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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Encurvatura e Flexionamento

por Claudia Leschonski
Nas aulas de equitação, nos bate-papos entre cavaleiros - e consequentemente na cabeça de muita gente - os conceitos de “encurvatura” e “flexionamento” do cavalo durante o trabalho de plano acabam sendo trocados, ou considerados como sinônimos. Entretanto, a compreensão das diferenças entre ambas é fundamental para todos aqueles que queiram trabalhar corretamente os seus cavalos.
Por Flexionamento entendemos o direcionamento lateral da cabeça do cavalo a partir da nuca, ou seja, o cavalo vira a cabeça para um dos lados sem envolvimento da coluna vertebral. Assim, o flexionamento acontece independente do posicionamento do eixo longitudinal (coluna) do cavalo. Num cavalo livre de tensão, a crista da crina aponta ligeiramente para o lado do flexionamento.A finalidade principal do flexionamento é obter um maior grau de obediência às rédeas de ação lateral - por exemplo, a rédea de abertura. O cavalo que aceita bem o flexionamento se torna mais sensível às ajudas internas e aceita mais positivamente as ajudas externas.O flexionamento correto é conseguido adiantando-se a rédea interna na mesma intensidade em que a rédea externa é encurtada, sem que o contato de ambas as rédeas seja abandonado. Enquanto isso, ambos os lados do assento (ísquio) precisam estar igualmente tensionados, ou seja, o cavaleiro não deve “entortar” ou “pesar” mais para um dos lados. No cavalo bem flexionado o cavaleiro enxerga o olho e a beirada da narina internos (interno: o lado para o qual o animal está flexionado, ou encurvado). Cumpre reparar que, classicamente falando, o flexionamento é “apenas” isso - fazer o cavalo virar a cabeça, olhando para um dos lados enquanto está trabalhando. Popularmente, observamos exercícios mais ou menos corretos sendo denominados de flexionamento, envolvendo o corpo inteiro do cavalo, em diversas posições “mirabolantes” da coluna. Talvez por problemas de tradução que costumam acometer nossos textos técnicos em nosso país, usa-se chamar de flexionamento trabalhos em duas pistas, arco reverso, ceder à perna, trabalhar em círculo olhando para dentro ou para fora, e assim por diante; também há treinadores que determinam de “flexionamento” o trabalho de plano, ou o aquecimento.
Alguns erros comuns do flexionamento são:excesso, com a cabeça muito “quebrada” para o lado de dentro, levando o cavalo a cair (escapar) com a paleta externa. A conseqüência será um ritmo deficiente nos andamentos. tração na rédea interna na tentativa de forçar o flexionamento. Neste caso, o cavalo fica com a frente (conjunto cabeça/nuca/pescoço) “amassados”, o que impossibilita a ação correta, com transpistamento, do posterior interno.· encapotamento, quando a rédea externa traciona ao invés de permitir o apoio consistente do cavalo. Cria-se uma resistência na nuca que impossibilita o flexionamento correto.

Por Encurvatura compreende-se a alteração da curva descrita pelo eixo longitudinal - ou seja, a coluna vertebral - do cavalo. Ela pode existir em graus diversos, tanto maior quanto menor for o diâmetro do círculo ou da curva percorridos pelo cavalo, desde a linha reta até a pirueta. Esta encurvatura precisa ser uniforme por toda a extensão da coluna, até o ponto em que isto seja anatomicamente possível, já que alguns segmentos da coluna eqüina são mais rígidos do que outros. O pescoço é a região mais flexível da coluna, enquanto a área da bacia é rígida. Esta característica é responsável pela maior parte das execuções defeituosas de encurvatura, como quando a “encurvatura” do ante-mão não é acompanhada por igual atitude do pós-mão. Neste caso, observamos que as pegadas dos posteriores não seguem exatamente as pegadas deixadas pelos anteriores, ao invés “fugindo” para um dos lados. A encurvatura é obtida pela correta coordenação das ajudas diagonais:· mais peso colocado sobre o ísquio (osso do assento) interno;· perna interna age na posição de impulsão, ativando o posterior interno;· perna de posição (externa) impede a fuga do posterior;· a rédea interna impõe o flexionamento e se necessário conduz o cavalo em direção à curva desejada (rédea de abertura);· a rédea externa cede de acordo com flexionamento e encurvatura internos do cavalo, ao mesmo tempo em que impede o excesso de colocação do pescoço para dentro e delimita a posição da paleta externa. A deficiência mais comum na execução da encurvatura é forçar a quebra excessiva do pescoço, impedindo a encurvatura desejada na região dorsal. Neste caso, a “encurvatura” existe apenas no pescoço, e no trabalho em círculo podemos observar que os posteriores fogem do trajeto desenhado pelos anteriores.
Note que ; não existe encurvatura sem flexionamento, enquanto o flexionamento sem encurvatura é possível e solicitado em alguns exercícios, tais como o ceder à perna. Aplicações de encurvatura e flexionamento nos exercícios de adestramento ;Tanto o flexionamento quanto a encurvatura são condições indispensáveis para a realização dos trabalhos em duas pistas. O flexionamento serve principalmente para a preparação para determinados exercícios, os quais pedem encurvatura lateral ou mudanças de direção, e também testa a permeabilidade (ou seja, submissão) da região da nuca do cavalo. O grau de flexionamento pode crescer um pouco, à medida que aumenta o nível de treinamento do cavalo. À medida que cresce a dificuldade dos exercícios de adestramento, aumenta o grau esperado de encurvatura; por exemplo, a encurvatura do cavalo em círculos de 10 m é muito maior que aquela do círculo de 20 m. A encurvatura correta pode ser obtida apenas quando o cavalo se apresenta alinhado (direito) em retas e curvas, com ambos os posteriores seguindo o trajeto dos anteriores, e buscando constantemente o contato da rédea externa. Apenas o cavalo corretamente equitado, capaz de executar círculos pequenos em perfeito equilíbrio, com os posteriores colocados sob a massa e alinhados com os anteriores - e portanto aptos a gerar a impulsão necessária - terá bom desempenho nos eventos desportivos, pois curvas fechadas, equilibradas e rápidas são exigidas tanto nas reprises de adestramento quanto na corrida de tambor e balizas, nas partidas de pólo e nos desempates das provas de salto. O pré-requisito para esta encurvatura é o flexionamento livre de resistências. Em contrapartida, o cavalo que apresenta resistências e defesas ao flexionamento, e depois à encurvatura, será incapaz de manter ritmo, direção e impulsão, e por conseguinte equilíbrio, durante o trabalho. Estas deficiências se tornam tanto mais perceptíveis quanto maior a velocidade dos andamentos, ou seja - pode ser possível maquiar deficiências durante o treinamento diário, mas elas acabam vindo à tona no calor de uma disputa, qualquer que seja a modalidade. O bom treinamento de cavalos é a soma de inúmeros detalhes. Jamais confunda o “básico” com “simples” e menos ainda com supérfluo. É na educação básica sólida que ancoramos as estruturas necessárias ao desempenho de toda a vida atlética do cavalo.
Claudia Leschonski
Médica veterinária, treinadora de cavalos, instrutora de equitação, professora universitária. Escreve sobre equitação e manejo. Ministra clínicas periódicas na Escola Desempenho de Equitação .

