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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Equoterapia e a Integração Multisensorial do Equilíbrio e da Postura

Sistemas Sensoriais de Equilíbrio: Pode a melhora do equilíbrio na equoterapia ser explicada por mudanças na neurofisiologia?Quando falamos sobre os efeitos da equoterapia, sempre mencionamos a melhora no equilíbrio. Mas o que exatamente é o equilíbrio e como a equoterapia o melhora? Equilíbrio é definido como manter o centro de massa sobre a base de suporte. É atingido através de um processo complexo envolvendo a recepção e integração de estímulos sensoriais, planejamento motor, atenção e execução muscular. Qualquer dano em qualquer uma destas áreas afeta o equilíbrio. A pesquisa sugere que a habilidade de relacionar estímulos sensoriais a uma reação motora forma a base do desenvolvimento do controle da postura. A resposta sensorial é uma parte integrante do conjunto do sistema motor e é crítica na modificação de programas motores gerados pela CPG em adaptações em linha (online) para o meioambiente. Geradores de Padrão Central (GPCs) são redes funcionais da espinha, nas quais o caminhar, o controle de postura, e outros comportamentos rítmicos, como a alimentação e respiração, estão baseados. O dar-passos infantil é uma evidência da existência dos GPCs e demonstra que GPCs são controladores ativos dos movimentos humanos. Os movimentos rítmicos do cavalo ativam os GPCs e isso pode ser uma explicação para os efeitos positivos da equoterapia, especialmente melhoras no caminhar. Em minha apresentação irei focar os sistemas sensoriais envolvidos no controle do equilíbrio.A habilidade de manter equilíbrio depende da informação sensorial que o cérebro recebe de quatro diferentes sistemas; sistemas de propriocepção, tátil, vestibular e visual. Cada um desses sistemas sensoriais envia informações sob a forma de impulsos nervosos dos receptors sensoriais para o cérebro, e eles provêm informações tanto únicas quanto redundantes para Receptores mecânicos do sistema tátil estão na pele e dão informações sobre toque e pressão. Proprioreceptores localizados nas juntas, ligamentos, músculos e na pele fornecem informações sobre comprimento, estiramento, tensão e contração muscular e posição das articulações. A visão central permite a orientação ambiental, contribui para a percepção da verticalidade e do movimento de objetos. A visão periférica detecta o movimento do “eu” em relação ao ambiente. O sistema vestibular fornece informação sobre o movimento da cabeça e sua posição em relação à gravidade e outras forças de inércia. No entanto, ambigüidades existem em cada sentido. O sistema somatossensorial por si só não distingue entre uma mudança de inclinação de superfície e mudanças de inclinação do corpo. O sistema visual sozinho não consegue discriminar movimento no ambiente do movimento próprio. O sistema vestibular sozinho não consegue determinar se o movimento da cabeça sinalizado pelos canais semicirculares é causado por uma flexão do pescoço ou dos quadris, ou se o movimento da cabeça sinalizado pelos otolitos se deve a uma inclinação da cabeça, ou à acelaração ou desaceleração linear. A integração multissensorial permite a resolução dessas ambigüidades usando-se informações recebidas simultaneamente através dos outros sentidos, que podem ou não ser consistentes com a informação adquirida de uma única modalidade. Por vezes, as atividades integradoras são mais complicadas do que em outras ocasiões. Por exemplo, há ocasiões em que o estímulo sensorial que nós recebemos de uma das fontes está em conflito com o estímulo de outra. Por exemplo, quando nos sentamos em um trem e o trem próximo a nós se move. No começo nosso sistema visual diz que o nosso trem está se movendo, mas quando o sistema vestibular reage ele dá mais informações, e nós percebemos que o trem próximo a nós é que está se movendo. Enquanto a integração dos estímulos sensoriais ocorre, o cérebro envia impulsos aos músculos. Esses músculos fazem cabeça e pescoço, olhos, pernas e o resto do corpo se mover e permite que se mantenha o equilíbrio e se tenha uma visão clara enquanto se move. Processos sensoriais e sua contribuição são importantes na construção das representações funcionais do corpo, chamados esquemas corporais. Eles são necessários para o controle do movimento, para a construção da auto-imagem e para sentir a propriedade sobre o próprio corpo, também chamado de consciência corporal. Sabe-se que os transtornos de processamento da informação sensorial perturbam o desenvolvimento de esquemas corporais funcionais, os quais também são importantes para o controle do equilíbrio. Equilíbrio fraco é freqüentemente associado com distúrbios neurológicos, e há com frequência deteriorações nos sistemas sensoriais por trás dos problemas de equilíbrio. Especialmente nestes casos a equoterapia pode ser de ajuda. Eu apresentarei um único estudo de caso dos efeitos da equoterapia sobre um homem de 28 anos, que sofre de EM (esclerose múltipla). Ele tem grandes problemas com seu controle de equilíbrio e precisa, portanto, usar a cadeira de rodas. As causas do fraco equilíbro deste paciente são ataxia, problemas visuais e déficits somatossensoriais. Para a avaliação dos efeitos da equoterapia, utilizamos a técnica de plataforma de força. O equilíbrio do paciente foi medido antes e depois de três sessões de equoterapia. Os resultados mostraram uma oscilação menor do corpo após cada uma dessas sessões, quando comparada à oscilação anterior à equoterapia. Melhoras no equilíbrio também foram observadas no caminhar do paciente. Como uma pessoa com problemas sensoriais pode ser capaz de controlar seu equilíbrio? Uma explicação é a integração multissensorial. Nenhum sistema único pode dar informações suficientes para manter-se o equilíbrio, mas a integração multissensorial é capaz de fazê-lo. Por sorte, o sistema nervoso central também tem propriedades plásticas. Em uma pessoa cega, por exemplo, a apresentação do sistema somatossensorial no cérebro se torna maior, o que fará o sistema mais sensível. Portanto, ele tem um papel mais importante no controle do equilíbrio do que em outras pessoas que confiam fortemente em seu sistema visual. Montado no cavalo, o cavaleiro recebe um montante enorme de estímulos sensoriais, e todos os sistemas sensoriais envolvidos no equilíbrio são ativados, permitindo que a integração multissensorial ocorra. O treinamento do equilíbrio sobre o cavalo não é só eficiente, é também motivador e divertido. O cavalo tem um papel por dar amizade e contato, o que dá força aos movimentos do cavalo.

