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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Linhaça na Alimentação dos Eqüinos

Alimento perfeito não existe, mas equilíbrio perfeito de alimentos é o que se deve almejar para um melhor resultado na criação ou performance dos cavalos.Muito se tem falado a respeito do uso da linhaça na alimentação dos eqüinos.Como a maioria dos grãos, a linhaça é um ótimo complemento a ser utilizado na alimentação do cavalo, desde que seu uso se justifique e seja feito com critério e avaliação cuidadosa das necessidades reais do animal.A linhaça pode ser utilizada de três formas: grão integral, farinha e óleo.O grão integral é tradicionalmente utilizado em pequenas quantidades, 20 a 50 g diários ou mesmo duas vezes por semana, com o intuito de se prevenir cólica.Cerca de 95% das cólicas são ocasionadas por um erro de manejo. Isso quer dizer que, adequando-se o manejo às reais necessidades do cavalo, ele dificilmente terá cólica (chance de 5%). Portanto, administrar um “preventivo” para cólicas na dieta diária, somente se justifica se o manejo estiver errado. E manejo errado, não se justifica.Além disso, esta linhaça em grão somente tem uma ação efetiva se administrada umedecida, pois a casca do grão é extremamente dura, dificultando sua ação laxativa. O problema está em que quando se umedece o grão de linhaça este libera ácido prússico (cianídrico) que é altamente tóxico para o cavalo se administrado em quantidades elevadas. O ácido prússico impede a absorção de oxigênio pelo organismo, levando à morte súbita.Já a linhaça oferecida sob a forma de farinha ou óleo pode trazer alguns benefícios bastante interessantes ao animal, desde que obedecidas às recomendações iniciais.A linhaça é um alimento muito rico em ômega 3, um ácido graxo essencial que, juntamente com o ômega 6, é responsável por uma série de respostas do organismo a agressões. Um equilíbrio entre os ácidos graxos ômega 3 (ácido alfa-linolênico, ácido eicosapentanóico e ácido docosahaxanóico, de baixo potencial inflamatório) e dos ácidos graxos ômega 6 (ácido linolêico e ácido aracdônico, de alto potencial inflamatório) leva a uma resposta equilibrada do organismo, trazendo benefícios como:• Abrandamento de reações inflamatórias e alérgicas indesejáveis, melhorando a resposta imunológica.• Para potros em crescimento funciona como auxiliar no desenvolvimento neurológico.• Para éguas em gestação auxilia no desenvolvimento fetal e na lactação, aumentando a quantidade do leite.• Observamos ainda restabelecimento do brilho e da cor da pelagem, bem como a saúde da pele.• Em cavalos de esporte e trabalho aumenta a energia disponível, levando a uma recuperação muscular mais rápida após exercícios.• Promove ainda prevenção de distúrbios circulatórios e cardiovasculares além de ser excelente auxiliar no tratamento de laminites, artrites e artroses e miopatias.A maioria dos grãos presentes na dieta tradicional do cavalo são muito ricos em ômega 6, propiciando um desequilíbrio na relação ômega 3/ômega 6.Este desequilíbrio pode ser atenuado através da administração criteriosa e equilibrada da linhaça sob a forma de farinha ou óleo na dieta do animal.A quantidade de farinha de linhaça a ser administrada, sempre como complemento à dieta diária, pode variar de 100 g a 400 g para cavalos saudáveis, podendo chegar a até 700 g diários para animais debilitados.O óleo de linhaça deve ser prensado a frio, pois o refinado volatiliza os ácidos graxos, perdendo o benefício a que se propõe com seu uso.Mas a linhaça não é somente fonte de ômega 3 e 6. É um alimento rico em energia, rico em proteína (a farinha chega a 35% de proteína bruta), e como toda matéria prima, não é equilibrada em vitaminas e minerais. Portanto, seu uso de forma