Aquecimento e Flexionamento

O aquecimento e flexionamento são essenciais e benéficos para o melhor desempenho do animal que vai realizar exercícios, sendo, portanto, indispensáveis às atividades físicas as quais são submetidos nos treinos .A eficácia do aquecimento e flexionamento agem diretamente na prevenção de lesões graves e dores musculares, preparando o organismo do animal gradativamente, conforme vai intensificando a atividade física. Esta pratica também permite que não apenas o metabolismo atinja um padrão ideal para suportar o exercício, mas também para que o estado psíquico do animal entre em conformidade com o que lhe será exigido, em movimentos e concentração. Podemos dividir o aquecimento em geral e específico.
O aquecimento geral vai atuar em grandes grupos musculares e o especifico, nos locais específicos que queremos exercitar, e que serão mais exigidos nas manobras de treinamento e competições.No aquecimento geral vamos ativar o organismo do animal como um todo. Teremos, com isto, um aumento da temperatura corporal do animal e da sua musculatura, por conseqüência: é o preparo do sistema cardiovascular e respiratório para atividade a ser desempenhada.Quando realizado um aquecimento adequado o suprimento de oxigênio e nutrientes nos tecidos aumentam, pela maior circulação sanguínea havendo com isso um melhor desempenho músculo-esquelético. Também as articulações são beneficiadas preparando-as para um grau maior de esforço. Em conseqüência os riscos de fratura, lesões e rupturas nos ossos, tendões e ligamentos serão menores.
Quanto ao aquecimento específico, este deve sempre ser contínuo ao aquecimento geral. Não é recomendado tirar o animal que passou horas na cocheira e iniciar o flexionamento sem ter passado pelo aquecimento geral.Os exercícios específicos, que são os de alongamento e flexionamento, irão preparar a musculatura exigida para o que iremos treinar; esses exercícios devem sempre se assemelhar aos exercícios que serão executados na atividade seguinte.São exercícios mais localizados e que requerem mais cuidado e conhecimento do profissional que vai aplica-los, considerando sempre a necessidade de cada animal e o tipo de trabalho .
Tanto a diferenciação quanto a intensidade dos momentos do aquecimento são adaptáveis a cada animal, conforme o conhecimento deste treinador, já que cada animal deve ser tratado como um único indivíduo.Nos exercícios de flexionamento ou alongamento deve-se ter mais cautela, pois se praticados de forma incorreta, sem prévio aquecimento ou em excesso, podem, ao invés de prevenir, causar lesões. Na dúvida, o melhor sempre é fazer menos do que mais.
Período do dia: Pela manhã e à noite os exercícios de aquecimento devem ser feitos de forma mais gradual e mais longa. Pela tarde, podem ser realizados por um período mais curto.
Temperatura ambiente: Em dias quentes, o tempo de aquecimento deve ser menor. Em dias frios ou chuvosos, o tempo de aquecimento deve ser maior. O ideal é que o intervalo entre o aquecimento e o início do treinamento não seja prolongado, mas um concomitante ao outro, evitando que o corpo volte a sua temperatura de repouso não tendo mais efeito.A saúde de seu animal está predominantemente nas mãos daqueles que convivem com ele e o treinam. Depende de nos profissionais e amantes dos cavalos, zelar pela saúde desses animais, prevenindo com manejo adequado tanto a preocupação do proprietário como a dor muscular do animal. O tempo gasto com o preparo dos animais para o exercício que vamos desenvolver com ele através do aquecimento e alongamento, reverterá em tempo ganho na medida em que evitaremos dores, sofrimento, e lesões desnecessárias preservando e preparando o cavalo para o trabalho .