Satu Selvinen, Finland
www.equitar-br.com.br/artigos_ver.php?art_id=16

Equilíbrio do Cavalo

Quando admiramos um cavalo em liberdade, correndo, saltando, esbanjando nobreza e elegância, nem sempre imaginamos a relação existente entre os movimentos por ele executados e o equilíbrio necessário para fazê-lo. Decerto cavalos são criados em função do trabalho que produzem, através do movimento. E não será possível realizar trabalho em movimento, se não houver equilíbrio. O mesmo cavalo que podemos imaginar agora, tão elegante em liberdade, poderá ser visto com a mesma desenvoltura montado por um cavaleiro, desde que lhe seja restituído o equilíbrio perdido. E digo perdido porque, no momento que montamos um cavalo, nosso peso nele aplicado promove uma sobrecarga naquele ponto, exigindo consideráveis mudanças de postura do animal. Um cavalo em atitude é aquele que tem restabelecido seu equilíbrio, quando promovidas estas mudanças. Todo corpo tem seu ponto de equilíbrio, variando conforme sua forma e sua massa, e podendo ser alterado de acordo com o movimento. Assim é com uma bola, com um carro, com uma pessoa ou um cavalo. É interessante como fica mais fácil carregarmos um peso que se projeta sobre nosso ponto de equilíbrio que quando o mesmo se encontra fora dele. Uma lavadeira, por exemplo, carrega sobre sua cabeça a trouxa de roupas;, outra pessoa carrega uma lata d’água, e o fazem com plena desenvoltura, sem perder a liberdade de movimentos. Se imaginarmos uma linha vertical que perfure o centro de nossa cabeça e percorra o eixo de nosso corpo, é exatamente nessa linha que se encontra nosso ponto de equilíbrio. Daí a facilidade maior encontrada por uma pessoa, ao carregar o peso por sobre sua cabeça, sobre seu ponto de equilíbrio. E com o cavalo não será diferente, se sobre seu ponto de equilíbrio também for projetado o peso por ele carregado. Se desejamos carregar um corpo em equilíbrio, sem que ele possa pender para qualquer lado, é preciso que saibamos onde se encontra seu ponto de equilíbrio, e sob o mesmo sustentar este corpo. Uma mesa retangular, regular em sua forma e com peso igualmente distribuído por suas partes, terá seu ponto de equilíbrio numa linha vertical que passe exatamente no centro de sua superfície. Comparando então um cavalo à mesa, seriam semelhantes se cortássemos o pescoço e a cabeça do cavalo. Sustentado pelo meio de sua barriga, iria manter-se sem pender para qualquer lado, para frente ou para trás. Mas não podemos deixar este cavalo por muito tempo sem sua cabeça e sem o pescoço, e ao recolocarmos, certamente que penderá para a frente, pelo peso destas partes. Um cavalo terá na verdade seu ponto de equilíbrio passando por uma linha vertical imaginária que atravesse seu corpo bem próximo do final de sua cernelha. E para facilitarmos seus movimentos, devemos, ao montar este cavalo, projetar nosso corpo o mais próximo possível desta linha, e numa postura bem vertical, fazendo coincidir nosso ponto de equilíbrio sobre a mesma linha na qual se encontra o ponto de equilíbrio do cavalo.Por suas formas irregulares, e por ter seu ponto de equilíbrio deslocado para a frente, o cavalo suporta cerca de 60 % de seu peso sobre seus membros anteriores. Comparando os cascos anteriores e posteriores de um cavalo, percebemos nítida diferença em sua forma, mais arredondada nos anteriores exatamente pelo maior peso que suportam. Quando montamos este cavalo, sobrecarregamos com nosso peso o seu trem anterior, rompendo também o seu equilíbrio. Neste momento são necessárias mudanças de postura para que se tenha recobrado o equilíbrio rompido. Quais são, veremos mais tarde. Antes mesmo destas mudanças, sabemos indispensável uma condição básica para um movimento pleno e de qualidade de um cavalo montado: o apoio. O apoio é a pressão exercida pelo cavalo à embocadura, estando as rédeas ajustadas pelo cavaleiro. Dentre outras razões, a sobrecarga no trem anterior exige do cavalo a busca do apoio. O movimento para a frente se dá pelo deslocamento também para a frente do ponto de equilíbrio. Um cavalo que já tem seus anteriores sobrecarregados não poderá se deslocar para frente com confiança e desenvoltura, a menos que encontre um ponto de apoio. Estando apoiado na embocadura o cavalo ganha confiança em projetar seu peso para a frente, partindo ao passo, em marcha, trote ou galope. As mudanças de postura devem se iniciar pela elevação da base do pescoço. Esta região se encontra na ligação do pescoço com o tronco. Inicia-se então uma transformação na disposição da coluna vertebral do cavalo, que passa a se curvar, tornando-se arqueada. A ação do cavaleiro para que o animal assuma esta postura leva também a uma outra mudança, o flexionamento da nuca. Esta alteração será mais eficiente a partir da descontração do maxilar. A curvatura da coluna se acentua, distanciando-se os processos espinhosos uns dos outros, adquirindo assim a coluna a possibilidade de se tornar mais flexível, em favor da comodidade e da continuidade e harmonia dos movimentos. O mesmo arqueamento favorece a descida da garupa, com conseqüente engajamento dos membros posteriores. Desta forma o cavalo se encontra em atitude. A elevação da base do pescoço, acentuando a convexidade da borda dorsal desta região, juntamente com o flexionamento da nuca, tornam o ponto de equilíbrio mais atrasado. A sobrecarga dos anteriores fica assim aliviada. O engajamento dos posteriores aumenta a condição de equilíbrio, como se estes assumissem a responsabilidade de suportar o peso, dividindo-a com os anteriores. Desta forma o cavalo recupera a possibilidade de executar as figuras que executava em liberdade, com total equilíbrio, desenvoltura, elegância e nobreza, e pode fazê-lo agora, sob o peso e o comando do cavaleiro. A mudança mais eficiente terá sido, com certeza, a da postura do pescoço, associada ao flexionamento da nuca. Por sua conformação e posição, o pescoço pode mobilizar sensivelmente o ponto de equilíbrio do cavalo. Quando se estende, se retrai ou move-se lateralmente, o pescoço altera respectivamente paras a frente, para trás ou para o lado o ponto de equilíbrio. Por esta razão é chamado de leme do cavalo. Outra referência importante ligada agora ao movimento, tornando-o mais ou menos equilibrado, refere-se ao diagrama de apoios no andamento. Quando o tempo de apoio sobre os bípedes laterais é muito longo, há necessidade do cavalo deslocar seu ponto de equilíbrio lateralmente, durante o movimento. Permanecendo muito tempo em apoio lateral o cavalo estará vulnerável durante este período, sem nenhum apoio no lado oposto. Além do risco de queda, ocorre com freqüência a desorganização, a quebra do ritmo, pela interrupção repetida do projeto de avanço dos membros – ao invés de avançar, o cavalo precisa usar os membros para apoiar-se, suportando o ponto de equilíbrio deslocado lateralmente. Esta situação esta mais ligada ao movimento natural do cavalo que mesmo por alterações quando do peso do cavaleiro sobre seu tronco. Marcha e passo lateralizados geram estas alterações, sendo portanto desequilibrados. Quando montamos a cavalo, nem sempre percebemos as alterações impostas ao ponto de equilíbrio do animal. Sendo assim, não percebemos também a importância de restabelecer este equilíbrio. E certamente desconhecemos as várias possibilidades de fazê-lo. A equitação com suas técnicas, ainda desacreditada por alguns, nos permite usar o cavalo de forma racional, desenvolvendo suas possibilidades e preservando sua integridade, sua vida útil, além de criar condições seguras para sua utilização.Cavalo, movimento e equilíbrio se misturam: cavalo sem movimento é como pedra; movimento sem equilíbrio, queda; e cavalo sem equilíbrio. . .