indiscriminada e abusiva, ou mesmo como alimento único é mais prejudicial que benéfico ao animal.Excesso de energia na dieta causa timpanismo, diarréias, queda do tônus digestivo levando a contrações e possíveis cólicas, dilatação do ceco, degeneração cardíaca, hepática e renal, dismicrobismo e laminite.Excesso de proteína na dieta causa uma série de distúrbios como enterotoxemia, problemas hepáticos, emagrecimento, problemas renais, má recuperação após o esforço, problemas de fertilidade em garanhões, transpiração excessiva, cólicas, timpanismo e dismicrobismo.O desequilíbrio vitamínico mineral leva a distúrbios de absorção de nutrientes além de poder proporcionar doenças carenciais ou por excesso de um ou outro nutriente, com conseqüências desagradáveis a médio prazo.Portanto, visto que, apesar dos benefícios reais de seu uso, a linhaça também pode proporcionar problemas quando de seu uso incorreto, devemos pensar seriamente em quando e como utilizá-la.Uma dieta correta, onde se privilegia o volumoso de boa qualidade (feno ou pastagem de gramíneas), com água fresca e limpa e sal mineral específico para cavalos à vontade, complementados com concentrado equilibrado e de origem idônea, pode ainda, se necessário, ser suplementada com a farinha de linhaça se assim o animal o exigir. Mas jamais como concentrado único, pois ela por si só, não é equilibrada.Acima de tudo, não prejudique o animal.
André Galvão CintraMédico Veterinário e-mail: andre@cavalo-bretao.com.br

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Proteína X Energia

Ao calcularmos os nutrientes fornecidos pelo alimento oferecido aos cavalos, devemos lembrar que a dieta deve ser composta de volumosos (capins, fenos) e concentrados (rações, grãos). Às vezes, os teores de nutrientes dos volumosos, e a variação dos mesmos de acordo com tipo de gramínea, ou mesmo numa mesma gramínea de acordo com a época do ano, não são levados em conta na formulação de um arraçoamento equilibrado. Comprar uma “ração 12% de proteína” não significa que o cavalo estará comendo o equivalente a 12% de proteínas em sua dieta total, mas sim que, a cada quilograma de ração fornecido, o animal está ingerindo 120 g de proteína bruta. Devemos levar ainda em consideração, a qualidade desta proteína que está sendo oferecida, pois é esta qualidade que determina o valor nutricional, em aminoácidos, deste ingrediente.Acima de tudo, o concentrado precisa ser considerado complemento nutricional do volumoso, e não o inverso. Simplificando – a ração fornece os nutrientes nos quais o pasto e o feno são deficientes – portanto, os eqüinos precisam comer o máximo possível de volumoso. O concentrado deve ser pouco, de boa qualidade e bem equilibrado nutricionalmente. Infelizmente, há em nosso país uma tendência a tentar compensar deficiência de volumoso aumentando o concentrado, bem como de achar que “muito” concentrado de qualidade inferior é melhor para os cavalos do que uma quantidade menor de ração de ótima qualidade. Assim, ao utilizarmos volumoso rico em proteína (ex.: feno de alfafa, guandú), o complemento deve ser de baixo teor protéico. Para cavalos de esporte, não recomendo volumoso com valor protéico acima de 10-11%, pois fica difícil equilibrar a dieta.Há um “mito de proteína elevada”, onde se considera que alimento bom é aquele com valor protéico elevado. Ração com 15% de proteína é recomendada para éguas em reprodução e potros entre 18 e 36 meses de idade. Outras categorias não têm necessidade deste valor protéico na ração. O trabalho muscular é condicionado ao consumo de energia, e não de proteína. Comparativamente, o cavalo de esporte necessita de cerca de 10 a 20% a mais de proteína que um cavalo em manutenção, e 50% a menos que uma égua em reprodução. Portanto, ao se escolher a melhor