dorsal Dorsal Dorsal Dorsal
Lento Rápido Lento Rápido
Média 56,89 77,22 103,11 142,44
Mediana 47,5 56 75 85,5
Desvio Padrão 44,92 61,31 89,81 120,77
Limite Inferior 36,14 48,90 61,62 86,65
Limite Superior 77,64 105,54 144,60 198,24
p-valor 0,001 0,004
Para a posição de dorsal, concluímos que existe diferença significante entre as velocidades, tanto para a média quanto para o pico. Averiguamos ainda que em ambas as situações a maior média se encontra sempre na velocidade rápida.Continuando, vamos comparar a posição frontal versus dorsal para o passo rápido:
Média Pico
Frontal Frontal Frontal Frontal
Rápido Rápido Rápido Rápido
Média 38,00 77,22 67,44 142,44
Mediana 28,5 56 65,5 85,5
Desvio Padrão 24,70 61,31 31,12 120,77
Limite Inferior 26,59 48,90 53,07 86,65
Limite Superior 49,41 105,54 81,82 198,24
p-valor 0,002 0,006
Averiguamos que, também para o movimento rápido, existe diferença entre as posições que são consideradas estatisticamente significantes, tanto em média quanto em pico. Verificamos ainda que a média da posição dorsal é sempre a maior que a média da posição frontal.O presente estudo foi realizado apenas em indivíduos sem comprometimento motor, com o intuito de excluir possíveis interferências de tônus ou alterações de equilíbrio. A análise comparativa foi realizada através de testes estatísticos individuais, ou seja, a variação do recrutamento muscular foi vista de acordo com os dados do indivíduo com ele mesmo, para então serem pareados com os demais.Com isto, pudemos observar a interferência direta da velocidade da andadura do cavalo no grau de recrutamento muscular, como também a mudança de postura variandosignificativamente o recrutamento muscular. A variação do passo no cavalo, velocidade, estimulação da direção e equilíbrio têm comoresposta o deslocamento do centro de gravidade do paciente, facilitando na dinâmica daestabilização postural e restabelecimento da desordem motora.1,4,7,8 Portanto, é necessário que o paciente aumente o recrutamento muscular para manter-se sobre o cavalo, o que se pôde observar na diferença de ativação da musculatura analisada deste em quaisquer das posturas, em comparação tanto com o cavalo no passo lento, como deslocando-se em maior velocidade – sempre mantendo a andadura ao passo. O sistema nervoso central interpreta estes desequilíbrios como instabilidades posturais capazes de provocar queda, respondendo com aumento do tônus postural. Assim, os eretores da coluna são ativados como forma de manter suas reações de equilíbrio. Gusman e Torre (1998) definem que as reações de equilíbrio servem para ajustar a postura, manter e recuperar o equilíbrio antes, durante e depois do deslocamento do seu centro de gravidade. O estudo da atividade muscular durante os movimentos do passo do cavalo é de suma importância para o fisioterapeuta, podendo este, a partir destes dados, realizar as mudanças posturais de forma mais direcionada a cada paciente. Com os resultados obtidos, pudemos concluir que a postura dorsal solicitou sempre maior ativação muscular dos eretores lombares, conseqüentemente, é a postura que irá trabalhar com maior intensidade o controle do tronco. Na prática clínica nos deparamos com alguns pacientes que apresentam limitações articulares, decorrentes de espasticidade severa, encurtamentos musculares, e outras complicações. Estas limitações muitas vezes impedem as mudanças posturais que poderiam ser realizadas numa sessão de hipoterapia. Com isto, o trabalho baseado na velocidade do passo do cavalo tornase essencial para o direcionamento do ganho motor desejado a determinados pacientes. Vimos neste estudo que o recrutamento muscular variou significativamente nas mudanças da velocidade do passo do cavalo, o que na prática significa que, mesmo sem alterar a postura sentada no cavalo, podemos recrutar de diferentes formas e intensidades a musculatura do tronco, variando assim a intensidade do trabalho postural, sem precisar deslocar o paciente sobre o cavalo. Com isto, sugerem-se futuros estudos aplicados a patologias diversas, traçando assim a conduta terapêutica mais adequada para cada patologia tratada.