Posicionamento do Cavaleiro : fundamentos para o posicionamento do praticante de Equoterapia

A posição do corpo é à base da eficiência a cavalo. Infelizmente, "posição" é muitas vezes explicada sob o ponto de vista da imobilidade, descrevendo um cavaleiro montado num cavalo, que, obviamente, está parado. Este não está a puxar ou a tentar recuar ou em qualquer outra atitude. Na verdade, esta situação é rara. A discussão sobre "posição" é, na maior parte das vezes, reduzida ao aspecto estética. A dúvida é: "Qual vem primeiro, a estética ou o correto posicionamento do corpo para permitir a correta utilização das ajudas, criando equilíbrio e controle?"Há um padrão para a "posição" o qual, se for corretamente observado, faz com que o uso das ajudas seja eficiente, confortável e fácil para o cavalo as entender.Mas, tem de ser observado corretamente, reconhecendo todas as graduações que isso implica. Se não, o esforço para manter uma posição correta funcionará como elemento inibidor e torna-se uma desvantagem. Para compreender "posição" é importante compreender o funcionamento do corpo. O corpo do cavaleiro pode ser dividido em quatro elementos básicos – porção inferior da perna, base de suporte, corpo superior e equilíbrio. Cada um destes elementos atua com um fim específico. Se colocados e usados corretamente, serão bem sucedidos na execução das suas funções. Nisto se resume "posição". Uma vez que o que estamos a tentar obter é equilíbrio e controle, vamos começar com o equilíbrio. É o equilíbrio que nos mantém direitos. Evita que se caia quando se tropeça. Diz às partes do corpo como se devem mover de modo a que as ações combinadas criem um resultado equilibrado. Passar da posição sentada para a de pé, seria um feito monumental, se não tivéssemos equilíbrio. Andar, seria demasiado assustador. Teríamos de gatinhar de um lado para o outro. E a cavalo o equilíbrio tem que funcionar para dois. O cavalo é soberbamente capaz de utilizar o seu próprio equilíbrio. Mas, só o usará para fazer coisas que tenciona fazer. Muitas vezes (a maior parte das vezes com um cavalo inexperiente) este não tem a mais pequena intenção de fazer o que nós pretendemos que ele faça. O seu equilíbrio não o manterá equilibrado durante esses movimentos. De fato, poderá usá-lo para o ajudar a fugir em vez de obedecer e fazer o que queremos que ele faça. Embora seja totalmente rotineiro usar o equilíbrio quando se está no chão firme, não é rotineiro quando dele se necessita noutras situações. Dar um passo dum cais para dentro dum bote não é rotina para a maioria das pessoas. Algumas pessoas têm dificuldades em dar o passo para entrar numa escada rolante. O uso do equilíbrio pode também não ser natural para o cavaleiro. Neste caso, pode ser desenvolvido.Os olhos podem ser considerados quase como sinônimos de equilíbrio. Equilíbrio é uma função do cérebro. O cerebelo é responsável pelo equilíbrio, manutenção do tônus muscular e coordenação dos músculos. Funciona também como auxiliar na coordenação dos sentidos da vista, ouvido e tato. O equilíbrio funciona com base nas informações acumuladas pelos seus órgãos sensoriais. Embora o ouvido médio seja o que mais contribui, os olhos proporcionam a fonte mais eficiente de informações ao cavaleiro. O equilíbrio do cavaleiro usa essas informações para tomar a decisão equilibrada para o cavaleiro e o cavalo.
A base de suporte é composta pelas nádegas, coxas e joelhos. A sua função é manter o cavaleiro montado. Deve aderir ao cavalo e permanecer inabalável. Ao mesmo tempo, deve ser flexível e sensível ao movimento do cavalo. E isto não é fácil. O problema é conseguir que trabalhem os músculos corretos. Estes são os músculos adutores das coxas. São os fortes músculos que descem da parte interior das coxas até aos joelhos. Infelizmente, não usamos muito estes músculos noutras atividades. Ao andarmos sobre um piso escorregadio e se escorregarmos, notaremos que eles se esforçam para manter as pernas sem deslizarem para o lado de fora. Os adutores usam a sua ligação à pélvis como a alavanca de que precisam para puxar as pernas para dentro na direção do cavalo. A base de suporte atua como o ponto fulcral para os movimentos da parte inferior da perna e a parte superior do corpo. As coxas devem pousar rasas contra a sela. Os joelhos devem virar para fora apenas o suficiente para se poderem acomodar à largura do cavalo e da sela. O contato deve estender-se ao longo do fêmur até à borda da parte posterior/interior da cabeça da tíbia. Não se admirem se sentirem bastante pressão na parte interior dos joelhos. Não existe maneira de apertar o interior da coxa e magicamente não haver pressão contra o joelho. O fêmur não pode dobrar. No entanto, se a pressão se move para frente da cabeça da tíbia, transforma-se num tormento para o joelho. Isto pode fazer com que o corpo se mova para frente, deslocando-se o peso do cavaleiro para os dedos dos pés colocando o corpo numa posição muito segura. A parte inferior da perna é composta por todas as áreas abaixo do joelho. A sua função é suportar e absorver qualquer embate. Atua também como “acelerador”. A parte inferior da perna deve manter o contacto com o cavalo de modo que a parte de dentro da barriga da perna (não de trás) assente no cavalo. Com a base de suporte agarrada ao cavalo pelos músculos adutores, os joelhos podem livre e espontaneamente dobrar para trás a perna inferior. Isso coloca sempre os calcanhares por baixo do centro de gravidade do O centro de gravidade desloca-se quando o corpo do cavaleiro e do cavalo se desloca, e quando é exercida pressão nas mãos do cavaleiro. Assim, não há uma só posição da perna para todas as ocasiões. Contudo, há uma regra prática para a localização da posição inferior da perna. Imaginemos um fio-de-prumo (uma linha que cai sempre a direito no sentido da atração da gravidade) que cai da barra do estribo da sua sela. Na maior parte das vezes o loro deve estar nesse alinhamento. Mas ajustando-o ligeiramente para frente pode ser muito útil se for feito no momento certo.