dieta para o cavalo, devemos priorizar alimentos energéticos e não protéicos. Proteína, somente em qualidade, com pouca quantidade.Em relação à energia, o cavalo de esporte e trabalho tem uma necessidade energética de 25% a 100% acima do cavalo em manutenção (depende da intensidade do trabalho). A égua em reprodução, do 1º. ao 8º. mês tem necessidade energética semelhante ao cavalo em manutenção. No 9º. mês esta necessidade se eleva em 10%, no 10º. mês em 13% (em relação à manutenção) e se eleva em 20% em relação à manutenção no 11º. mês.No estado de São Paulo, costuma-se recomendar feno de tífton e coast-cross para cavalos de esporte. Estes fenos têm sido encontrados, especialmente nos meses de primavera, com valores superiores a 13-14% de proteína, análise feita e comprovada, e muitas vezes exigida pelo proprietário do cavalo. Neste caso, o teor é praticamente equivalente ao de leguminosas (alfafa). Ou seja, os problemas derivados do fornecimento excessivo de proteína (como no caso do uso intenso da alfafa) continuam com um feno deste tipo, ainda que seja de gramínea. As necessidades em proteína e energia são variáveis conforme a categoria animal e devem ser oferecidas de forma a suprir a necessidade do animal, sem deficiências nem excessos. Em termos nutricionais, temos 05 categorias de animais com necessidades diferenciadas, com 11 sub-categorias: Animais em Manutenção, Éguas em Reprodução (Gestação – do 1º. ao 8º. mês e terço final - e Lactação), Potros em Crescimento (Desmame aos 18 meses e dos 18 aos 36 meses de Idade), Garanhões em Monta (Leve, Média e Intensa) e Cavalos de Trabalho (Leve, Médio e Intenso).O manejo moderno de cavalos reproduz um problema muito comum da alimentação humana: ao mesmo tempo em que mundo afora milhões de pessoas não têm o que comer, a epidemia de obesidade ameaça se tornar a doença mais difundida no primeiro mundo. De maneira semelhante, muitas pessoas dispostas a investir no trato de seus animais acabam alimentando-os de maneira excessiva ou desequilibrada, originando uma série de distúrbios desde crônicos até super-agudos, sempre encabeçados pela nossa tão temida cólica. O cavalo tem capacidade de digerir, sem muitos problemas, até 30% de nutrientes além de suas necessidades. Isto vale tanto para energia como para proteína, considerando a dieta total, isto é, tudo aquilo que o cavalo ingere ou recebe em um período de 24 horas. Dietas que oferecem, diariamente, uma quantidade superior a isto podem causar desequilíbrios e levar a problemas desagradáveis.A digestão das rações, grãos e maioria dos suplementos ocorre no estômago e nas porções iniciais do intestino delgado. A capacidade volumétrica do estômago do cavalo é de cerca de 9% do volume possível de seu aparelho digestivo, ficando o Intestino Delgado (ID) com 21% (possui cerca de 20 m de comprimento) e o restante, 70%, é a capacidade do intestino grosso (IG) (ceco e cólon). O estômago e ID realizam uma digestão essencialmente enzimática e o IG uma digestão microbiana. Devido à baixa capacidade volumétrica do estômago, e mesmo do ID, o tempo que o alimento fica sofrendo o processo digestivo é relativamente curto, suficiente para uma dieta em que não haja excesso de concentrado. Quando a dieta é muito rica em grãos, o amido existente nestes grãos não é digerido totalmente nas porções iniciais do aparelho digestivo, indo parar no intestino grosso, onde sofrerá um processo de digestão microbiana. O que antes era enzimático, com ótimo aproveitamento pelo animal para suprir suas necessidades, passa agora a ter ação da microbiota natural.Porém, já que os microorganismos não são “habituados” a lidarem com amido (sendo sua função digerir os carboidratos simples presentes nos volumosos), o processo digestivo passa a ter um componente