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

As Palavras do Mestre Nuno de Oliveira

“Em todas as artes os artistas aprendem a técnica e todos os detalhes dessa técnica, produzindo então sua obra de arte."

Nuno de Oliveira foi sem dúvida um dos grandes mestres da equitação clássica a nível mundial. São inúmeros os cavaleiros que o recordam como um mestre que utilizava pouca palavras, evitando as longas palestras. Inspirava confiança – com comentários breves e extremamente objetivos, resolvia as dúvidas de qualquer aluno. Acreditava que a equitação era transmitida por sentimento e aplicação prática e que o cavaleiro interessado e sério aprendia muito e de uma forma muito mais profunda ao ganhar experiência prática sobre os seus cavalos, do que com longas palestras.As suas opiniões sobre sete temas podem ajudar profundamente qualquer cavaleiro interessado em qualquer disciplina de equitação e equoterapia . São na realidade a base de todo o trabalho. Nas suas palavras...
O Passo
Todos passamos demasiado tempo a trote. O passo é a base de todo o trabalho e é com o passo que nos devemos preocupar. Um bom passo reunido, lento, decidido e cheio de impulsão está na base de todos os andamentos reunidos. No passo de escola o peso do corpo do cavalo é empurrado energicamente para diante pelos membros posteriores ativados pelas ajudas das pernas e assento do cavaleiro.A cabeça e o pescoço do cavalo elevam-se com um suave relaxamento da boca quando cede à ação dos dedos do cavaleiro sobre as rédeas. Ao iniciar o trabalho a trote e a galope o cavaleiro perde o seu tempo se não tiver conseguido ainda obter um bom passo, com o cavalo ativo apesar de submisso e interessado. Não deve ter vergonha de passar horas a aperfeiçoar o passo do seu cavalo. Terá a retribuição nos outros andamentos.
Espádua a Dentro
Nunca se deve subestimar a importância deste exercício para obter flexibilidade. É o mais importante de todos os exercícios laterais e não é suficientemente utilizado. O cavaleiro não deve pedir a espádua-a-dentro só ao longo dos lados mais compridos do picadeiro; deve manter o cavalo feliz e interessado na espádua-a-dentro em círculo, nos topos do picadeiro, em meios círculos e ao longo da linha central. Da espádua-a-dentro para o ladear e de volta à espádua-a-dentro etc. Assim como a espádua-a-dentro em direção ao meio do picadeiro, deve-se praticar também a espádua-a-dentro, cabeça à teia.
A espádua-a-dentro é mais facilmente conseguida quando o peso do cavaleiro recai ligeiramente sobre o exterior e a perna exterior se encontra um pouco atrasada. Muitos cavaleiros são ensinados a colocar o peso sobre o interior do arreio mas em certos cavalos isto leva ao bloqueio do movimento lateral.Também acontece que muitos cavaleiros exigem demasiada encurvatura com a rédea interior, que se deve manter suave. Devem-se voltar as unhas da mão interna para cima e manter o contacto com a rédea suave. É a mão externa que guia a parte anterior do corpo do cavalo para fora do alinhamento dos posteriores e que comanda o grau de encurvatura juntamente, como é óbvio, com a utilização correta da perna interna do cavaleiro que pede ao cavalo flexibilidade e encurvatura, junto à cilha.
Ladear
As transições de espádua-a-dentro para o ladear trazem muitos benefícios. O mesmo se aplica do ladear para o ‘renvers’. À medida que o cavalo se torna eficiente e flexível no exercício pratique o ladear num círculo alargado. Logo que o cavalo executa melhor o exercício, o círculo pode ir sendo diminuído. No ladear, o corpo do cavaleiro tem que se manter ao centro. É fácil deixar o corpo inclinar-se para o exterior – é uma grande ajuda colocar o peso sobre o interior.
Os ombros do cavaleiro deverão manter-se paralelos às espáduas do cavalo. Entre estes exercícios devemos assegurarmo-nos de que o cavalo se mantém direito, descendo ao longo do centro do picadeiro. Depois devemos voltar à fase seguinte.Quando se executa um ladear em diagonal à parede, o cavaleiro deverá utilizar menos a perna exterior quando chega ao outro lado.
A Concentração e a Extensão
Se passarmos demasiado tempo a ensinar um cavalo a estender-se ou alongar-se antes dele se conseguir reunir ele terá dificuldade em fazê-lo, o que lhe trará problemas para executar os exercícios mais avançados. O cavalo deve ser ensinado a reunir-se e a flexibilizar logo desde o início. Uma vez conseguida a concentração com ação, é mais fácil obter a verdadeira extensão. Se pelo o contrário o cavaleiro se concentrar unicamente na obtenção da extensão, antes de ter obtido a concentração através de exercícios que a ela induzam, a extensão obtida tomará a forma dum andamento corrido e desequilibrado, em vez da verdadeira extensão produzida pelos posteriores. A verdadeira extensão advém unicamente da verdadeira concentração.
O Galope
Se se utilizar demasiada força com a perna de dentro quando se pede ao cavalo para sair a galope será muito difícil ensinar o cavalo a fazer o galope invertido e mais tarde a mudar de mão. É muito melhor utilizar um pouco mais a perna exterior atrás da cilha para iniciar a transição para o galope enquanto se mantém a perna interior sossegadamente à cilha, pronta para agir e atuando como suporte (ou barreira), o que evita que os quartos posteriores descaiam para dentro. Faça com que a perna exterior seja a ajuda positiva. O cavalo em breve apreenderá a reconhecer isto ao longo de todas as fases do galope, incluindo passagens de mão etc.
O Galope Invertido
O galope invertido não é suficientemente utilizado como preparação do cavalo para trabalho mais adiantado. As passagens de mão devem ser ensinadas sem que o cavalo consiga galopar invertido, em círculo, sem esforço. Muitos cavaleiros exigem demasiada encurvatura no galope invertido. Isto não é necessário. O galope invertido é excelente para aperfeiçoar o galope concentrado mas jamais deve ser forçado uma vez que é um exercício muito cansativo. No início contente-se com uma ou duas passadas, pedindo lentamente mais.
A Tendencia para ser Unilateral
Ouve-se muito falar que os cavalos têm um lado mais flexível do que o outro. A maior parte das pessoas esquece-se de que também são esquerdos ou direitos!
Se você for direito é relativamente óbvio que utiliza a mão direita na rédea direita com mais ação do que a esquerda.
Isto leva a que o cavalo fique torto. Se você procurar continuamente obter ligeireza na sua equitação, e se concentrar em obter a flexão do cavalo a partir das suas pernas e assento em vez de com as mãos, o seu cavalo ficará mais obediente, mais direito e mais flexível.
(Equitação Especial)