Cavaleiro em posição A sentado sobre o centro de gravidade .
A posição B é a causa de 80% de todos os acidentes a cavalo.
Para se acomodar à largura do cavalo, o cavaleiro tem de abrir ligeiramente os joelhos. Em conseqüência, os dedos dos pés viram-se para fora mas isto não deve ultrapassar os cerca de 15 graus. Não é necessário virar mais. Se os dedos se viram mais, fará com que a base de suporte não cumpra as suas funções corretamente. Se os dedos virarem significativamente mais do que isso, o tronco desloca-se e usa o tornozelo e os músculos da barriga da perna para se manter equilibrado. Assim, todas as vezes que fechar as pernas como segurança, está a pisar no "acelerador" e cria também outros problemas.Para as pernas serem simultaneamente firmes e elásticas, tem que se isolar os controles. Enquanto os músculos adutores da coxa se apresentam firmemente para o cavaleiro se segurar, os joelhos e tornozelos devem permanecer elásticos. Isto dá à parte inferior da perna a independência de que precisa para colocar os calcanhares sob o centro de gravidade em todas as circunstâncias. Os grupos de músculos que controlam estes movimentos são diferentes. Mas coordená-los de maneira a que, quando aperta um, o outro continua elástico, não é fácil. A separação dos dois é importante para o equilíbrio. Se concentrar-se em fazê-lo corretamente, ficará surpreendido com a sua capacidade. Uma vez que o possa fazer conscientemente, será fácil tornar-se num hábito. Embora o cavaleiro esteja em movimento no cavalo, sob o ponto de vista dos pés, está parado. Quando o cavaleiro está montado, os pés devem trabalhar como se estivessem no chão. Grande parte do tempo os pés suportam uma boa porção do seu peso. Quando se está de pé no chão, os calcanhares suportam o peso do corpo. Devem fazer o mesmo quando se está montado. Mas não é natural. Estamos a ludibriar o equilíbrio quando colocamos os estribos na frente do pé em vez de pô-los nos calcanhares. Se os estribos fossem colocados nos calcanhares seria muito mais fácil. Todavia, perder-se-ia grande parte da elasticidade e de absorção de choque.Os tornozelos são articulações muito flexíveis e fazem com que os calcanhares descaiam consideravelmente abaixo da planta do pé. A força da gravidade puxa-os para baixo. O que evita que eles caíam é a pressão que a planta do pé exerce empurrando para baixo os estribos. A fim de baixar o calcanhar tem que se dobrar o pé, (levantar a frente do pé). Este movimento é complexo, e inicialmente é por vezes junto desconfortável. É mais fácil procurar outra maneira de dobrar os tornozelos. Mas qualquer outra maneira é fraca e não resulta. Os músculos que dobram o pé estão localizados na parte da frente da tíbia. Quando os usar para levantar a frente do pé assegure-se de que o levanta a direito sobre a planta do pé no seu todo e não apenas sobre o dedo grande ou sobre o dedo pequeno. Para a máxima flexibilidade e estabilidade, deve-se também flectir os tornozelos revirando os pés de modo a que as plantas dos pés fiquem ligeiramente viradas para fora. Mas ao fazer isto não deve virar os dedos dos pés para fora. Se for feito corretamente, isto permite dar aos tornozelos uma posição natural e elástica e faz com que os pés assentem com segurança nos estribos. Ajuda a que se obtenha o ótimo comprimento dos estribos. Para se determinar o comprimento correto dos estribos, retiram-se ambos os pés dos estribos deixando-os confortavelmente pendurados. Sem olhar para baixo, a plataforma dos estribos deve tocar ligeiramente nos pés abaixo dos tornozelos.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sobre Equitação e Liderança