fermentativo com diversas conseqüências, tais como: * timpanismo por produção excessiva de gases;* diarréias (cavalos que ingerem excesso de óleo e energia possuem fezes mais amolecidas, o que leva à perda de nutrientes e água);* o excesso de gordura saponifica o magnésio, tornando-o indisponível ao organismo, levando a problemas neurológicos e musculares (o magnésio é calmante do sistema nervoso e responsável pelo relaxamento da musculatura);* queda do tônus digestivo levando a contrações e possíveis cólicas;* dilatação do ceco, pelo excesso de gases, levando a cólicas;* degeneração cardíaca, hepática e renal;* e, A MAIS IMPORTANTE DE TODAS: DISMICROBISMO. O dismicrobismo é uma perturbação da flora intestinal, levando a desequilíbrios, com conseqüente diminuição na absorção dos nutrientes, quadros de hepatotoxemias, e, pior de tudo, cólicas e laminites (ou aguamento). O processo ideal de alimentação do cavalo é aquele que mais se aproxima de sua natureza.Em liberdade, com livre acesso aos alimentos volumosos, o cavalo se alimenta por 15 a 18 horas diárias. Somente com feno, este tempo cai para 7 a 8 horas, e se priorizarmos o fornecimento de ração concentrada, este tempo cai para 1 a 2 horas por dia, com conseqüentes distúrbios comportamentais e físicos.Quando fica muito tempo ocioso, sem ter o que comer, o cavalo passa a ter problemas comportamentais com vícios como a pica, isto é, ingestão de substâncias não comuns a sua dieta, como areia, fezes, borracha, porta da baia, etc., Além de aumentar os riscos de cólicas, e alterações em seu humor, ficando mais irritadiço. Claro que a prevenção para isso não é dar comida demais para o cavalo, mas sim de forma equilibrada, priorizando o volumoso e os alimentos energéticos, além de adequar o manejo a esta condição, soltando mais o cavalo, trabalhando-o de forma adequada, etc.Quanto à adequação do manejo, quanto mais fracionarmos o alimento no momento de o darmos ao cavalo, melhor será sua absorção, isto é, se preciso dar 4 kg de ração, e puder oferecer em 04 refeições, o resultado será muito melhor do que se dividir em 02 ou mesmo se der em uma refeição somente. Além disso, quanto mairo for a quantidade de alimento concentrado oferecido de uma só vez, maior será o risco de cólica. Não devo jamais ultrapassar 2,5 kg de ração em uma única refeição (base para um cavalo de 500 kg; cavalos menores, menor quantidade por refeição) sendo ideal trabalhar na faixa de 1,5 kg a 2,0 kg por refeição.Da mesma forma, devo tomar cuidado na adaptação a um novo tipo de alimento. Como já falado no início, a digestão do cavalo é de duas formas, enzimática e microbiana. Cada vez que for introduzir um novo tipo de alimento na dieta do cavalo, devo fazê-lo de forma gradativa, para que a flora intestinal possa se adaptar a este novo tipo de alimento. Esta adaptação deve durar no mínimo 15 dias, podendo se estender até a 30 dias caso necessário. Isto é necessário para se prevenir problemas de cólicas, por exemplo. Por este motivo, é que somente devo modificar a dieta de meu cavalo, modificando drasticamente o volumoso ou concentrado, quando houver disponibilidade de tempo para que meu cavalo se adapte a este novo alimento, caso contrário, corro o risco de queda na performance dele no meio de um campeonato, por exemplo.Também é preciso muito cuidado na escolha de uma marca comercial de ração. A presença de aveia e milho não torna uma ração apta a ser recomendada para cavalos de alta performance. É importante considerar os níveis de garantia do produto, indicados no rótulo, além é claro da confiabilidade da empresa que a produz. Hoje mais que nunca, as aparências das rações enganam muito. Beleza, aparência, não quer dizer qualidade, e é isso que o cavalo precisa, seja de esporte, criação ou somente lazer.