Conceitos Básicos sobre o Trabalho

Por Ingrid Borghoff Troyko
Independente dos objetivos que o cavaleiro tem por meta, é importante saber que o cavalo deve ser condicionado diariamente. Exercícios diários realizados constantemente, em média de uma hora, faz parte da elaboração do plano de trabalho com uma seqüência sistemática.É impossível um cavaleiro ncontrar progresso neste binômio, se exercitando só "de vez em quando ".O aquecimento do animal e ao mesmo tempo do cavaleiro, deve ser feito nas três andaduras com rédeas mais livres ( porém com leve contato), procurando a calma, descontração, o abaixamento de pescoço, a atividade mecânica dos membros e a integração do ritmo - cavaleiro e cavalo. Posteriormente vem a retomada gradual das rédeas, concentrando- se na cadencia das andaduras de trabalho, o ritmo constante, a atenção às ajudas e a colocação do cavalo "posto na mão".
Para melhorar o contato, a descontração e flexibilidade, se recomenda o trabalho de encurvatura" ( círculos grandes e menores posteriormente, meias voltas, oito de contas, serpentinas etc. ) assim como transições de uma andadura para outra .O trabalho lateral ( em duas pistas), que ajuda na flexibilidade, engajamento dos posteriores, elasticidade das espáduas, encurvatura pela linha dorsal, deve ser feito conforme o grau de evolução em que se encontra o cavalo. Para ativar os membros, pedir o alongamento do trote e galope, na extensão das andaduras que, amplas e cadenciadas, exigem também o alongamento do dorso e pescoço. Conjuntamente se testa como o cavalo atende e aceita as ajudas do cavaleiro para a amplitude e retomada para andaduras mais reunidas. O trabalho de reunião já estará sendo feito pelos exercícios de : encurvatura, transições e alongamentos de andaduras, figuras em duas pistas ( trabalho lateral) e sequencia de movimentos. Este seria um plano de trabalho geral - "descontração, o cavalo posto na mão, contato- flexionamento, encurvatura, amplitude das passadas e transições, reunião e descontração e movimentos laterais nas três andaduras."Conforme o estágio do cavalo os exercícios vão se compondo e variando. Imprescindível é o trabalho de relaxamento final , com rédeas longas, solicitando a extensão e abaixamento de pescoço, descontração do dorso e coluna, descontração da musculatura e a respiração calma e tranqüila assim que o cavalo tenha a disposição e boa vontade para reiniciar seu trabalho no dia seguinte.
Ingrid Borghoff Troyko
Pentacampeã Brasileira de Adestramento Clássico, tendo conquistado, ainda, vários títulos de Campeã Paulista Sênior.A amazona desenvolveu brilhante carreira no exterior, tendo obtido várias colocações em Torneios Internacionais, como em 1972 na Alemanha, nos torneios de Wiesbaden, Colonia e Wolfsburg. Neste mesmo ano se consagrou Vice- Campeã do Torneio Internacional de Aachen, na Prova do Grande Prêmio.Em 1975 foi Medalha de Bronze por Equipes nos Jogos Pan-Americanos do México e em 1979 integrou a equipe terceira colocada nos Jogos Internacionais de Puerto Rico.Ingrid Troyko é instrutora de Equitação há 25 anos (12 Cursos de Adestramento com Juízes Internacionais) e Juíza Internacional de Adestramento da Federação Eqüestre Internacional (FEI) desde 1997.