Há milhões de anos, os antepassados do Homem começaram a organizar sistemas de cooperação através dos quais foram capazes de realizar melhor as tarefas de coleta e caça e a defesa do grupo, atividades vitais para a sua sobrevivência. Em cada grupo de hominídios havia uma hierarquia onde os machos e as fêmeas dominantes tomavam decisões acerca da coleta de alimentos e captura de animais, da organização interna e da defesa do grupo contra as ameaças externas. Os cavalos selvagens, pela mesma razão, formam hierarquias onde cada animal cumpre a sua função de acordo com o seu lugar na ordem social. O macho dominante é responsável pela defesa do grupo e pela fertilização das éguas e as fêmeas dominantes cuidam da ordem interna do grupo – isto é, elas botam animais com comportamento anti-social no seu devido lugar e determinam quem vai beber primeiro em bebedouros apertados e quem vai pastar nos melhores espaços do campo. Isto, além de cuidar dos seus próprios filhos. Quando um homem e um cavalo, vindos de duas organizações sociais com estruturas básicas semelhantes, mas com linguagens diferentes, se unem para formar um conjunto eqüestre, o elemento mais importante para o sucesso deste empreendimento é a capacidade do Homem entender quais são os deveres e limites da sua liderança na equitação. Em outras palavras: para fazer o cavalo se integrar às suas propostas esportivas, é importante o cavaleiro entender os princípios que regem a hierarquia eqüina. Considerando que não existem indivíduos iguais na natureza – todo ser é único, e por isso é impossível haver igualdade — os cavalos tem razão, alguém precisa assumir o comando. O ‘macaco pelado’, apesar da sua natural inclinação para a demagogia, também sabe que não existe igualdade no exercício do poder. Por esta razão ele inventou a palavra monarquia para denominar o governo exercido somente por uma pessoa e triunvirato para o caso de três indivíduos dividem o poder. Mas não existe um nome para definir o poder exercido igualmente por duas pessoas, porque isto é uma impossibilidade política. Portanto, o primeiro passo para um cavaleiro obter sucesso esportivo é assumir a liderança do conjunto – seja o seu parceiro um garanhão, égua ou cavalo castrado. Diante de uma liderança, firme, justa, leal, e que também traga satisfação para o liderado, qualquer cavalo normal se submeterá à liderança do cavaleiro na hierarquia da equitação. Mas é aí que a coisa pega. O exercício da liderança estimula o melhor e o pior do caráter humano, como você já deve ter notado. Os cientistas sociais estudam, agora, como a nossa natureza reage ao exercício do poder e já começam a entender como isto determina o sucesso ou o insucesso de uma liderança. Os conceitos básicos de liderança servem tanto para governar uma nação, quanto para administrar uma empresa ou para se equitar um cavalo. Se um cavalo for submetido a uma equitação tirânica ele poderá ser levado ao desespero e à rebeldia, principalmente se o seu temperamento e índole o qualifica para ocupar um posto alto na hierarquia eqüina. Se, ao contrário, um animal for submetido a uma equitação sem liderança ele saberá assumir o governo das rédeas, mesmo que o seu lugar natural na hierarquia eqüina seja de baixo nível. Assumir uma liderança ou se submeter a uma posição subalterna é, para o cavalo, natural e necessário – porque é dessa maneira que ele sobrevive como espécie há milhões de anos. À exceção das antigas culturas eqüestres dos nômades da Ásia Central, que se desenvolveram num meio ambiente que dificilmente poderá ser repetido, os cavalos raramente foram liderados com compreensão e justiça. Na máquina econômica e militar do ocidente, o animal foi utilizado e manejado como um escravo, por pessoas geralmente desqualificadas para esta importante responsabilidade. Na Inglaterra, no século 19, acreditava-se que os trabalhadores braçais fossem incapazes de desenvolver uma boa equitação por terem perdido a sensibilidade das mãos, ‘calejadas’ pelo trabalho. Isto é apenas mais um equívoco do ‘velho mundo do cavalo’. Algumas pessoas realmente não conseguem atingir um bom nível de equitação – mas não por terem excesso de calos nas mãos –apenas por falta de uma educação que poderia, também, ter lhes dado um posto mais alto na hierarquia humana. Convém, para ganharmos maior compreensão sobre o conceito de liderança na equitação, fazermos uma breve análise do que esta palavra significa na prática. Vejamos: exercer uma liderança é saber se fazer obedecer. A forma mais elementar de se fazer obedecer é através da repressão e da tirania. Este modelo de liderança tem sido exercido nas organizações militares há milênios. A forma repressiva de liderança se consolidou entre nós porque ela é mais econômica – dispensa muita conversa, sutileza e diplomacia, possibilitando a administração de um grande número de soldados por um pequeno número de comandantes. Mas temos, também, exemplos de liderança carismática vindos dos altos escalões militares. O discurso de Henrique V da Inglaterra para os seus soldados momentos antes da batalha de Agincourt, onde os ingleses estavam em desesperada minoria contra os franceses, está entre os melhores exemplos de liderança já registrados. Disse o rei dos ingleses: “Se nós estamos marcados para morrer somos, em número, o bastante para fazer falta ao nosso país; e se estamos marcados para viver, quanto menos formos, maior será o nosso quinhão de glória; deste dia em diante, até o fim do mundo, nós seremos lembrados; nós, os felizes poucos; nós um bando de irmãos”. As palavras do monarca ainda são capazes de emocionar, quatro séculos depois da manhã chuvosa em que elas foram pronunciadas (1).
O repressivo sistema militar se consolidou de tal maneira na nossa sociedade que, até a década de 60 do século 20, serviu de modelo administrativo para grandes empresas americanas e européias. E, há séculos, o nosso relacionamento com o cavalo e as técnicas de doma e equitação também foram exercidas com os critérios disciplinares repressivos copiados do exército. E deu no que deu. O cavalo esportista tem necessidades básicas, tanto fisiológicas quanto psicológicas, que precisam ser satisfeitas para que ele atinja um alto nível de performance. A forma mais eficiente de liderança, e a melhor para se lidar com a natureza do animal, é a liderança esportiva onde o carisma e a capacidade de inspirar os atletas é a alma do sucesso. Aquele décimo de segundo a menos na corrida, aquele centímetro a mais na vertical do salto, aquela manobra radical no pólo e o toque extra de precisão no dressage são impossíveis de se obter por meio de coação – como já explicou Xenofonte há mais de dois milênios. Aquele ‘algo mais’ que determina as vitórias surge da absoluta cumplicidade entre cavaleiro e cavalo, quando estes fundem as suas qualidades fisiológicas para se tornarem uma só força avassaladora na conquista dos seus objetivos. A decisão de se tornar cavaleiro envolve, mais do que tudo, assumir uma liderança inteligente capaz de motivar o cavalo, desenvolver a vocação atlética do animal; reconhecer os seus limites psicológicos e físicos, e encontrar soluções que favoreçam o desempenho do animal. Não é por acaso que a liderança e a equitação estão associadas ao progresso individual e social do Homo sapiens desde que os primeiros bandos de guerreiros nômades da Ásia Central compreenderam que, com o cavalo e a equitação, eles tinham descoberto a chave para liderar o mundo.
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A boa equitação é, sobretudo, um exercício de liderança. E a liderança, como tudo na vida, pode ser exercida de maneira inteligente ou de maneira estúpida. É inteligente quando atinge um alto nível de satisfação e realização para o líder e o liderado, e é estúpida quando a liderança serve apenas para a satisfação pessoal do líder e para a sua conseqüente e inevitável queda do poder. A qualidade de equitação de um povo esteve sempre vinculada ao seu desenvolvimento cultural, e o nível de equitação atingida por uma pessoa reflete inequivocamente o seu preparo para o exercício do poder. A equitação é uma metáfora da vida – o tombo do cavalo e a queda do poder, estão diretamente ligados à incompetência no exercício da liderança e do poder. A sensibilidade de desenvolver uma liderança inteligente, de assumir responsabilidades, de resolver problemas, de reconhecer o erro e tentar de novo, está na base do sucesso — qualquer sucesso. A equitação é uma metáfora da vida. A queda do poder e a queda do cavalo estão intimamente ligadas ao exercício da liderança e à arte do bem viver.
(1) Trechos do discurso de Henrique V, segundo a peça de Shakespeare com este nome.