André Galvão CintraMédico Veterinário e-mail: andre@cavalo-bretao.com.br

Aminoácidos na Nutrição Eqüina

A performance do cavalo, qualquer que seja sua categoria, crescimento, reprodução ou esporte, deve ser baseada em um tripé: Genética x Treinamento (ou Manejo) x Alimentação.Uma boa nutrição deve ser baseada nas reais necessidades do animal, e não naquelas que achamos que o animal necessita. Os “achismos”, “suposições” ou simples cópia do que o vizinho faz, podem ser tão ou mais prejudiciais que a não oferta dos nutrientes adequados ao animal.Aqui vale um outro alerta: Este prejuízo pode ser muito evidenciado no nosso bolso, pois muitos produtos são extremamente caros e nem sempre eficazes ao nosso animal.É claro que a imensa maioria de suplementos existentes, desde que oriundo de empresas idôneas, tem sua eficácia. Mas o ponto principal é: O produto em questão é eficaz e necessário ao meu animal?O que quero ressaltar é a individualidade de cada animal. Isto é, as necessidades de cada animal são inerentes a ele, devendo ser avaliadas de acordo com as características de raça, digestibilidade individual, temperamento, condições ambientais em que o animal vive e, claro, dependendo do tipo de esforço físico a que ele está submetido.Esta regra vale para todos os tipos de suplementos, mas, especificamente aqui, quero ressaltar a devida importância dos aminoácidos.Aminoácidos são a base de todas as proteínas. Quando se fala em necessidades protéicas falamos realmente de necessidades em aminoácidos.Existem os aminoácidos chamados essenciais (Lisina, Metionina, Triptofano, Histidina, Fenilalanina, Alanina, Treonina, Valina e Arginina) e os não essenciais (Creatina, Carnitina, Glicina, Serina, Prolina, Hidroxiprolina, Cisteína, Isoleucina, Leucina, Tirosina, Glutamina, Ornitina, Taurina) .Aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo do eqüino não consegue sintetizar, devendo obrigatoriamente constar de sua dieta.Aminoácidos não essenciais são fundamentais para o bom funcionamento do organismo, porém o animal consegue sintetizá-los através de outros aminoácidos (ex. Carnitina é derivada dos aminoácidos Metionina e Lisina, Creatina é sintetizada dos aminoácidos Glicina, Arginina e Metionina).Em condições normais, para um cavalo em manutenção, uma dieta equilibrada, com forragem fresca ou feno de boa qualidade, é suficiente para suprir as necessidades do animal.Entretanto, ao se submeter este animal a condições que exijam uma melhora em sua dieta, torna-se necessário uma suplementação adequada para que estes aminoácidos não faltem ao organismo do animal.Esta suplementação pode ser através de um concentrado (ração de boa qualidade) ou ainda através da adição de suplementos nutricionais específicos.Está muito em voga hoje a utilização de suplementos a base de creatina, estudam-se outros a base de carnitina, glutamina, bcaa, entre outros, todos atuando diretamente na melhoria de disponibilidade de energia para o animal.Comprovações definitivas de sua eficácia, ainda não podem ser evidenciadas. Há controvérsia se a utilização destes suplementos é realmente eficaz na performance atlética ou mesmo desenvolvimentar do animal. Entretanto, o que temos observado, é que alguns animais respondem positivamente ao uso destes suplementos e outros nem tanto.Cabe aqui ressaltar que esta diferença, pelos motivos já citados, pode ser devida às individualidades de cada animal, a fatores inerentes a ele, ao meio ambiente e à interação entre o animal e o meio ambiente.Portanto, para o uso prático destes suplementos, não se deixe levar apenas pela propaganda, muita vezes enganosa, de promessa disso ou daquilo.Consulte um técnico especializado, muitas vezes sai mais barato que o uso indiscriminado destes suplementos.Teste o produto em seu animal por 45 a 60 dias. Se houver resposta positiva, é uma evidência da necessidade de seu animal àquele suplemento. Caso tenha dúvidas de melhora na performance, provavelmente seu animal não necessita de tal suplementação.Na dúvida, não prejudique.