Observações Gerais para o Equitador

Sempre que falamos em equoterapia e mais especificamente no cavalo de equoterapia , lembramos sempre das características que devem estar presentes nos criterios de seleção , no entanto nos esquecemos que manter tais qualidades , tanto as do comportamento quanto as morfológicas e de andamento , é o mais importante para o bem estar animal e a qualidade do movimento - terapeutico .
O cavalo para manter um bom andamento , com frequencia , impulsão e engajamentoadequados deve ser constantemente exercitado com tecnica e dedicação . Lembramos que antes de solicitarmos uma ação ao cavalo , este deve saber oque está sendo pedido (no entanto o equitador deve saber como pedir) e estar apto a fazer (deve ser treinado e exercitado ) .
O Adestramento é a modalidade hípica que mais se preocupa com a qualidades dos movimentos e consequentemente com os exercícios realizados . As técnicas podem e devem ser aplicadas ao cavalo de equoterapia objetivando melhor desenpenho , calma , impulsão e treinamento para as modalidades do esporte adptado , tendo em vista que o adestramento paraequestre é modalidade olímpica e presente no quarto programa de equoterapia . É portanto obrigação do equitador conhecer as técnicas e exercícios e suas aplicações , sempre com o devido respeito ao grau de desenvolvimento de cada animal e seu trabalho diário não levando-o a exaustão .

Observações Gerais para o Equitador

É necessário cuidar do cavalo de maneira correta para que as suas necessidades naturais sejam sempre satisfeitas.Com isso se dará uma boa base para a saúde física e mental, sem as quais o cavalo não se desenvolverá corretamente no trabalho futuro.O cavalo é um animal andarilho, que precisa de movimento, tanto quanto comida e água. Um cavalo em liberdade se movimenta até 18 km. por dia - assim a sua musculatura é ativada constantemente como as articulações, os órgãos recebem oxigênio e a circulação sangüínea deixa o coração e pulmão em boas condições.
O cavalo atual se diferencia muito do cavalo selvagem, do qual descende, mas as suas necessidades natas permanecem. O seu instinto de liberdade e movimento não será satisfeito se permanecer confinado em um estábulo, ou se exercitando por pouco tempo.
Mesmo que ele tenha tido um treinamento intenso, seria aconselhável que ele tivesse chance de uma movimentação em liberdade.Quanto mais confinado o animal, maiores as probabilidades de surgirem problemas de tendões, entrecordas, articulações, como também problemas pulmonares. O cavalo é um animal de manada, sentindo se bem e seguro em companhia dos outros, por isso o seu isolamento pode acarretar problemas comportamentais.
O trabalho diário não é completo sem uma movimentação posterior - calma e livre - onde o cavalo recupera as suas forças, regulariza o seu sistema nervoso depois de um trabalho forçado e concentrado. Existem varias maneiras de solucionar estas necessidades: soltar em liberdade, trabalhar levemente na guia ou fazer um exterior.A movimentação livre e calma reforça a vivacidade e atenção do cavalo; livre dos arreios e da imposição do cavaleiro, ele se concentra mais em si, no seu instinto e obtém paz interior. Isto impedirá que surjam os vícios como engolir ar, ranger os dentes, coicear, comer estrume etc. - todos provenientes da monotonia na cocheira pela falta de contato social com outros animais. O movimento em liberdade pode melhorar consideravelmente o nível de trabalho diário mantendo o equilíbrio físico e psíquico resultando assim em um animal dócil e colaborador.


(Equitação Especial)