http://www.desempenho.esp.br/livro/get_capitulo.cfm?id=578

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As Zonas Quentes do Cavalo de Dressage

Os muitos precisos movimentos de dressage só podem ser executados corretamente por um cavalo completamente "supple". O equilíbrio de um cavalo de dressage tem de ser mantido e ser capaz de absorver variações de ritmo e de comprimento de passada nos movimentos para a frente, para trás, laterais e de suspensão, sem alteração da postura.Para que o cavalo consiga trabalhar nesta postura correta, uma cadeia de músculos interligados com tendões, ossos e ligamentos atuam de modo a permitirem que os músculos da "linha de cima" se alonguem enquanto os da linha do abdômen se contraem. Em resposta à ação destes músculos, a cabeça baixa e os posteriores são metidos debaixo da massa permitindo que o cavalo "suba" e transporte o cavaleiro com a elasticidade necessária à efetivação de movimentos bastante complexos. Cada movimento envolve vários músculos ou grupos musculares o que explica a razão pela qual um problema ou espasmo muscular numa determinada área tem por vezes um efeito devastador noutras zonas do corpo do animal. Se, por exemplo, o músculo longíssimos dorsi (que passa sobre a linha de cima do cavalo) está desconfortável o cavalo pode não conseguir "meter as pernas" em certos exercícios. Do mesmo modo, se houver dor nos músculos peitorais, os movimentos de extensão são prejudicados.As áreas que, na nossa experiência, são mais afetadas no cavalo de dressage são as que se encontram demarcadas a negro no diagrama que acompanha este artigo. A saber :1) O pescoço - particularmente os músculos braquiocefálicos e trapézios, se este for forçado em flexão por métodos artificiais ou for obrigado a manter a extensão por períodos prolongados.2) A região dorso-lombar em casos de selas que não sirvam bem, o uso excessivo do “assiete" pelo cavaleiro ou se existe uma deficiência de movimentos (dor referida).3) A articulação Sacro-Ilíaca.4) Os músculos glúteos dos posteriores.5) A zona anterior e posterior da perna, e os curvilhões.Como em todas as modalidades eqüestres é muito importante o notar de qualquer alteração no movimento do cavalo para que a origem do problema seja determinada antes de se tornar mais grave. Do mesmo modo deve-se tentar avaliar qualquer diferença de reações nas ações de limpeza diária, ao mesmo tempo que se "sentem" os músculos relativamente à tensão, zonas mais quentes ou com acumulação de fluido.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Publicação ANDE - BRASIL


A Associação Nacional de Equoterapia ANDE - BRASIL publica em 04 de Novembro de 2009 o artigo "O Auxiliar Guia e a Condução do cavalo de Equoterapia " publicado em nosso blog . Nossos sinceros agradecimentos a ANDE-BRASIL , aos cavalos e aos nossos parceiros praticantes de equoterapia .