André Galvão Cintra - Médico Veterinário Consultoria , Planejamento e-mail: nutricaoequina@uol.com.br

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Óleo na dieta dos Equinos

Muitos proprietários e treinadores ouviram falar ou usam algum óleo vegetal na dieta dos cavalos. A razão mais comentada para esta finalidade é a melhora da pelagem entre outras coisas. Contudo, isso vem mudando rapidamente. Os técnicos da área têm se empenhado em acompanhar o que se chama hoje de nutrição ou suplementação esportiva. A crescente profissionalização do meio contribui para o aprimoramento das dietas, atendendo assim a demanda dos cavalos e proprietários cada vez mais famintos por ranking e premiações. O cavalo é um animal com um sistema digestivo muito peculiar e sensível, sendo que a competição extrema faz com que sejam levados ao limite do organismo. Esta sensibilidade digestiva está muito ligada ao volume de ração ofertado e a alta concentração de carboidratos, isto é, uma quantidade muito grande de concentrado na forma de grãos e farelos para aumentar a capacidade energética. O óleo possui mais de 2 vezes a energia contida nos grãos, ou seja, uma ótima opção de suplementação quando o assunto é necessidade de energia e sem problemas de digestão. Existe pouca alteração na quantidade de calorias entre os óleos. Contudo, existe diferença no perfil de ácidos graxos de cada óleo e quanto a outros nutrientes interessantes que são extraídos no processo de refino.A quantidade maior ou menor de um certo ácido graxo na composição de um óleo qualquer, pode determinar se o seu cavalo mudará da água para o vinho ou o inverso. São muito difundidas as propriedades dos ácidos graxos monoinsaturados e poliinsaturados e execradas as propriedades dos ácidos graxos saturados. Um óleo rico em monoinsaturados, como óleo de oliva, tem seu preço por volta de R$25,00 o litro. Já o sebo bovino rico em ácidos graxos saturados, custa em torno de R$0,80 o litro. Para cavalos atletas que valem muito dinheiro, saber escolher qual o perfil de óleo a ser utilizado na dieta pode ser uma pequena, porém, providencial colaboração para a vitória. Outra grande diferença está entre utilizar um óleo refinado ou semi-refinado. Aqueles que se encontra nas prateleiras dos supermercados são os refinados, ideais para cozinhar e fritar. No óleo bruto se encontram várias substâncias como vitaminas lipossolúveis, lecitina, pigmentos, fitoesteróis e enzimas. Porém, nesta fase o óleo se deteriora rapidamente aumentando acidez e o ranço, por isso é inútil usar óleo bruto. No processo de refino são retiradas quase todas estas substâncias e depois vendidas em separado como suplementos. Outro produto deste processo são os farelos que podem ser desengordurados, como o farelo de soja ou os farelos “gordos”, pouco palatáveis e com ingestão limitada. Por esta razão, um óleo refinado de soja ou de milho custa muito barato, não há nada mais além de energia. Já o óleo semi-refinado não é indicado para frituras, mas preserva os nutrientes interessantes para o organismo através de processo de alta tecnologia, sem problemas de acidez ou ranço. No processo de semi-refino é retirada a lecitina e a acidez, mantendo vitaminas e fitoesteróis como o gama-orizanol, encontrado em grande concentração no óleo extraído do farelo do arroz. O gama-orizanol é uma substância com propriedades anabolizantes que aumentam a massa muscular e antioxidantes que protegem as células durante o esforço físico. Perceba que agora você já compreende as diferenças na composição dos óleos quanto aos ácidos graxos e as diferenças entre refinado e semi-refinado. A suplementação com óleo pode variar na sua quantidade de acordo com o peso do animal e a intensidade do treinamento. Para a comunidade científica o ideal está em torno de 15% da necessidade diária de energia que pode ser ofertada na forma de óleo. Para melhor esclarecer vamos aos extremos dos exportes eqüestres com o esquema abaixo: Evento de baixa intensidade e longa duração (enduro de 120Km), recomendação: 350ml a 400ml ao dia. Evento de alta intensidade e curta duração (penca de 700m), recomendação: 200ml a 250ml ao dia. No Brasil existem muitas opções de suplementos para cavalos e o número de lançamentos cresce junto com o mercado. Muitos nomes performáticos, quase todos com os mesmos apelos e os mesmos ingredientes que os compõem. Os proprietários e treinadores brasileiros não compram mais qualquer produto, confrontam apelos de venda com os ingredientes. Já existe uma preocupação em aumentar a vida esportiva dos cavalos e os “coquetéis” endovenosos de resultado fácil são banidos pouco a pouco à medida que o esporte evolui e os profissionais se tornam mais responsáveis. O óleo é um produto simples e ao mesmo tempo rico por natureza, que pode trazer muitos benefícios para a performance e para a saúde dos cavalos se bem escolhido e usado com critério.