Autora: Rebeca de Barros Santos Co-autores: Fábio Navarro Cyrillo,Mayari Ticiani Sakakura,Adriana Pagni Perdigão,Camila Torriani

Introdução : Os primeiros momentos que antecedem qualquer competição esportiva são o bastante para fazer o coração de qualquer atleta bater mais forte. A ansiedade é um estado emocional negativo com sentimentos de nervosismo, preocupação e apreensão São vários os fatores que influenciam na ansiedade e na tensão competitiva que foram observados e estudados neste trabalho. Alguns sinais como batimentos cardíacos alterados, respiração, mãos frias e úmidas, necessidade de urinar freqüentemente, sudorese, diálogo interior negativo, olhar aturdido, tensão muscular aumentada, estomago embrulhado, indisposição, dor de cabeça , alguns destes sintomas foram observados no dia da competição.Quais os motivos que desencadeiam este estado emocional e como o psicólogo do esporte poderá atuar neste esporte.Metodologia : Os métodos utilizados foram de observação, questionamento e investigação de alguns dos meios externos relacionados à postura dos iniciantes. Foram feitas pesquisas de campo por meio de acompanhamento de seis indivíduos com idade entre 10 e 13 anos,cinco do sexo feminino e um do masculino que iriam competir em uma prova hípica pela primeira vez e tinham no mínimo um mês de experiência na escola de equitação. Este grupo foi observado no treinamento e nas competições hípicas. Foram feitas entrevistas com os pais, instrutores e com os próprios atletas.Para medir a freqüência cardíaca do grupo foram utilizados monitores marca(POLAR A3 )foram medidos em repouso, em treinamento e na competição. Ainda foi procedida pesquisa bibliográfica, uma vez que o assunto tem pouquíssimo material disponível no que se refere a psicologia do esporte aplicada a equitação. Resultados : Na observação realizada medindo a frequência cardíaca das crianças no paddock (logo antes de entrarem na pista de competição) e na avaliação através de observação dos sintomas gerais de ansiedade, pudemos perceber que ao montar para participar de uma prova o nível de ansiedade dos pesquisados já estava alterado.Os resultados de todos os pesquisados demonstrou em média um aumento de 30bpm(batimentos por minuto)da freqüência cardíaca de repouso para a freqüência no paddock, e de 70bpm para a freqüência cardíaca ao terminar a prova. Por conta dos questionários e observações e nos treinos e mesmo nas prova, verificamos ainda que os pais têm um papel muito grande no desempenho de seus filhos. Talvez mais do que os instrutores. Suas atitudes e comportamentos têm efeitos muito importantes, tanto positiva como negativamente. Portanto, segundo (Weiberg e Gold), a participação bem sucedida dos pais no esporte pode ser difícil, mas vale a pena. Foi extremamente eloqüente o resultado de nossa observação, onde o sujeito que tinha os pais de perfil psicológico mais calmo, sem demonstrar nervosismo, preocupação excessiva e ansiedade , apresentou os melhores resultados entre as crianças observadas, enquanto que o sujeito que tinha os pais com maiores alterações teve a pior performance entre todos os pesquisados. Em treinamento e competição, todos os cavaleiros estão sujeitos a ansiedade e stress, e possivelmente aqueles que melhor sabem lidar com isto são aqueles que conseguem as melhores classificações. Portanto a Psicologia do Esporte torna-se praticável na Equitação a partir do momento que poderá criar para os cavaleiros numerosas oportunidades para mudar seus antigos hábitos e atitudes, de perceber o que compromete sua performance ou o divertimento no esporte. Oferece aos cavaleiros uma variedade de formas que irão melhorar sua confiança, competência e auto-controle. Pode-se trabalhar individualmente cada cavaleiro, treinador e seus pais e criar rotinas individuais para cada um deles dentro de suas necessidades. A Psicologia do Esporte poderá ajudar no controle do temperamento das pessoas quando intenso demais e ensinar os praticantes a se divertirem. Se divertir no processo de montar em