Comportamentos e Vícios de Cavalos Estabulados

" A melhor forma de demonstrar gratidão a Deus, por ter dado à humanidade mais um maravilhoso presente - os cavalos - é tratar esses animais com respeito e afeto, jamais os sobrecarregando ou maltratando."
Eurípedes Kühl
Os cavalos são animais que desempenham atividades sócio-econômicas importantes e a nutrição desempenha papel fundamental no sucesso da criação, condicionando programas de alimentação peculiares à sua fisiologia digestiva e objetivo da eqüinocultura. Atualmente, a criação de eqüinos deve passar obrigatoriamente pela qualidade do manejo nutricional, e conseqüentemente o custo de produção torna-se importante para o sucesso das criações. Portanto são necessários estudos que propiciem as indústrias e nutricionistas opções de novos alimentos para compor as rações desta espécie, desta maneira baratear o custo da alimentação.
O conhecimento da fisiologia da digestão dos eqüinos é essencial para práticas nutricionais eficazes e faz – se necessário conhecer não somente como o trato digestivo funciona, mas o quão eficiente o seu funcionamento pode vir a ser, para que tenhamos êxito nas diversas atividades eqüestres, relacionadas com cada estágio fisiológico do animal ou com os objetivos do criador. Um ponto muito importante refere-se à avaliação da ingestão dos diferentes alimentos pelos animais, devido aos aspectos morfofisiológicos do trato gastrintestinal de cada espécie.
Assim, pesquisas de avaliação de alimentos utilizam ensaios de digestibilidade como ferramenta interpretativa, que respaldam a elaboração de estratégias nutricionais para eqüinos. A caracterização dos alimentos também é fundamental para que se tenha êxito na utilização adequada dos mesmos na alimentação dos animais. No processo de caracterização dos alimentos é importante conhecê-los quanto à composição químico - bromatológica, presença de fatores anti - nutricionais ou outras características que possam limitar o uso na alimentação animal.
Além da nutrição adequada um bom manejo diário de instalações asseguram melhores condições de bens estar que por sua vez, auxiliam para um melhor desempenho animal.
Distúrbios emocionais ou psicológicos produzidos pelo confinamento prolongado, em oposição à ocorrência de fenômenos fisiológicos ou orgânicos são freqüentes. Os problemas de comportamento mais comumente encontrados nos eqüinos podem ser divididos em três categorias: vícios, agressividade e distúrbios sexuais, os dois primeiros ocorrendo principalmente em animais estabulados e no terceiro relacionado por causas que estão presentes em animais na sua maioria, independentes no sistema de criação. O espaço para o cavalo foi ficando cada vez menor, obrigando o animal a ficar confinado (às vezes 24 horas por dia) em pequenas baias, o que acarretou modificações em seu comportamento, diante da necessidade de adaptação a um ambiente reduzido. Conseqüentemente duas características da vida do cavalo que vive em um ambiente natural estão ausentes na do cavalo estabulado: a vida em grupo e o tempo de pastejo o que pode afetar no comportamento animal.
É muito importante atentar para temperatura ambiente dentro dos estábulos, estas devem ser dentro das temperaturas aceitáveis de conforto térmico à espécie que devem estar próximo de 25° C, para que os animais não demonstraram comportamento de possível desconforto.
Dentre os comportamentos observados em animais estabulados, destacam-se: posição do animal (em pé ou deitado); localização do animal dentro da baia (frente, centro, fundo); temperamento do animal (quieto, agitado, alerta); tempo depreendido em alimentação e passeio diário assim como desenvolvimento de algum distúrbios de comportamento (morder partes da baia, comer fezes, aerofagia), no qual todos devem receber uma atenção especial.
Para isso um número de refeições diárias, possibilita que os animais desprendem boa parte do tempo alimentando-se, o que provoca um comportamento similar com a frequência circadiana alimentar e ao habito natural de alimentação a espécie e assim garantindo um fluxo de digesta mais constante. Os animais gastam em média uma hora e meia por refeição. Com relação ao comportamento alimentar, ao comparar eqüinos alimentados com concentrado, com eqüinos alimentados com feno, constatou-se que estes passaram mais tempo comendo, acarretando menos tempo ocioso para adquirir distúrbios no comportamento, do que os animais que comeram alimentos concentrados. Se quantidade insuficiente de fibra é oferecida aos animais, os indicadores de saciedade podem não ser ativados, deixando os cavalos com uma alta motivação alimentar além de possibilitar possíveis distúrbios alimentares e comportamentais, quando se aumenta a porcentagem de concentrado na dieta, a incidência de distúrbios orais de comportamento. Alguns pesquisadores acreditam que o tédio é um dos principais fatores desencadeadores de distúrbios comportamentais em animais.
Passeios diários, mesmo que por um período relativamente curto, auxiliam nos movimentos peristálticos (taxa de passagem da digesta), acalmam os animais e evitam o aparecimento de edemas graves nos membros, exceto esporadicamente que em alguns animais com ocorrência de pequenos edemas nos boletos e/ou quartelas que tenderam a desaparecer nos primeiros dias de alojamento.
Dentre os comportamentos mais observados, o comportamento de estar parado em pé localizado no centro da baia e quieto (animal descansando), pode indicar que os animais estavam em relativo conforto, cavalos criados em baias que permitem um contato visual reduzido com o meio exterior tendem a apresentar uma maior porcentagem de comportamentos anormais do que cavalos mantidos em baias que permitem um amplo contato visual com outros animais e seres humanos.