Dr. Ricardo Lougon ÁvilaVeterinário11-96592272

Cuidados Odontológicos para Equinos

Para a manutenção da saúde dos eqüinos um cuidado adequado com a dentição é essencial. Por isso o serviço odontológico tem se tornado extremamente importante no programa preventivo de hípicas e haras.A necessidade da intervenção odontológica nos eqüinos advém das alterações no hábito alimentar e na dieta dos cavalos, com a adição de rações concentradas e menor oferta de forragem, que diminuíram o tempo de ingestão e estimularam a ocorrência de movimentos mastigatórios mais verticais, predispondo a alterações de desgaste dentário, como: pontas de esmalte , ondas , degraus , cristas transversas excessivas , ganchos , rampas . Muitos animais não apresentam sinais evidentes de problemas odontológicos até que ocorram intensas alterações dentárias que impossibilitem a correção dos mesmos. No entanto, apesar da perda de peso constituir um possível sinal de problemas dentários, é importante salientar que é incomum ocorrer, a não ser que a patologia dentária seja rave e crônica. Portanto, a presença de boa condição corporal não é motivo para dispensar a necessidade de exame e tratamento odontológico.Dentre as alterações no comportamento alimentar do animal e na saúde, observa-se:1. Devolução de forragem parcialmente triturada durante a mastigação;2. Dificuldade de mastigar ou engolir;3. Salivação excessiva;4. Volume na bochecha causado pelo acúmulo de forragem; 5. Grandes fragmentos de forragem ou grãos inteiros presentes nas fezes; 6. Movimentos com a cabeça durante a ingestão de alimentos, entre eles sacudir, inclinar e balançar; 7. Movimentos com a língua sob a forma de torcer ou girar; 8.Mastigar, morder ou reagir contra a embocadura; 9. Resistência ao comando pela embocadura para virar ou parar; 10. Volumes na borda inferior (ventral) da mandíbula ou nos ossos da face com ou sem fistulas; 11. Limitação ou queda da performance; 12. Perda ou dificuldade de ganho de peso; 13. Odor fétido na boca (halitose) ou nas narinas; 14. Corrimento nasal sanguinolento, purulento, pútrido, etc.; 15. Sinusite;16. Sangramento oral após treinamento; 17. Cortes e úlceras na gengiva (estomatite) e língua (glossite); 18. Cólicas recorrentes; 19. Cólicas por compactação.No Brasil, nas últimas duas décadas, o serviço odontológico no interior dos hipódromos por todo o país, era responsabilidade de práticos e enfermeiros e consistia apenas em segurar a língua do animal e "grosar" os "dentes de trás" da boca de um eqüino. Por muitos anos médicos veterinários ignoraram os problemas odontológicos ocasionados pela má oclusão devido à falta de conhecimento, observação e material adequado para a realização de um serviço odontológico adequado. Hoje em dia o profissional especializado possui conhecimento sobre anatomia, fisiologia, patologia dentária; e anestesiologia. Além disso, possui equipamentos adequados que permitem uma adequada intervenção odontológica sem a ocorrência de maiores traumas para o animal.O cuidado odontológico regular, em intervalos que variam de 06 meses a 01 ano (de acordo com a idade e possíveis alterações dentárias individuais), é de suma importância na prevenção das alterações do desgaste dentário e das patologias que ela pode acarretar.É salutar afirmar que na odontologia eqüina o melhor tratamento é o preventivo. Portanto, é importante conscientizar os proprietários de que a grande maioria dos tratamentos dentários curativos nos eqüinos são particularmente mais difíceis, demorados e onerosos.