A Associação Nacional de Equoterapia é um organismo instituído em âmbito nacional há 20 anos e, foi a primeira instituição a formalizar e sistematizar a prática da equoterapia no Brasil, para a qual salienta a importancia do trabalho de equipes de profissionais habilitados, como também propõe princípios bem definidos de conduta ética, além de outras especificações essenciais para a boa execução deste trabalho, com o propósito de alcançar os melhores resultados possíveis para os seus Praticantes. Constitui, por isso mesmo, o centro de irradiação do conhecimento teórico e prático da equoterapia, enquanto método terapêutico eficiente e eficaz, pretendendo o seu justo reconhecimento no campo das terapias atuais. Ainda, a ANDE-BRASIL produz e incentiva pesquisas e trabalhos técnicos científicos neste campo, perseguindo o desenvolvimento e a divulgação destes estudos, como forma de proteção à saúde dos Praticantes e a consolidação da metodologia da Equoterapia. Desta forma, busca também satisfazer o interesse de pesquisadores e, ao mesmo tempo, das pessoas envolvidas na prática diária da equoterapia, os seus mediadores, os Praticantes, e a sociedade em geral. A ANDE - BRASIL , em seu site http://www.equoterapia.org.br/ possui um link de publicação de trabalhos científicos , onde serão publicados aqueles que após criteriosa avaliação forem aprovados a constar no espaço virtual .

FEI - Rules for Dressage


Article 411 LEG-YIELDING
1. The aim of leg yielding: To demonstrate the suppleness and lateral responsiveness of the horse.
2. Leg-yielding is performed in working trot in FEI competitions. The horse is almost straight, except for a slight flexion at the poll away from the direction in which it moves, so that the athlete is just able to see the eyebrow and nostril on the inside. The inside legs pass and cross in front of the outside legs.
Leg-yielding should be included in the training of the horse before it is ready for collected work. Later on, together with the more advanced shoulder-in movement, it is the best means of making a horse supple, loose and unconstrained for the benefit of the freedom, elasticity and regularity of its paces and the harmony, lightness and ease of its movements. Leg yielding can be performed “on the diagonal” in which case the horse should be as nearly as possible parallel to the long sides of the arena, although the forehand should be slightly in advance of the hindquarters. It can also be performed “along the wall” in which case the horse should be at an angle of about 35 degrees to the direction in which he is moving.

Article 412 LATERAL MOVEMENTS
1. The main aim of lateral movements – except leg-yielding - is to develop and increase the engagement of the hindquarters and thereby also the collection.
2. In all lateral movements - shoulder-in, travers, renvers, and half-pass, the horse is slightly bent and moves on different tracks.
3. The bend or flexion must never be exaggerated so that it does not impair the rhythm, the balance and fluency of the movement.
4. In the lateral movements, the pace should remain free and regular, maintaining a constant impulsion, yet it must be supple, cadenced and balanced. The impulsion is often lost because of the athlete’s preoccupation with bending the horse and pushing it sideways.
5. Shoulder-in. The shoulder-in is performed in collected trot. The horse is ridden with a slight but uniform bend around the inside leg of the athlete maintaining engagement and cadence and a constant angle of approx. 30 degrees. The horse’s inside foreleg passes and crosses in front of the outside foreleg; the inside hind leg steps forward under the horse’s body weight following the same track of the outside foreleg, with the lowering of the inside hip. The horse is bent away from the direction in which it is moving.
6. Travers. Travers can be performed in collected trot or collected canter. The horse is slightly bent round the inside leg of the athlete but with a greater degree of bend than in shoulder-in. A constant angle of approximately 35 degrees should be shown (from the front and from behind one sees four tracks). The forehand remains on the track and the quarters are moved inwards. The horse’s outside legs pass and cross in front of the inside legs. The horse is bent in the direction in which it is moving. To start the travers, the quarters must leave the track or, after a corner or circle, are not brought back onto the track. At the end of the travers, the quarters are brought back on the track (without any counter-flexion of the poll/neck) as one would finish a circle. Aims of travers: To show a fluent collected trot movement on a straight line and a correct bend. Front and hind legs are crossing, balance and cadence are maintained.
7. Renvers. Renvers is the inverse movement in relation to travers. The hindquarters remain on the track while the forehand is moved inward. To finish the renvers the forehand is aligned with the quarters on the track. Otherwise, he same principles and conditions that apply to the travers are applicable to the renvers. The horse is slightly bent around the inside leg of the athlete. The horse’s outside legs pass and cross in front of the inside legs. The horse is bent in the direction in which it is moving. Aims of renvers: To show a fluent collected trot movement on a straight line with a greater degree of bend than in shoulder-in. Fore and hind legs cross, balance and cadence are maintained.
8. Half pass. Half-pass is a variation of travers, executed on a diagonal line instead of along the wall. It can be performed in collected trot (and in passage in a freestyle) or collected canter. The horse should be slightly bent around the inside leg of the athlete and in the direction in which it is moving. The horse should maintain the same cadence and balance throughout the whole movement. In order to give more freedom and mobility to the shoulders, it is of great importance that the impulsion be maintained, especially the engagement of the inside hind leg. The horse’s body is nearly parallel to the long side of the arena with the forehand slightly in advance of the hindquarters.
In the trot, the outside legs pass and cross in front of the inside legs. In the canter, the movement is performed in a series of forward/sideways strides. Aims of half-pass in trot: To show a fluent collected trot movement on a diagonal line with a greater degree of bend than in shoulder-in. Fore and hind legs cross, balance and cadence are maintained. Aims of the half-pass in canter: To both demonstrate and develop the collection and suppleness of the canter by moving fluently forwards and sideways without any loss of rhythm, balance or softness and submission to the bend.
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CLÁUSULA 411 - CESSÃO A PERNA
1. O objetivo da cessão a perna é demonstrar a flexibilidade e a sensibilidade lateral do cavalo.
2. A cessão a perna é executada no trote de trabalho em competições da FEI. O cavalo está quase ereto, exceto por uma pequena flexão na nuca na direção oposta em que está se movimentando, de maneira que o cavaleiro possa enxergar a sobrancelha e a narina do lado de dentro. As pernas de dentro passam e cruzam em frente das pernas de fora.