Assim como outros animais, o cavalo teve seu processo evolutivo ligado à necessidade de adaptação para sobrevivência em seu meio. Seus caracteres físicos e padrões comportamentais o definem historicamente como “animal presa”. Seus tradicionais predadores são os carnívoros de grande porte de diferentes espécies. Seus órgãos dos sentidos especializaram-se na detecção de sinais de proximidade do inimigo e seu aparelho locomotor adquiriu excepcional mecânica para desenvolvimento de velocidade, tipificando-o como animal “fugidio”. A compreensão do funcionamento desses sistemas é fundamental para o alcance de bons resultados nas competições de hipismo. Assim, preferindo a fuga ao confronto com o inimigo, os eqüinos têm, na visão, no olfato e na audição, seus principais, rápidos e eficientes meios de percepção do perigo, responsáveis pelo acionamento de seus mecanismos de defesa (morder,manotear ou coicear e/ou fugir). A visão do cavalo é peculiar e seu primário d
etector de ameaças. O formato dos olhos, a distância entre eles e sua localização, o permitem enxergar de duas formas diferentes, a monocular e a binocular, abrangendo um campo de visão de quase 360 graus na horizontal (com uma área de visão nula atrás e um ponto cego imediatamente à frente dos olhos) e 180 graus na vertical. A despeito dessa amplitude, não conseguem enxergar com nitidez em todas as direções e distâncias, mas são extremamente sensíveis a variações e movimentos muitas vezes não perceptíveis ao homem, assustando-se com facilidade. Na busca de melhor ângulo visual, movimenta a cabeça para ajustar o foco, que é muito prejudicado em distâncias inferiores a 1.20m-1.30m (elevando a cabeça para ver objetos próximos e abaixando para enxergar objetos distantes).Com relação ao olfato dos eqüinos, sabe-se que seu tecido epitelial abrange área superior a 100 vezes a média do mesmo tecido encontrada nos humanos. Sua grande sensibilidade é usada para localizar e selecionar alimentos, para identificarem-se uns aos outros, bem como na percepção da hostilidade ou amigabilidade de outras espécies. Cavalos parecem, em geral, distinguir com facilidade feronômios e odores considerados ameaçadores em geral (como adrenalina, por exemplo), o que normalmente os deixa excitados e difíceis de controlar. O sentido da audição nos cavalos é particularmente bem desenvolvido e os auxilia tanto na detecção de predadores como na comunicação com membros do rebanho. É também uma excelente ferramenta para auxiliar no processo de treinamento do cavalo-atleta. Suas orelhas, localizadas no alto da cabeça,movem-se em quase todas as direções, permitindo-os dirigi-las diretamente à fonte emissora de sons. A detecção de ruídos não familiares, em geral pode amedrontá-los e produzir reações de fuga ou aparente rebeldia.Pesquisas desenvolvidas na Univers. de Nevada (Reno - USA) concluíram que o sistema auditivo nos eqüinos é mais sensível a sons de alta freqüência, enquanto Burton F. (em Ultimate Horse Care, publicado por Ringpress Books, 1999) acrescenta que nas freqüências médias (entre 2KHz e 4KHz) a capacidade de discriminação de variações em tons e alturas é otimizada. É também de capital importância na prática dos esportes hípicos, oconhecimento de alguns aspectos da percepção tátil dos cavalos, uma vez que, nas competições, o principal meio de comunicação usado pelos cavaleiros é a transmissão de sinais através de suas pernas, mãos e assento. Esses sinais são chamados de “ajudas” e, utilizados corretamente, podem fazer o animal mover-se nos três andamentos básicos (passo, trote e galope), parar, mudar de direção, saltar obstáculos e executar exercícios atléticos em geral, da mesma forma que seu uso inadequado possivelmente gera reações negativas, movimentos não desejados, desequilíbrio, perda de sensibilidade e, inevitáveis penalizações nos concursos.Outra relevante característica comportamental dos cavalos é sua alta sociabilidade , visto que, originalmente, viviam em ebanhos com dominação hierárquica claramente estabelecida. Animais submissos em sua maioria,parecem aceitar facilmente o homem como seu líder, desde que este o trate com respeito e lhe transmita confiança.