Dr. Mauricio José Bittar é Médico Veterinário oficial da ABHIR e atua nas áreas de Clínica, Radiologia, Anestesiologia, Odontologia e Medicina Esportiva Eqüina.Contatos: (19)81153939 ou (19)35341372E-mail: bittarvet@uol.com.br

Férias Equestres : o descanso dos cavalos de Equoterapia e Esporte


É uma prática bastante comum entre os centros de equoterapia e proprietários de cavalos de esporte conceder aos seus animais as tão sonhadas férias entre os meses de novembro e fevereiro. Nem poderia ser diferente, pois neste período o hipismo brasileiro não realiza provas ou torneios relevantes. Além disso, nesta época os animais não são tão exigidos fisicamente, uma vez que os próprios cavaleiros também aproveitam para descansar.Entretanto, mesmo nesse período não podemos em nenhuma hipótese negligenciar o aspecto sanitário desses animais. Aliás, este é um período crítico para uma série de desafios infecto-contagiosos aos quais os eqüinos estão expostos. Vivemos em um país tropical. Entre final e o início de ano é justamente época de intenso calor e precipitações chuvosas, ou seja, altas temperaturas e umidade elevada, que facilitam a propagação de agentes infecciosos e parasitários no ambiente.É nesta época do ano que ocorre intensa proliferação de ovos e larvas de parasitos no meio ambiente, fazendo com que os pastos e piquetes sejam contaminados com maior intensidade e rapidez, conseqüentemente causando re-infecção dos cavalos. Se o animal permanece normalmente hospedado em condições de estabulagem em baias na maior parte do dia, e nas férias terá a oportunidade de "veranear" em um amplo piquete, são necessários alguns cuidados durante esse período e também no retorno às baias. Veja abaixo alguns cuidados e medidas importantes a ser tomadas neste período do ano:Tenha certeza de que o animal sairá de férias devidamente vermifugado, com baixas contagens de ovos das fezes (OPG): isso garante que a re-infecção será mais lenta do que se ele já estivesse com altas contagens, minimizando a ocorrência de cólicas. E ninguém quer um atendimento de cólica nas férias, não é mesmo?·Imediatamente no retorno das férias faça nova vermifugação: os riscos de alta contaminação das pastagens no verão são muito altos e o cavalo certamente retornará com elevada infecção parasitária; livre-o dela para iniciar o ano atlético em plena forma.·No verão há intensa proliferação de ácaros oribatídeos no meio ambiente (vetores dos ovos embrionados de vermes chatos, chamados de tênias). Por este motivo, estabeleça as vermifugações desta época com produtos combinados à base de ivermectina e praziquantel. Lembre-se que as tênias são grandes vilãs nos processos de cólicas espasmódicas. ·As federações, associações e principalmente a FEI (Federação Eqüestre Internacional) acertadamente exigem que os cavalos sejam vacinados contra a influenza. Aproveite esta época tranqüila do ano para colocar a vacinação em dia, permitindo inclusive que se faça o reforço semestral de influenza e rinopneumonite no outono, antes do período crítico do inverno.·Fique atento aos ectoparasitas, como carrapatos, moscas e bicheiras: estabeleça uma aplicação (pulverização, pour-on) periódica de produtos indicados para este tipo de controle. A correta vermifugação, conforme descrita acima, também previne as perigosas "Feridas de Verão" ou Habronemoses, comuns neste período do ano e transmitidas por moscas.·Aproveite a tranqüilidade do final do ano para uma boa higienização das instalações e utensílios de seus animais. Faça uma lavagem sob pressão preferencialmente com produtos à base de cresóis nas paredes e portas das baias, cochos, piso e adjacências. Também lave cuidadosamente com desinfetantes as rasqueadeiras, escovas, baldes, freios e bridões. Alguns ovos de parasitos são extremamente aderentes às paredes e superfícies em geral e também muito resistentes ao meio ambiente. O herpesvírus, agente da rinopneumonite, pode sobreviver no meio ambiente até por 45 dias!·Renove as camas e invista em maravalha de boa qualidade. O trato respiratório do cavalo agradece. Como visto, as férias constituem período de intenso descanso. Mas alguns cuidados básicos são fundamentais para evitar problemas ao longo do ano.
Henry Berger - PhD em Medicina Veterinária e Gerente de produtos para Eqüinos na Merial Saúde Animal