Os distúrbios de comportamentos são causados em grande parte pelo estresse em animais estabulados quando existem problemas de nutrição inadequada ou insuficiente, alterações climáticas, exaustão provocada por exercícios exagerado, presença ou ausência de cama, alojamento pequeno, falta de tranqüilidade e falta de contato social com outros animais ou seres humanos.
Comportamento de agressividade é um dos problemas de comportamento freqüentes nos eqüinos. Sua grande importância se deve aos riscos de causar danos ao homem e a outros animais. 0s cavalos estabulado, não tendo oportunidade de fugir, quando por algum motivo (medo, estresse ou entediado) pode apresentar comportamento de autodefesa tornando-se agressor. Os eqüinos podem sofrer também de claustrofobia natural, pois, devido a espécie ter habito natural por grandes áreas, quando presos em baías podem se tornar agressivos. Alguns animais apresentam comportamentos agressivos somente em algumas situações, durante alimentação, estro (cio), manuseio da cabeça ou membros, na baia ou quando capturados no pasto.
Quando relacionados aos distúrbios de comportamento de ordem alimentar e ingestivos, observamos que os animais apresentaram incidência de mastigação ou morder madeira, o qual pode ser explicado por um possível tempo maior ocioso ou deficiência de material fibroso, uma vez que o aumento de volumoso tendem a eliminar a incidência deste distúrbio. Este tipo de comportamento é altamente indesejável, em animais de estabulados por vários motivos, pois pode se apresentar com relativa freqüência e pela possibilidade de causar prejuízos como irritações intestinais, cólicas, problemas dentários, além dos prejuízos com a manutenção das instalações.
As principais causas deste distúrbio comportamental pode ser o tédio, deficiências de minerais na dieta (fósforo, cloreto de sódio, cobre e microelementos), a limitada quantidade de forragens fornecida, além da densidade dos alimentos, ou seja, alimentos muito macio e tenros que levem pouco tempo para ser ingerido, assim como a utilização de alimento peletizado, que são ingeridos de forma rápida.
Para reduzir o vício de morder madeira, recomendasse ocupar ao máximo o tempo dos cavalos, além de se verificar a composição da dieta, outra forma é soltando os animais em piquetes aumentando a carga de exercícios, porem a quantidade de volumoso fornecido e o número de vezes que se fornece as ração dietas podem ser alternativas viáveis, alguns pesquisadores quando realizam trabalhos de nutrição eqüina, fornecem a quantidade de alimento para atender as exigências dos animais dividido em até quatro refeições diárias.
A coprofagia (ato de comer fezes) é também um vício encontrado nos eqüinos estabulados, a atitude é preocupante quando ocorre em animais adultos, pois pode causar infestações parasitárias, transmissão de doenças e cólicas. Os principais fatores que levam os animais apresentarem este tipo de comportamento pode ser devido a dietas deficientes em proteínas (com menos de 10%) e com pouca quantidade de alimentos volumosos podem também causar a coprofagia, porém deve se ter cuidado e lembrando quer as dietas fornecidas aos animais devem ser balanceadas conforme as exigências nutricionais ao estagio fisiológico, sexo e função do animal. O feno fornecido aos potros a partir do segundo mês de vida, ou no início de uma possível estabulação, quando iniciam a ingestão do mesmo, deve ser de boa qualidade e em quantidade adequada, pois, caso contrário, os animais podem ingerir material da cama da baia, adquirindo o vício da coprofagia.
O fornecimento de alimento de boa qualidade e correta quantidade, principalmente de volumosos não peletizados, divididos em varias porções diárias, pode evitar ou eliminar esta alteração de comportamento, pois os animais passarão a maior parte do tempo se alimentando.
Outro distúrbio comportamental observado em animais estabulados é o ato de engolir ar (aerofagia), quando os animais apresentam este tipo de comportamento, os principais problemas causados são cólicas gasosas, além disto este hábito pode ser freqüentemente copiado por outros eqüinos e, uma vez adquirido o vicio, dificilmente pode ser eliminado.
Assim, devem ser tomados alguns cuidados a fim de evitar possíveis problemas como aparecimento de distúrbios de comportamento. Desta forma recomendasse cuidado principalmente com quantidades de alimentos e tempo entre as alimentações. A possibilidade de aparecimento de tais distúrbios de comportamento deve ser minimizada com uso de boas técnicas e conhecimento do manejo da espécie. Em casos de aparecimento de tais comportamentos e duvidas como eliminar ou minimizá-los recomendasse sempre buscar maiores informações com técnicos especializados.
Nota
Não havendo forma de eliminar eficazmente os vícios de estábulo e sabendo que estes resultam do tédio e ansiedade do confinamento no estábulo, torna-se imprescindível permitir ao cavalo que a sua vida se assemelhe o máximo possível à dos seus parentes selvagens. As condições necessárias para prevenir o desenvolvimento de desvios comportamentais são:Exercício, montadas regulares e treino;
Dieta equilibrada;Cuidados de saúde em dia;Algum tempo no campo de pasto (de preferência com outros cavalos, potros, póneis ou mesmo outros animais, como cabras, burros, ovelhas ou aves).
(Equitação Especial)