A cessão a perna deve ser introduzida no treinamento do cavalo antes que esteja pronto para o trabalho reunido. Mais tarde, juntamente com o movimento mais avançado de espádua dentro, é a melhor maneira de tornar o cavalo flexível, solto e descontraído em benefício da liberdade, elasticidade e regularidade de suas andaduras e da harmonia, leveza e facilidade de seus movimentos. A cessão a perna pode ser executada “na diagonal”; neste caso, o cavalo deve estar o mais paralelo possível aos lados maiores do picadeiro, embora a antemão deva estar um pouco adiante dos posteriores. Também pode ser executada “na parede”; neste caso, o cavalo deverá estar em um ângulo de aproximadamente 35 graus na direção em que está se movimentando.

CLÁUSULA 412 - MOVIMENTOS LATERAIS
1. O maior objetivo dos movimentos laterais – com exceção da cessão a perna – é desenvolver e aumentar o engajamento dos posteriores e assim também a condição de estar “na mão”.
2. Em todos os movimentos laterais – espádua para dentro, travers, renvers e apoio, o cavalo está ligeiramente inclinado e se movimenta em linhas diferentes.
3. A inclinação ou a flexão nunca devem ser exageradas para que nãoimpeçam o ritmo, o equilíbrio e a fluência do movimento.
4. Nos movimentos laterais, a andadura deverá permanecer livre e regular, mantendo uma impulsão constante, mas ao mesmo tempo deve ser flexível, cadenciada e equilibrada. A mpulsão muitas vezes se perde por causa da preocupação do cavaleiro em curvar o cavalo e empurrá-lo de lado.
5. Espádua para dentro. A espádua para dentro é executada num trote reunido. O cavalo é conduzido com um ligeiro encurvamento em torno da perna de dentro do cavaleiro, mantendo o engajamento e a cadência em um ângulo de aproximadamente 30 graus. O anterior de dentro passa e cruza em frente do posterior de fora; o posterior de dentro avança para frente e debaixo do peso corporal do cavalo seguindo a mesma linha do antemão de fora, baixando a garupa interna. O cavalo se curva na direção oposta da direção em que está se movimentando.
6. Travers. O travers pode ser executado em um trote reunido ou em galope reunido. O cavalo fica ligeiramente curvado em direção da perna de dentro do cavaleiro, porém com um grau mais acentuado do que no exercício de espádua para dentro. Um ângulo constante de aproximadamente 35 graus deve ser apresentado (de frente e de trás, são quatro pistas). A antemão continua na trilha e a garupa é conduzida para dentro. As pernas de fora do cavalo passam e cruzam na frente das pernas de dentro. O cavalo se curva na direção em que está se movimentando. Para iniciar o travers, a garupa deve deixar a pista ou, após um canto ou um círculo, não voltar à pista. Ao final do travers os posteriores voltam à pista (sem a contraflexão da nuca/pescoço) como se terminassem um círculo. Objetivo do travers: mostrar um movimento de trote reunido em uma linha reta e em uma curvatura correta. Anteriores e posteriores se cruzam, e o equilíbrio e a cadência são mantidas.
7. Renvers. Renvers é o movimento inverso em relação ao travers. Os posteriores continuam na pista enquanto a antemão é movida para dentro. Para terminar o renvers, a antemão fica alinhada com os posteriores na pista. De resto, os mesmos princípios e condições que se aplicam ao travers também
se aplicam ao renvers. O cavalo se curva ligeiramente em torno da perna interna do atleta. As pernas de fora do cavalo passam e cruzam em frente das pernas de dentro. O cavalo se curva na direção em que se movimenta. Objetivo do renvers: mostrar um movimento de trote reunido fluente numa linha reta com um grau de curvatura maior do que uma espádua para dentro. Anteriores e posteriores se cruzam, e equilíbrio e cadência são mantidos.
8. Apoio. O apoio é uma variação do travers, sendo executado em linha diagonal em vez da parede. Pode ser executado em trote reunido (e em passage e estilo livre) ou no galope reunido. O cavalo deverá estar ligeiramente inclinado em torno da perna de dentro do cavaleiro e na mesma direção em que está se movendo. O cavalo deverá manter a mesma cadência e equilíbrio durante todo o movimento. Para dar mais liberdade e mobilidade às espáduas, é da máxima importância que a impulsão seja mantida, especialmente o engajamento do posterior interno. O corpo do cavalo está praticamente paralelo ao lado maior do picadeiro, com a antemão ligeiramente na frente da garupa. No trote, as pernas de fora passam e cruzam na frente das pernas internas. No galope, o movimento é executado numa série de lances para frente e para o lado. Objetivo do apoio no trote: mostrar um movimento de trote reunido fluente numa linha diagonal com um grau maior de curvatura do que uma espádua para dentro. Anteriores e posteriores se cruzam, e o equilíbrio e a cadência se mantêm. Objetivo do apoio no galope: mostrar e desenvolver a reunião e a flexibilidade do galope por meio de movimentos fluentes para frente e para o lado, sem a perda de ritmo, equilíbrio ou leveza e submissão ao encurvamento .