O polo é um esporte no qual quatro jogadores por equipe montados em cavalos e golpeando um bola com um taco, tentam marcar o máximo de gols possíveis no arco da equipe rival. Os jogos são disputados em quatro tempos de sete minutos e meio, denominados chukkas.O principal objetivo do polo é conseguir marcar o maior número de gols em comparação ao seu adversário, acertando uma bola de 8 centímetros de diâmetro com um taco de 3 metros de comprimento, e fazendo-a entrar numa baliza com 7,3 metros de largura. As medidas de um campo de polo são de 275x180m, e os cavalos utilizados caracterizam-se por ter uma altura que varia entre 1,52 metros e 1,60 metros. A bola para jogar polo é branca e feita de madeira ou plástico. O taco é de cana de bambu . O jogo é disputado por duas equipes com 4 elementos cada. Estes elementos encontram-se numerados de acordo com as posições que ocupam no campo de jogo, sendo o nº1 e nº2 atacantes, o nº3 meio de campo e o nº4 defensor. Um jogo de polo dura pouco menos de uma hora, e é dividido por períodos chamados chukkas. Conforme o nível de jogo, podem variar de 4 a 6 chukkas por partida. Cada chukka tem duração de 7,5 minutos e é feito um intervalo de 3 minutos entre os chukkas. Na metade da partida é feita uma pausa de 5 minutos. Os cavalos devem ser trocados a cada chukka e só podem ser utilizados 2 vezes no mesmo jogo, podendo ser eliminados durante a partida se a sua condição física for julgada insatisfatória num dos controles veterinários que ocorrem durante a prova. Os jogos são controlados por dois juízes montados a cavalo e um árbitro que permanece fora do campo, que é consultado pelos anteriores em caso de dúvida. Os jogadores são avaliados e classificados porhandicaps numa escala de -2 a 10, sendo -2 um iniciante e 10 um jogador perfeito. Jogadores com handicap igual ou superior a 2 são considerados profissionais. Esta avaliação não é atribuída de jogo para jogo, mas sim no final de cada época. O polo tem uma particularidade que o diferencia dos outros esportes, que consiste no fato de as equipes terem de mudar de campo, e consequentemente de baliza, a cada gol que marcam. Isto acontece para que nenhuma das equipes seja beneficiada do estado do campo e das condições atmosféricas.Este artigo tem como enfoque dois praticantes de equoterapia que tiveram acrescidas em suas sessões, técnicas do jogo de pólo. O primeiro, do sexo masculino, na faixa etária entre 10 e 11 anos, portador de Paralisia Cerebral apresentava falta de concentração, e problema na visão, fazendo com que tivesse dificuldade em calcular a distância e a profundidade dos objetos que porventura estivessem a sua frente como por exemplo, um degrau de escada ou a sarjeta da rua, conseqüentemente com a junção dos dois problemas, tinha grande deficiência de equilíbrio; a segunda praticante estava com a idade de 13 para 14 anos, teve indicação de equoterapia para melhoramento do condicionamento físico, correção de postura e equilíbrio, devido a uma doença degenerativa dos músculos hoje, controlada; em comum com o primeiro praticante tinha também problemas de visão mas, com menor gravidade. O método a ser aplicado consiste em utilizar o tratamento da equoterapia, que é a utilização do cavalo como agente cinesioterapêutico onde, se deslocando ao passo, o animal produzirá um andar tridimensional muito semelhante ao andar humano, o qual será transmitido por inércia a quem estiver sobre seu dorso e fará o praticante buscar naturalmente, o equilíbrio para não cair do animal pois, estará sendo deslocado na ordem de até 5 centímetros, para cima e para baixo, para um lado e para o outro, para frente e para trás, e ainda acompanhando o movimento do dorso do cavalo, também sofrerá uma leve rotação da cintura pélvica, na ordem de 8 graus formando assim, o denominado movimento tridimensional. Desta forma, o praticante estará recebendo continuamente e de forma muito semelhante, estímulos em seu complexo muscular e terminações nervosas na ordem de 180 oscilações por minuto. Cientificamente comprovada ser a mais indicada para a saúde, sendo também estimulado o senso de equilíbrio que por um motivo ou outro, não possa ser trabalhado. Somando-se a isto, associaremos técnicas do taqueio do jogo de pólo a cavalo. O jogo de pólo possui quatro tacadas básicas normalmente, executas com o taco na mão direita devendo para os fins equoterápicos, o taco ser trocado de mão para que o praticante possa trabalhar os dois lados do seu corpo, bastando que sejam invertidos os movimentos. Necessário ressaltar que no jogo de pólo, os cavalos estarão encilhados e os jogadores dependerão muito do apoio dos estribos