sábado, 17 de outubro de 2009

A Saúde Mental do Cavalo de Equoterapia

Obrigados a permanente estabulação nos centros de equoterapia mal projetados, o aborrecimento provocado pela ociosidade é péssimo companheiro e acaba provocando danos ao comportamento psíquico do animal. No momento atual a equoterapia sofre um processo de ajustes à nova realidade econômica, e os novos "homens de cavalo" preferem construir centros ou adequar antigos haras à nova realidade, diminuindo seus plantéis através de criteriosa seleção, introduzindo programas nutricionais condizentes . Essas mudanças aproximam muito mais o homem do cavalo e, se não forem obedecidas técnicas adequadas, o aumento do artificialismo pode provocar graves prejuízos à saúde mental do cavalo. As mudanças psicológicas que podem acometer os cavalos confinados ocorrem principalmente com o aparecimento dos vícios. Por isso, a avaliação da saúde mental deve ser feita diariamente pelo responsável mais direto, observando a freqüência e a intensidade com que os vícios ocorrem. Os principais vícios que podem ocorrer com os estabulados e que são sintomas de distúrbios comportamentais são a aerofagia (engolir ar), coprofagia (comer fezes), morder as paredes divisórias ou cochos, irritabilidade excessiva, birra de urso (movimento pendular do pescoço e da cabeça), má vontade de trabalhar e, eventualmente, maior agressividade.
Alimentação
Entre todos os fatores que predispõem os estabulados a apresentarem os vícios, depois da ociosidade, a alimentação tem talvez a maior importância. Indevidamente alimentados com certeza terão distúrbios comportamentais. Quando estabulados, os animais podem estar em diferentes níveis de treinamento e, portanto, de exigências nutricionais diversas. Os poucos trabalhados (2 ou 3 vezes por semana) devem receber mais alimentos volumosos, de preferência os fenos, do que alimentos concentrados (rações comerciais industrializadas). Calcula-se que nessas condições os cavalos deverão receber cerca de 1,5 % do seu peso em feno e no máximo 0,8 % de rações por dia, ou seja: um cavalo de 500 kgs deveria receber de 7,5 a 8 kgs de fenos e, no máximo, 4 kgs de ração por dia. É preferível mantê-los com mais cobertura de costelas do que muito enxutos, pois esta condição física induz ao temperamento nervoso. O inverso ocorre quando o cavalo trabalha diariamente, quando deverão receber cotas maiores de concentrados e menores de volumosos e precisam estar mais enxutos do que obesos. Muita comida para os que trabalham pouco, ou pouca para os que trabalham muito, são condições que predispõem ao desconforto, à obesidade e à ocorrência de distúrbios intestinais. Outra característica importante em relação à alimentação diz respeito aos níveis de nutrientes que os estabulados devem receber. Os em intenso ritmo de trabalho gastam mais energia e eletrólitos do que seus vizinhos que se exercitam menos. O gasto energético durante os exercícios varia enormemente. Um cavalo trabalhando em galope curto gasta 10,00 Kcal/Kg de peso hora, enquanto que em galope alongado este índice aumenta para 40,10 Kcal/Kg. As exigências protéicas variam muito pouco e, por essa razão, as rações comercias para a performance não precisam ter mais do que 12 ou 13% de proteína. Outra sensível diferença é a perda de eletrólitos pelo suor. A variação pode ser muito expressiva, de acordo com a intensidade do trabalho realizado por cada animal. Se não forem suplementados satisfatoriamente em suas necessidades de reposição de elementos como cálcio, fósforo, sódio, potássio, cloro, manganês, ferro, zinco e cobre, a falta destes elementos induz a um grande desconforto e, conseqüentemente, ao aparecimento de vícios, principalmente a coprofagia e a geofagia (comer terra). Quando em liberdade, o cavalo gasta de 13 a 15 horas por dia se alimentando, sempre em pequenas porções. Quando estabulado, o tempo que emprega comendo é, no máximo, de 6 horas. Essa diferença demonstra a influência da estabulação sobre o tempo livre que o cavalo deverá preencher com alguma outra atividade. Calcula-se que para o cavalo consumir 1 Kg de feno gasta 30 minutos. Quando o feno for umedecido, gasta 20 minutos. Para comer 1 Kg de aveia ou milho quebrado, gasta apenas 5 minutos. Com essas informações é preciso criar um programa nutricional de forma a se aproximar ao máximo da condição de vida livre com plena liberdade. Hoje estuda-se a introdução de comedouros automáticos com "timer" ajustado para fornecer de 6 a 12 refeições por dia; fenos enriquecidos para atender os estabulados que trabalham pouco, dispensando assim os concentrados; o oferecimento "`a vontade" de volumosos de baixo valor nutritivo a fim de atender à condição intestinal e mastigação mais freqüente, sempre com o objetivo de preencher as horas livres e diminuir a angústia e o aparecimento de vícios.
Atividades
Os novos programas de distração física para preencher o tempo livre e não torná-lo ocioso têm enfatizado que, além das atividades já conhecidas como o trabalho montado, o trabalho na guia, redondel livre, trabalho puxado, piquetes de recreação e relaxamento, deve-se incrementar o contato mais intenso e demorado do equitador e da equipe com o animal, repetindo a higiene diária das baias e a escovação dos pelos (massoterapia) 2 a 3 vezes por dia.
Homem
O comportamento de todos os homens envolvidos com o dia-a-dia dos animais estabulados tem grande influência sobre o comportamento psicológico e seu conseqüente bem estar. Assume maior importância aquele que passa mais horas em contato com o animal, porque além de fornecer os alimentos, realiza a higiene diária e, dependendo de sua devoção ao trabalho, sua companhia torna mais suportável a solidão que acomete tantos cavalos confinados. A agressividade e o medo dos animais é diretamente proporcional à falta de carinho, rispidez, grosseria, voz alta e movimentos bruscos e violentos que o tratador, por ignorância, falta de preparo ou mesmo incompetência, demonstra. A preparação dessa importante mão-de-obra precisa ser contínua, profissional e todos os envolvidos devem ter consciência da relevância e importância de seu trabalho para o bem estar e desenvolvimento dos animais. Na escolha desses profissionais é preciso que transpareça, a todo momento, que ele goste realmente de cavalos. Essa é a única característica que não se aprende na escola. Em termos gerais, a angústia mental do cavalo estabulado decorre dos seguintes fatores: Falta de espaço, excesso de calor e pouca ventilação, cama suja e úmida, mudança na alimentação, incompatibilidade com vizinhos, ataque de insetos, desconforto da dor, vizinhos que apresentam vícios, stress de treinamento e falta de carinho do homem.Qualquer destes fatores e, logicamente, a combinação de quaisquer deles deve, radicalmente, ser evitada para que os cavalos possam se sentir bem e, conseqüentemente, retribuir abundantemente cada cuidado recebido daqueles que deles zelam carinhosamente.

(Equitação Especial)