para maior precisão e alcance das tacadas; mas, precisão e alcance são irrelevantes para os fins da prática da equoterapia sendo que, o praticante poderá estar montado apenas utilizando manta, com ou sem cilhão e estribos. A primeira tacada é para frente, com a bola pelo lado direito do cavalo. O praticante deverá caso esteja montado com sela, apoiar-se no estribo para obter maior rotação do tronco; o antebraço e o braço devem permanecer em linha reta durante todo o movimento que começará quando o jogador, olhando para a bola, deslocará sua mão para trás e para cima do nível superior de sua cabeça. No mesmo instante, seu ombro direito e o braço se estendem ao máximo em cima da cabeça. Quanto mais potência se pretende da tacada, mais alta deverá ser a mão direita acima da cabeça. (Fotos 1, 2 e 3) . A segunda tacada também é para frente, com a bola pelo lado esquerdo do cavalo, o taco à esquerda do pescoço do cavalo deverá ser deixado cair para baixo e para frente. O praticante deverá girar o tronco em torno da cintura para a esquerda, deslocando o ombro direito o quanto puder; dependerá para isto do arreamento que estiver usando durante a sessão tentando colocar a linha dos ombros paralela à direção que se pretenda deslocar a bola. Nesta tacada, quando executada de maneira correta, o praticante ao girar os ombros, deverá sentar-se sobre a coxa esquerda, simultaneamente elevará a mão direita até a altura da face esquerda. (Fotos 4, 5 e 6) . A tacada para trás, com a bola para o lado direito do cavalo, é o terceiro modo de taqueio. O "back", como são conhecidas as tacadas em que ao bater na bola, a mesma será impulsionada no sentido cabeça-anca do cavalo o praticante dobrará ligeiramente seu corpo para a esquerda, suspendendo-se nos estribos caso esteja usando ficando sentado sobre a coxa direita. Ao mesmo tempo, o ombro direito apontará para frente e para baixo na direção da bola, enquanto a mão direita se eleva até a altura da cabeça, deixando o taco sensivelmente caído sobre o ombro esquerdo. Após armada a tacada, o taco desce em direção a bola. (Fotos7,8 e 9) . A última das tacadas básica é para trás, com a bola pelo lado esquerdo do cavalo, assim, o praticante deverá trazer a mão direita para o lado esquerdo do pescoço do cavalo. Caso esteja montado com sela, o praticante deverá suspender-se nos estribos, girando o ombro direito para frete do cavalo e o ombro esquerdo para trás, de modo que a linha dos ombros fique sensivelmente paralela à direção em que se quer taquear a bola. Ao mesmo tempo, o praticante erguerá seu braço direito quase que verticalmente, estendendo-o ao máximo e inclinando o taco para trás do braço. Estando nesta posição, bastará descer o taco passando rente ao pescoço do cavalo em direção da bola. (Foto 10, 11 e 12) . Conclusão : A prática da equoterapia constante e regular, por si só, já é um excelente método terapêutico para aquele que de alguma forma necessite de um tratamento diferenciado pois, o praticante estará recebendo tratamento especializado e sendo orientado por uma equipe interdisciplinar ao mesmo tempo em que sua atenção estará voltada para um local diferente dos consultórios convencionais pois, o praticante estará montando e muitas vezes conduzindo um animal muito maior do que ele. Os praticantes mencionados já praticavam equoterapia há algum tempo sem comprometimento cognitivo, com rapidez de raciocínio e de pequeno comprometimento físico. Estavam necessitando de um maior atrativo para que as sessões de equoterapia não se tornassem maçantes e cansativas assim, ao serem introduzidas técnicas de taqueio do jogo de pólo, esses praticantes tiveram grande desenvolvimento do condicionamento físico como também no equilíbrio pois, para taquear é necessário muita concentração para que se possa acertar a bola uma vez que, tanto o binômio cavalo/cavaleiro e a bola poderão estar: estáticos, deslocando-se no mesmo sentido, ou a inda em sentido contrários. Outro fator observado, foi a melhora de percepção dos objetos ou obstáculos pois, para que se acerte a tacada, é necessário que se tenha a noção exata da distância, da bola, com o tempo e sincronismo de todo os movimentos de rotação do tronco, braço e ante-braço que conduzirá o taco ao encontro da bola, sendo trabalhado neste aspecto, o ajuste fino de coordenação motora e novamente o equilíbrio. A equoterapia não é um esporte mas sim, um tratamento em que uma equipe interdisciplinar deverá atuar em comum acordo. Todas as adaptações e cuidados deverão ser tomados, respeitados os limites de cada praticante, para que a sua integridade física e psicológica não sejam agredidas ou desrespeitadas.
Carlos Odilon Vetrano de Queiroz - 1º Sargento do Exército Brasileiro da Arma de Cavalaria, trabalha com equoterapia desde 1994, serve atualmente no 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado em BELA VISTA-MS .
O objetivo deste trabalho é articular o estímulo neuromotor que o cavalo dá, com a atividade psicomotora em clínica de transferência, na construção da criança. O método para um lado e táticas e estratégias em atividade neuromotora do sujeito, no outro. Não há dúvidas sobre o potencial do cavalo e a equitação como geradores de estímulos sensitivos. Nossa intenção é integrar, pôr em prática, a atividade psicomotora em clínica de transferência, o terceiro corte evolutivo da atividade psicomotora com nosso método de trabalho. (Método Daniele). Desde seu início em 1900 com Jenry Wallon, a atividade psicomotora registrou três cortes evolucionários, cada um deles com suas próprias características especiais por ajudar o sujeito a integrar, corpo, gestos e posição ante os olhos dos outros, mãe, pai, terapeuta. Desta maneira, ele/ela começa construindo um conceito de corpo – corpo imaginário - corpo simbólico. Esta tática e estratégias compreendem as capacidades e incapacidades do sujeito, e constroem laços desde que numa trama de transferência. O objetivo deste trabalho é de que a criança com patologias possa reconhecer-se e existir como um sujeito no qual sua imagem do corpo está em jogo. Um modo particular de abordar um paciente, onde dois campos se encontram, o orgânico e a subjetividade, e quando eles se entrelaçam o ponto de encontro surge, que é a atividade psicomotora. Estes dois campos são representados por duas esferas que parecem estar lutando para impor seu próprio peso. Na esfera do campo orgânico estão a anatomia, a fisiologia, a patologia, e a reabilitação cinética; na esfera do campo subjetivo estão a história, os jogos, e as representações. Em um lado, a ciência empírica e as técnicas derivadas, que não podem exceder seus próprios limites, que são os de ponderar e medir, ou seja, é o campo orgânico, cuja palavra moderna parece ter mais importância. No outro lado, o campo da subjetividade, onde nós não podemos parar de nos perguntar que tipo de artifício pode medir o entusiasmo ou o tédio, o interesse ou a apatia, o prazer ou a indiferença, e a incontável quantidade de ponderações que a relação ser humano-cavalonatureza produz. E neste ponto de união aparecem algumas diferenças básicas, especialmente entre o conceito de reabilitação equestre e a restauração do termo (usado pela OMS). Na reabilitação clássica, um movimento é melhor que o anterior, o objetivo é normalizar o tom. Em nosso trabalho, o movimento é um gesto feito para ser visto pelo outro, e nós não podemos dizer que este gesto é melhor que o anterior. O mesmo acontece com nossa leitura do tom transformado em posição na estrutura do sujeito. E por esta razão que nós temos adotamos a denominação de Atividade Psicomotora Eqüestre, que implica uma modificação no conceito clássico de reabilitação, não sendo apenas um nível atingível de função ou estados, como o único parâmetro evolutivo na direção do tratamento e na relação que a transferência ocupa na etapa central. A atividade psicomotora na transferência clínica analisa a dificuldade de representar o corpo e o movimento, relacionamentos de espaço e tempo, onde o sintoma psicomotor está em vista não como o sinal de dano, mas como o resultado de um epifenômeno. Nesta clínica, a transferência vem especificamente para as exigências particulares da criança e para a sua família, que coloca o terapeuta, que representa – aquele outro – numa posição de poder em que ele ou ela não pode escolher ser ou não, está outorgada a capacidade de produzir o que está em jogo neste espaço clínico, apoiado pela psicanálise, e é onde o conhecimento corporal está representado e mais relacionado; e também ao esquema corporal, o que acontece e como curá-lo, do que à imagem física. Não há clínica psicomotora, sem corpo, sem um olhar e sem os movimentos de um sujeito; e entre o pulso do corpo e o corpo em si, entre o pulso do movimento e a operação da função motora.A presença de patologias neuromotoras implica o uso de métodos cinéticos até pelos sintomas e sinais que são visíveis em cada patologia. A maneira que eles estão localizados no sujeito responde ao singular histórico na estrutura do sujeito. Sobre o nascimento, a criança traz um equipamento básico neuromotor do sentido físico do termo que satisfará a função motora na ordem psicológica. Nós falamos de naturalidade e crescimento, que têm uma legalidade temporal. Para que estas funções se complementem, devem passar pelo campo do outro, mãe, pai, de modo que possam formar sua própria imagem, a função como criança, e a operação da função motora. Esta operação da função motora coloca prazer no movimento, pulsa, exige que o outro a estimule e erotize, move-se pelo prazer da reunião e divisão. Esta escritura pulsante de movimento cruzado pela linguagem começa a construir a imagem inconsciente do corpo e do projeto motor. Deve haver uma impressão deixada que liga com uma história o que a criança construiu e constrói, que liga a infantilidade à infância. A realização é da ordem do acontecimento, uma experiência singular, estabelecida por exemplo nas conquistas de postura. Estas não são somente um ato mecânico, são partes de cenas que os outros constroem onde ele existe como sujeito. A postura é conquistada em reunião e superações do campo do outro, é uma realização psicomotora, é espacial, temporária, o ritmo varia de uma postura para outra, o eixo do corpo será o pólo de integração das sensações cinéticas que esboçará a orientação do corpo. Até que a criança possa construir sua própria auto–imagem, as sensações são fragmentadas, não há “eu” das funções imaginárias, o sujeito será capaz de apropriar a realidade, contrariamente, o músculo será mantido fora do discurso. A area clínica apresenta-se em problemas novos e diversos: - a estrutura do corpo, a lingual e o outro; - imagem e esquema corporal; - a estrutura dos sintomas psicomotores; - a transferência na clínica de atividade psicomotora; - a direção da cura; - o psicomotor no autismo e na psicose. A atividade psicomotora eqüestre levanta diferenças com a prática na cirurgia. A presença de um ser vivo em cena. Qual é o seu papel em cena? Pode tornar-se uma figura importante para aquelas crianças com quem não conseguimos nos comunicar. A presença de outros operadores como suporte técnico. Qual é o seu papel, ativo ou passivo? A transferência na equitação muda o espaço de poder? Coloca-nos mais perto do conhecimento da equitação do que do terapêutico? Como podemos reverter isso? A cena é mais ampla, e em contato com a natureza os riscos são também grandes, mas as cenas são limitadas nessa área. As cenas e a espontaneidade das criações são limitadas por razões de segurança. A duração do tempo de terapia não é mais limitado às demandas da atividade neuromotora, elas são mais longas. Sobre os diferentes passos epistemológicos: Se usamos o primeiro corte, permaneceremos ancorados na figura tridimensional da montaria, manobras de controle do tom muscular, teremos uma criança passiva, algo comum para crianças. Um terapeuta ativo e um cavalo no papel de “terapeuta”.Se nos colocarmos no segundo corte, que é concentrado no tom afetivo e emocional, estaremos “bancando” a mãe, e a criança se tornará presa à afeição e ao prazer maternal de alguém que não deveria exercitar esse papel. A prática equestre somente será significativa se o que é produzido pelo cavalo, facilitado pelo caráter tridimensional da montaria, facilitando a operação da função na ausência do corpo durar e for reproduzido no solo.
Volteio tem como a meta principal iniciar as crianças e jovens em geral nas artes eqüestres e a continuação de sua prática até níveis de competição. Pode ser praticada em equipes, dupla ou individualmente. Por esta disciplina desenvolvem os volteadores:Equilíbrio , Sincronismo e leveza , Respeito pelo animal . Conhecimento do Cavalo , Integração com o movimento do cavalo , Solidariedade , Altruismo e Espírito de Equipe . Competidores diretos freqüentemente participam com o mesmo cavalo, o que não impede uma rivalidade saudável com cooperação mútua antes e depois da competição. Os volteadores devem executar os exercícios com leveza, fluência, dando a impressão de facilidade e formando um conjunto harmônico com o cavalo, sem isto que afete suas andaduras com as posições diferentes dos volteadores. (Regulamento Oficial de Volteio - CBH) . O volteio é definido como uma atividade que envolve exercícios característicos da ginástica artística, dinâmicos, estáticos além de acrobáticos combinados a elementos da dança sobre o cavalo ao galope. Consiste em uma variedade de exercícios obrigatórios e livres executados individualmente, em duplas ou trios, o que pode oferecer diversas idéias de novos movimentos, combinações e variações. De qualquer maneira, mesmo quando executado individualmente, o volteio é caracterizado por um trabalho de equipe, considerando que o volteador, o longeure o cavalo formam uma equipe e dependem mutuamente um do outro. Esta união permite ao volteador ajustar-se ao movimento e ritmo do cavalo, caso contrário, nenhum exercício poderá ser harmoniosamente realizado .As séries de volteio seguem um critério estético, em que são utilizadas as capacidades físicas específicas para a realização da técnica correta dos exercícios, que devem estar em plena harmonia com a interpretação coreográfica e com o acompanhamento musical .Enquanto atividade motora, pode ser desenvolvido em diversas áreas de abrangência atingindo as dimensões:Competitiva, desta forma, o Volteio será desenvolvido de maneira a proporcionar a preparação de atletas em 4 níveis: técnica, artística, física e psicológica. Educacional, neste caso volteio pode contribuir no aumento do acervo motor e da experiência de movimento, diferenciando-se principalmente pela superfície instável, determinada pelo cavalo nas três andaduras (passo, trote e galope), melhorando especialmente as habilidades de estabilização. Além disso, a presença do cavalo como um animal de grande porte impõe respeito, fazendo com que o aprendiz adote determinadas posturas diante do cavalo, disciplinando-a e facilitando o trabalho do educador que, desde o início, deve ressaltar o trabalho em grupo, o espírito de equipe com ajuda mútua ao subir, descer do cavalo e durante a realização de novas figuras que ainda não estejam totalmente aprendidas no cavalo em movimento, assim como no cuidado com o cavalo e com o material utilizado em aula. O aluno deve aprender a respeitar e considerar o cavalo como o mais importante membro da equipe. De acordo com Rieder (1994), isto torna o volteio uma atividade que ajuda a formar personalidades. O volteio desenvolve as habilidades básicas, combinadas e seriadas, durante as diversas subidas, descidas e movimentos sobre o cavalo. As habilidades específicas são desenvolvidas na execução dos exercícios obrigatórios. As capacidades físicas e habilidades motoras são trabalhadas em todas as dimensões do volteio e sempre que possível deve-se utilizar a música desenvolvendo o ritmo e a interpretação musical; Recreação e lazer, o volteio pode ser utilizado como recreação e lazer independente da aptidão física e idade, estimulando a criatividade e aproveitando os movimentos mais simples, já que não visa a performance. Quando realizados sobre o cavalo em movimento, tornam-se um desafio, executados individualmente ou em duplas, torna-se também uma atividade muito atraente e divertida; Iniciação à equitação, o volteio também é uma forma de iniciação à equitação, sendo que o cavaleiro que inicia-se no hipismo através do volteio tende a adquirir maior confiança no cavalo, boa postura nas três andaduras (passo trote e galope) e equilíbrio; Militar, seguindo ainda hoje os objetivos historicamente apresentados, onde o policial utiliza-o para adquirir melhor controle e equilíbrio do corpo em determinadas circuntâncias. Adaptada, o Volteio junto à equitação pode ser amplamente utilizado com portadores de deficiências ou como uma nova disciplina, auxiliando no desenvolvimento das principais capacidades e habilidades motoras, psicológicas e cognitivas . XII Congresso Brasileiro de Equoterapia Autor: Adriana Perdigão - Brasil Co-autores: Érika Quartim; Rebeca Santos
